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Propostas

Turismo quer metas para o setor nos planos de governo dos candidatos do RN

Trade turístico pretende incluir metas para malha aérea, Via Costeira, PPPs e licenciamento ambiental nos planos de governo de 2026
Redação
29/05/2026 | 05:19

O setor turístico do Rio Grande do Norte quer transformar a eleição de 2026 em oportunidade para tirar antigas demandas do campo das promessas genéricas e levá-las para os planos oficiais de governo. A Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio RN prepara um documento com propostas para o ciclo 2027-2030 e pretende entregá-lo aos candidatos ao Governo do Estado depois da oficialização das candidaturas. A ideia é fazer com que prioridades como licenciamento ambiental, malha aérea, concessões, promoção turística, interiorização e novos investimentos entrem nos programas registrados na Justiça Eleitoral.

O movimento integra o projeto Vai Turismo, iniciativa nacional da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), replicada nos estados. No RN, a Fecomércio vem reunindo representantes do trade, entidades empresariais e instituições ligadas ao setor para revisar propostas anteriores, avaliar o que avançou desde o último ciclo eleitoral e definir novas prioridades para os próximos quatro anos.

George Costa
Coordenador da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio RN, George Costa - Foto: TV Tropical/Reprodução

O coordenador da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio RN, George Costa, afirmou que o objetivo é construir uma agenda permanente para o setor, não apenas uma pauta de campanha. Segundo ele, quando uma proposta entra no plano de governo de um candidato, passa a ser um compromisso público, permitindo acompanhamento formal durante o mandato.

“A ideia nossa é que esses candidatos absorvam essas informações, coloquem no plano de governo, ou seja, não seja apenas uma questão eleitoral, e sim uma de desenvolvimento econômico do setor”, disse George, em entrevista à TV Tropical.

O documento será apresentado às equipes dos candidatos após a definição oficial das candidaturas. A partir daí, a Fecomércio pretende discutir quais pontos podem ser incorporados aos planos de governo que serão encaminhados ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RN). George explicou que a entidade não entregará apenas um diagnóstico do turismo, mas um material mais amplo sobre comércio, serviços e economia potiguar, no qual o turismo terá um capítulo próprio.

A construção dessa pauta não parte do zero. George lembrou que a Fecomércio já fez movimento semelhante em 2022, durante a eleição estadual, e também nas eleições municipais. No balanço do ciclo anterior, afirmou que algumas propostas foram cumpridas, mas a maioria ainda não avançou como o setor esperava. Entre os pontos positivos, citou melhorias em estradas turísticas, recuperação de rodovias, início do processo de PPPs e concessões do Centro de Convenções de Natal e a relicitação do Aeroporto Internacional de Natal, embora esta última tenha sido uma pauta federal.

“Algumas sim, outras não, mas a grande maioria não”, afirmou, ao comentar o nível de cumprimento das propostas anteriores. Para George, os avanços ajudaram a melhorar a competitividade do destino, mas ainda são insuficientes diante do potencial do RN e da velocidade com que outros estados nordestinos vêm ampliando equipamentos, leitos e investimentos.

A cobrança ocorre em um momento de crescimento do turismo potiguar. Dados da Emprotur mostram que o RN recebeu, de janeiro a setembro de 2025, 61,5 mil turistas estrangeiros, crescimento de 50,2% em relação ao mesmo período anterior e percentual acima da média nacional, que foi de 45%. O Governo do Estado também divulgou que as atividades turísticas cresceram 3,5% em volume e 8,9% em receita no acumulado de janeiro a novembro de 2025.

Para o trade, esses números demonstram que o setor tem força, mas precisa de planejamento para sustentar o crescimento. George afirmou que o turismo é uma atividade feita por empresários, trabalhadores e prestadores de serviço, mas depende do poder público em áreas decisivas. Segundo ele, a iniciativa privada opera hotéis, bares, restaurantes, agências, receptivos e equipamentos, mas o Estado precisa garantir promoção, infraestrutura, regulação eficiente, conectividade e qualificação profissional.

“O turismo é feito pelo empresário, ele é feito pelas pessoas, pelos trabalhadores”, afirmou. “Só que ele precisa do poder público em vários momentos, especialmente na área de promoção turística.”

George explicou que, quando o setor vai ao mercado, vende destinos inteiros, não apenas empreendimentos isolados. Citou Natal, São Miguel do Gostoso e Pipa como exemplos de produtos turísticos que precisam ser organizados, promovidos e apresentados ao mercado de forma integrada pelo poder público e pela iniciativa privada.

Prioridades

O setor turístico do RN pretende levar aos candidatos de 2026 uma pauta centrada em infraestrutura, conectividade e atração de investimentos. Entre os principais gargalos apontados está o licenciamento ambiental, tratado pelo trade como um dos fatores que mais dificultaram novos investimentos nas últimas décadas. Segundo George Costa, o problema não está na legislação ambiental em si, mas na lentidão, na falta de estrutura técnica e na carência de pessoal para analisar projetos.

Outra prioridade é ampliar a malha aérea, com fortalecimento de rotas nacionais e internacionais, além da criação de um plano estratégico capaz de identificar áreas aptas a receber hotéis, parques, restaurantes e novos equipamentos turísticos.

A Via Costeira aparece como símbolo da estagnação do turismo potiguar. George afirma que Natal está há cerca de 20 anos sem receber novos investimentos relevantes no principal corredor hoteleiro da capital, enquanto outros destinos nordestinos ampliaram estrutura e competitividade.

O setor também defende concessões e PPPs para equipamentos públicos como o Centro de Convenções, Fortaleza dos Reis Magos, Cajueiro de Pirangi e Parque das Dunas, argumentando que a iniciativa privada poderia ampliar conservação, promoção e investimentos. A pauta inclui ainda apoio à interiorização do turismo, qualificação profissional e acompanhamento permanente dos compromissos assumidos pelos futuros governantes.