O uso da inteligência artificial e o combate à desinformação devem dominar o cenário eleitoral de 2026, segundo avaliação do advogado eleitoral e professor da UFRN Erick Pereira. Em entrevista à Mix FM nesta segunda-feira 27, ele afirmou que a tecnologia será o principal instrumento das campanhas e também o maior foco de fiscalização da Justiça Eleitoral.
“A principal regra eleitoral é o cuidado com a desinformação, esse é o grande ponto. O uso da IA para a propaganda negativa está proibida”, disse. Ele explicou que a tecnologia pode ser utilizada para conteúdos positivos, mas não para ataques. “Você pode ter o uso da IA para a propaganda positiva, isso é possível. Mas para a propaganda negativa não.”

Segundo Erick, o impacto da ferramenta será imediato no período oficial de campanha. “De 16 de agosto em diante, o uso da IA vai ser o grande instrumento dessa campanha”, afirmou, acrescentando que episódios recentes envolvendo sátiras com ministros do Supremo já antecipam o ambiente eleitoral. “Isso, digamos assim, é um spoiler do que vocês irão ver.”
Ele também destacou que o ambiente digital será decisivo para o resultado das urnas. “O que vai levar essas eleições será, sobretudo, as redes sociais”, afirmou. Para ele, o uso de algoritmos e impulsionamentos já influencia diretamente o alcance dos pré-candidatos. O advogado chamou atenção ainda para as regras no ambiente digital, especialmente no impulsionamento de conteúdos. “Impulsionar é algo que gerou responsabilidade de tipo penal. Você não pode impulsionar notícias falsas, nem negativas”, afirmou.
Na análise sobre comunicação política, Erick Pereira disse que há diferença de desempenho entre campos ideológicos nas redes sociais. “Hoje a direita se comunica muito melhor nas redes sociais do que a esquerda”, afirmou, acrescentando que a militância digital mudou de perfil. “Hoje a militante virtual está toda com a direita.”
Apesar do peso das redes, ele destacou que os meios tradicionais ainda têm papel relevante, mas atingem públicos distintos. “Essa questão de rádio, TV e redes sociais são segmentos de idade”, explicou. Erick também avaliou o sistema eleitoral brasileiro, classificando a legislação como robusta, mas com falhas na aplicação. “Ela é muito eficiente. Nós temos uma das normas mais protetoras”, disse. Para ele, o problema central não é a falta de regras. “O que precisa ter é eficácia, cumprimento dessas normas.”
Ele criticou o excesso de legislação no País e apontou um ambiente de multiplicidade normativa. “Nós temos 6,5 milhões de normas”, afirmou. Segundo ele, a produção constante de leis não resolve problemas estruturais. “Você não muda cultura de um povo com normas.” O professor também ressaltou o papel do eleitor na qualidade da política. “O mandatário é o representante que você escolhe […] Quando você escolhe um mandatário ruim, você vai estar fadado a ser governado por maus gestores.”
Sobre pesquisas eleitorais, Erick afirmou que elas são indispensáveis, mas exigem responsabilidade. “Você não faz hoje nenhuma eleição, no mundo, sem ter pesquisa”, disse. Ele alertou para o uso estratégico de levantamentos durante campanhas e para o risco de distorção da percepção pública.