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Polêmica

Zema defende que crianças possam trabalhar e diz que esquerda criou visão ‘lamentável’

Declaração sobre trabalho infantil no Dia do Trabalhador gera polêmica e reação no governo federal
Por O Correio de Hoje
04/05/2026 | 18:01

Pré-candidato à Presidência, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) afirmou na última sexta-feira 1º, Dia do Trabalho, que crianças poderiam trabalhar no Brasil. A declaração foi feita durante participação no podcast Inteligência Ltda. e provocou repercussão no meio político.

“A esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança. Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal, recebe não sei quantos cents por cada jornal entregue no tempo que tem. Aqui, proibido, você está escravizando criança. É lamentável, mas tenho certeza que nós vamos mudar isso”, disse.

Zema
Ex-governador Romeu Zema, pré-candidato do Novo à Presidência da República Foto: Reprodução/You Tube

Ao comentar sua própria trajetória, Zema afirmou que começou a trabalhar aos 14 anos, ajudando o pai em atividades como contagem e embalagem de peças. “Infelizmente, no Brasil, se criou essa ideia de que jovem não pode trabalhar. Eu sei que o estudo é prioritário, mas toda criança pode estar ajudando com questões simples, com questões que estão ao alcance dela.”

A legislação brasileira estabelece restrições claras ao trabalho infantil. A Constituição Federal proíbe o trabalho antes dos 16 anos, exceto na condição de aprendiz, permitida a partir dos 14. Já a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) determina que o trabalho de menores não pode ocorrer em atividades ou ambientes que prejudiquem seu desenvolvimento físico, psíquico, moral ou social, nem em horários que comprometam a frequência escolar.

Após a repercussão, Zema voltou ao tema em vídeo divulgado nas redes sociais no sábado 2. Ele afirmou que sua defesa está relacionada à ampliação de oportunidades para adolescentes, destacando que oferecer “educação e trabalho digno é o que forma caráter, disciplina e futuro”.

O ex-governador ressaltou que o modelo já existe no país a partir dos 14 anos, mas defendeu sua expansão “com proteção, sem atrapalhar a escola”. “Vamos parar com essa hipocrisia”, disse. “Milhões de jovens já trabalham hoje, mas na informalidade, sem regra, sem nenhuma proteção. Somos um país que finge que protege os jovens e as crianças. Essa é que é a verdade. E eu não tenho medo de dizer isso não.”

Ele também relacionou o tema à vulnerabilidade social de adolescentes. “Quando um adolescente não encontra o caminho da educação e do trabalho, sabe quem é que oferece oportunidade para ele? O crime. As facções já têm um plano de carreira prontinho para recrutar os adolescentes. Então a escolha é muito simples, ou a gente vira as costas e deixa o jovem à própria sorte, ou a gente abre as portas para ele aprender a trabalhar de forma honesta e construir o seu futuro.”

A fala gerou reação de integrantes do governo. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou a declaração nas redes sociais. “O cidadão que faz isso no Dia do Trabalhador vai além: dá sérios sinais de ser um psicopata. O nome dele é Romeu Zema”, afirmou.