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Ataque

Universitários são investigados por atacar morador de rua com arma de choque

Caso envolve uso de arma de choque e vídeos gravados por um dos suspeitos
Por O Correio de Hoje
15/04/2026 | 13:42

Dois estudantes universitários estão sendo investigados por suspeita de agredir um homem em situação de rua com o uso de uma arma de choque, em Belém, na última segunda-feira 13. Ao menos dois episódios da ação foram registrados em vídeo por um dos envolvidos.

O caso está sob apuração da Procuradoria e da Promotoria do Pará e envolve alunos do curso de Direito de uma universidade privada. A vítima foi identificada como Altamar Sarmento Filho. Procurada, a defesa de um dos estudantes afirmou que o equipamento utilizado estaria danificado e que o homem não teria sofrido ferimentos.

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Estudantes de Direito são investigados por suspeita de agredir homem em situação de rua em Belém - Foto: Reprodução

A Polícia Civil informou que apreendeu o dispositivo de choque, que será submetido a perícia. O advogado de Altamar, Humberto Boulhosa, disse que o cliente passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), o qual não constatou lesões. Segundo ele, o suspeito compareceu à delegacia ainda na segunda-feira e optou por permanecer em silêncio.

“Está se baseando apenas em um vídeo fracionado. Temos vídeos que a polícia está buscando, de situações anteriores”, afirmou o advogado, ao comentar o andamento das investigações. Questionado sobre a existência dessas imagens, ele declarou que a responsabilidade pela apuração é da polícia.

O estudante que teria gravado a ação foi identificado como Antônio Coelho. Seu advogado, Tiago Brito, informou que aguarda acesso integral ao inquérito para se manifestar.

De acordo com o Ministério Público, a conduta pode ser enquadrada como crime de lesão corporal, com possível agravante devido à vulnerabilidade da vítima e à repetição dos atos. Em nota, a Promotoria afirmou que episódios de violência contra pessoas em situação de vulnerabilidade não serão tolerados e que os envolvidos serão investigados e responsabilizados.

O Ministério Público Federal também informou que solicitou esclarecimentos à instituição de ensino à qual os estudantes estariam vinculados. Em resposta, o Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa) afirmou que está colaborando com as autoridades e que afastou das atividades acadêmicas os alunos envolvidos no caso.

A seccional paraense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PA) também se manifestou, cobrando apuração rigorosa e punição dos responsáveis. A entidade destacou que não admite profissionais que pratiquem esse tipo de conduta e apontou que a naturalização da violência contra pessoas em situação de rua — especialmente negras — está inserida em um contexto estrutural de racismo que historicamente desumaniza esses corpos.