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Prevenção
Uso de máscaras pode erradicar o contágio ocasionado pelo coronavírus
Entre as armas contra a expansão do novo coronavírus, depois de uma vacina que só deve sair a partir do ano que vem, a boa e velha máscara de proteção individual se mantem como a grande arma contra a pandemia; consultor empresarial fala sovre o que se deve fazer para que as pessoas conciliem o EPI às necessidades do trabalho
Marcelo Hollanda
24/07/2020 | 00:18

Em Natal, algumas vezes por mês, Cristina conversa com um dos filhos que mora em Liverpool, uma cidade portuária situada no noroeste da Inglaterra, e com uma filha que há 20 anos fixou residência em Nashville, capital do Tennessee, nos EUA.

E a pergunta da mãe é, invariavelmente, se os dois estão se cuidando, evitando aglomerações e usando máscara. Lá no Reino Unido, Marco diz que nenhum de seus colegas de trabalho na empresa transportadora usa máscara, enquanto da América, Flávia afirma, indignada, que até nos supermercados as pessoas não são obrigadas a usar a proteção.

Estudo feito pelo cientista-pesquisador da Universidade de São Francisco, Jeremy Howard, divulgado em abril último, revelou que o uso de máscaras pode erradicar o contágio ocasionado pela pandemia do novo coronavírus, desde que todos comprem a ideia.

Segundo o levantamento, publicado no The Washington Post, se 100% das pessoas usarem máscaras, mesmo que cada uma tenha uma efetividade baixa, o índice de contágio pode chegar ao número inicial, ou seja, quase zero.

Nesse caso, ao invés de uma contaminação de rebanho, caso dos EUA e do Brasil, os dois epicentros da pandemia no mundo, o Covid 19 acabaria pela falta de gente para contaminar.

Não seria um processo rápido e muito menos fácil, mas é o que pode estar determinando a queda nos contágios do Rio Grande do Norte, num momento em que outros estados são apanhados por novas altas de contaminações e mortes.

Embora o RN esteja longe de comemorar alguma coisa neste momento, ao se caminhar pelas ruas de Natal é possível ver que o uso da máscara foi adotado pela maioria da população, salvo uma ou outra figura que insistente em agredir as evidências.

Desde que a pandemia se instalou, a partir de março, embora a política de distanciamento social em Natal, que começou bem, tenha fraquejado rapidamente a partir do mês seguinte, exibindo percentuais pouco acima dos 40%, a adoção de máscara pela população pode ter sido o que não permitiu que as coisas ficassem muito piores.

Pelo medo da falta de proteção com os leitos em colapso na rede pública, os mais pobres como Salete, uma diarista que mora na região metropolitana da capital, abriu mão sem discutir dos R$ 400,00 que ganhava por semana com as faxinas para se trancar casa, aproveitando que o marido acabara de conseguir sua aposentadoria por invalidez.

A segunda providência dela foi conseguir, com uma vizinha costureira, o máximo de máscaras possível para quando fosse sair de casa por qualquer motivo. “Me sinto sem roupa se saio sem a máscara”, diz Salete.

Pelo estudo norte-americano, se 60% das pessoas adotassem a máscara ao invés de 20%, o fator de redução (R0) da epidemia cairia de 2 para 1. Tanto é verdade que enquanto as autoridades médicas ocidentais hesitavam em recomendar o uso da máscara de proteção, ainda no começo da pandemia no Brasil, em março, o uso de máscaras pela população já acontecia amplamente em Hong Kong, Mongólia, Coréia do Sul e Taiwan, todos com a Covid 19 sob controle.

Perguntado, há pouco mais de três meses, qual era o grande erro cometido na Europa e Estados no combate à pandemia, o diretor geral do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, George Gao, respondeu o seguinte: “O grande erro nos Estados Unidos e na Europa é, na minha opinião, que as pessoas não usam máscaras”. E pela razão mais simplória do mundo: o coronavírus, como qualquer influenza, é transmitido por gotículas respiratórias, de pessoa para pessoa.

