A musa da Colorado do Brás, Izadora Morais, está fora do carnaval de São Paulo deste ano por recomendação médica após ser internada depois de passar mal ao utilizar canetas emagrecedoras. Segundo sua assessoria, exames apontaram alterações clínicas e comprometimento do fígado, e ela deverá permanecer em observação, sem realizar esforços físicos.
Estreante na folia, Izadora havia aceitado o convite para desfilar por se identificar com o enredo da escola, que trata do universo de bruxas, feiticeiras e mulheres que desafiaram seu tempo. Nos bastidores, relatou que enfrentou pressão estética e decidiu recorrer a medicamentos para acelerar a perda de peso.

De acordo com ela, as reações surgiram logo no início do uso de Mounjaro, com sintomas como cansaço, manchas na pele, dores e inchaço. Houve suspeita de problemas vasculares, incluindo risco de embolia, o que levou à internação. Após receber alta, novos exames indicaram a necessidade de repouso absoluto.
“Queira ou não, a gente [mulheres] se compara muito, quer emagrecer rápido e sente uma cobrança estética. Quando fui parar no hospital, percebi que estava colocando minha vida em risco. Nada disso vale a nossa saúde. Era um sonho desfilar, mas entendi que preciso respeitar meu corpo e a recuperação”, destaca.
Ela afirmou que decidiu tornar o caso público para alertar outras mulheres que se sentem pressionadas por padrões estéticos durante a preparação para o carnaval. Em dois meses, perdeu 9 kg, mas disse que ficou debilitada.
“Existe cobrança, existe comparação, e muitas vezes a gente acaba tomando decisões impulsivas. Quero que minha história sirva de alerta: não vale colocar a saúde em risco por resultado rápido. E vale sempre ter um médico ao lado. Não existe atalho, não podemos fazer loucuras, nem entrar em hype”, afirma.
Izadora também relatou impacto espiritual após o episódio. Segundo ela, o problema de saúde foi um “chamado” para se afastar do carnaval.
“Se existe mesmo Espírito Santo, fui tocada. Claro que sempre tive fé, mas aceitei de vez Jesus em meio ao caos. Desde que o aceitei como único Salvador, as coisas começaram a melhorar. Meu estado de saúde evoluiu, as manchas e dores sumiram. Como sensitiva, faço previsões, uso meus oráculos, estudo, tenho visões, mas tive minha fé renovada, vou deixar Deus me guiar mais”.
Apesar do susto, o quadro é estável. Ela se recupera em casa e afirmou que não pretende retornar ao carnaval no próximo ano.
“Enxergo como um alerta e um chamado. Vou respeitar isso. Agora vejo como um livramento.”
Anvisa emite alerta para uso de canetas emagrecedoras
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre o uso de canetas para o tratamento de obesidade e diabetes sem acompanhamento médico e para indicações que não constam nas bulas dos medicamentos. O documento foi divulgado nesta segunda-feira 9.
O alerta cita aumento de notificações de casos de pancreatite associados ao uso de medicamentos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro. O Brasil investiga seis mortes por pancreatite sob suspeita de associação ao uso das canetas. Também são analisados mais de 200 casos de pessoas que tiveram problemas no pâncreas durante o uso dos medicamentos.
Segundo a Anvisa, o alerta inclui medicamentos com semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida, abrangendo todas as canetas registradas no país. A agência afirma que a pancreatite já consta como reação adversa nas bulas, mas houve aumento recente de notificações. O órgão orienta que os medicamentos sejam usados apenas conforme as indicações aprovadas em bula, com prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.
A Anvisa informou que a maioria das canetas é permitida para obesidade e diabetes. Há exceções para a semaglutida, para redução do risco de eventos cardiovasculares, e para o Mounjaro, no tratamento da apneia. Indicações fora dessa lista são contraindicadas pela agência. O alerta também menciona risco maior quando os medicamentos são usados para emagrecimento rápido ou fins estéticos sem indicação clínica.
A agência orienta interromper o tratamento em caso de suspeita de pancreatite e não retomar se o diagnóstico for confirmado. A Anvisa também informou que notificações podem envolver produtos falsificados.