O retorno às aulas após o recesso escolar exige atenção não apenas à adaptação das crianças, mas também ao acolhimento das famílias e ao preparo das escolas para esse processo. A avaliação é do psicólogo Hilton Gomes, que defendeu o acolhimento das emoções dos estudantes, a participação ativa dos pais na readaptação e a escuta das crianças em casos de mudança de instituição de ensino.
Segundo o psicólogo, as crianças pequenas costumam sentir mais intensamente o retorno à rotina escolar do que adolescentes, embora a mudança seja percebida em todas as faixas etárias. Para ele, o choro faz parte do processo de adaptação e não deve ser reprimido.

“O choro é um processo comunicacional. Nós precisamos autorizar a criança a sentir”, afirmou. Em vez de pedir que o filho pare de chorar, ele recomenda que os pais acolham a emoção e reforcem que estarão presentes no momento da saída da escola, transmitindo segurança durante a separação temporária.
Além de validar os sentimentos das crianças, Hilton Gomes destacou que a presença dos responsáveis na chegada à escola também contribui para a adaptação. Segundo ele, acompanhar o filho até a porta da instituição e entregá-lo ao professor fortalece a sensação de segurança e facilita a transição para o ambiente escolar.
O psicólogo ressaltou que o retorno às aulas também representa um momento de readaptação para as famílias. Após o período de convivência mais intensa nas férias, pais e responsáveis também enfrentam dificuldades com a retomada da rotina.
Para lidar com esse cenário, algumas escolas passaram a criar salas de acolhimento destinadas aos pais. Outro grupo que demanda atenção específica é o dos estudantes neurodivergentes. Gomes explicou que, nesses casos, a adaptação não ocorre apenas no início de cada semestre, mas diariamente. Por isso, defende que cada aluno tenha um plano educacional individualizado, construído a partir da comunicação entre escola, família e equipe multiprofissional.