“Gotas desempenham um papel muito importante, daí a necessidade da máscara – o simples ato de falar pode transmitir o vírus. Muitos indivíduos afetados são assintomáticos ou ainda não apresentam sintomas: com uma máscara, você pode impedir que gotículas portadoras do vírus escapem e infectem outras pessoas”, resumiu o cientista.

A ciência do uso da máscara segundo um consultor potiguar

Mesmo que uma vacina esteja disponível a partir de 2021, a previsão de grande parte dos infectologistas, sem contar médicos de outras especialidades, é que as máscaras de proteção tão populares na Ásia por conta da poluição, venham a compor a indumentária dos brasileiros ainda por um bom tempo.

Percebendo a importância dessa EPI para a vida cotidiana das empresas a partir de um “novo normal”, o professor e consultor em Comunicação Empresarial da FGV em Natal, Adelmo Freire, vem agregando a máscaras de proteção individual a seu repertório de palestras e consultas às empresas.

Nesta entrevista ao Agora RN, Adelmo explica o que se deve fazer para que as pessoas conciliem o EPI às necessidades do trabalho.

Agora RN: O senhor se especializou em orientar executivos e trabalhadores de forma geral maneiras eficientes de se comunicarem melhor no ambiente profissional. Como isso é possível com metade do rosto tampado por uma máscara?

Adelmo Freire – Nós vivemos um novo momento na nossa forma de comunicar, algo que nunca imaginávamos em ter que conviver, e que alteraria a nossa forma de nos relacionar. Como a máscara de proteção passou a fazer parte do nosso dia a dia, é impossível ignorá-la, já que ela se tornou um grande desafio a ser vencido em nossas vidas. A razão é óbvia, já que impõe uma barreira na comunicação na medida em que existe algo entre quem fala e quem escuta.

Agora RN – Diante disso, o que é preciso saber antes de enfrentar esse desafio?

AF – Em primeiro lugar, é preciso admitir uma situação já amplamente comprovada que ocorre durante o uso da máscara: a diminuição do nosso volume vocal. Perdemos em intensidade, dependendo do tipo de máscara entre 10% a 20% desse volume, ocasionando um cansaço natural nas pessoas. Por esse motivo existe uma grande solicitação das pessoas que estão ouvindo alguém com máscara, para que elas repitam o que acabaram de falar, aumentando ainda mais o cansaço vocal e em alguns casos ocasionando outros incômodos. Em ambiente de trabalho, os incômodos com o uso de máscara já se tornam uma realidade.

Agora RN: O que fazer então?

AF – Algumas empresas estão adotando estratégias como momentos de repouso de diálogos, menos reuniões, conversas mais assertivas e objetivas, e incentivando ainda mais o hábito de beber líquidos. Temos que ressaltar que as pessoas que estão em casa, aos poucos irão retornar ao ambiente de trabalho, e com isso será importante conhecerem essa nova realidade com uso desse equipamento de segurança.

Agora RN – Há outros recursos disponíveis nesse arsenal?

AF – Algumas empresas estão adotando estratégias como momentos de repouso de diálogos, menos reuniões, conversas mais assertivas e objetivas, e incentivando ainda mais o hábito de beber líquidos. Temos que ressaltar que as pessoas que estão em casa, aos poucos irão retornar ao ambiente de trabalho, e com isso será importante conhecerem essa nova realidade com uso desse equipamento de segurança.

Agora RN – O senhor mais algumas dicas importantes?

AF – Algumas dicas importantes para o melhor aproveitamento das nossas conversas, para não criar dificuldades de entendimento ao nosso interlocutor, seria ajuste correto da máscara para evitar muita proximidade com a boca; falar de forma mais pausada e pausar também ao final de cada frase para uma melhor retomada de ar; respirar de forma correta; articular melhor com movimentos mais amplos com a boca; enfatizar mais as palavras e, é claro, beber sempre muito líquido.

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