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Scanner de contêineres
“Tráfico não vai parar, mas ficou mais difícil”, diz presidente da Codern
Terminal Portuário de Natal recebeu scanner de contêineres que é capaz de detectar a presença de drogas escondidas em meio às cargas; equipamento será utilizado para barrar a nova rota de tráfico entre Natal e a Europa
Anderson Barbosa
09/10/2020 | 05:05

Já está no Porto de Natal, prestes a entrar em funcionamento, o tão aguardado scanner de contêineres – equipamento capaz de detectar a presença de drogas escondidas em meio às cargas que deixam Natal com destino a Europa. Agora, a expectativa da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) é afugentar os traficantes que estavam usando o terminal marítimo da capital potiguar como trampolim para a rota internacional de entorpecentes. De fevereiro de 2019 até a semana passada, foram seis grandes apreensões dentro do porto, totalizando cerca de 5,5 toneladas de cocaína descobertas em operações feitas pela Polícia e Receita Federal.

O scanner de contêineres chegou a Natal na quarta 7, mas ainda deve levar alguns dias para que comece a operar.

Em entrevista ao Agora RN e a emissoras de televisão, coletiva realizada na manhã desta quinta 8, o almirante Elis Treidler Öberg, diretor-presidente da Codern, explicou que o equipamento só pode ser ligado após a emissão de uma licença que é feita pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão que está vinculado diretamente ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações do Governo Federal.

“Deve demorar uns 15 dias”, disse o almirante. Ainda de acordo com Öberg, o scanner vai dificultar a ação dos criminosos a partir do Porto de Natal.
“O tráfico não vai parar, mas ficou mais difícil”, afirmou.

Em 2 anos, mais de 11 toneladas de
cocaína apreendidas na rota Natal-Roterdã

Do dia 12 de fevereiro de 2019, data da primeira apreensão de drogas no Porto de Natal, até o dia 3 de outubro deste ano, quando houve a última, já foram apreendidas mais de 11 toneladas de cocaína. Praticamente a metade das apreensões, 5,5 toneladas, foram descobertas aqui, no terminal marítimo de Natal. A outra parte foi apreendida na Europa, no Porto de Roterdã (Holanda, Países Baixos), após atravessar o Oceano Atlântico.

O entorpecente é o preferido por traficantes que vêm utilizando o Porto de Natal como rota para enviar a droga produzida em países da América do Sul (Colômbia, Peru e Bolívia) para o Velho Continente.

2 mil contêineres inspecionados
por mês

Com o início do funcionamento do scanner, a administradora do Porto de Natal disse que haverá um novo protocolo de segurança dentro do terminal marítimo da capital potiguar. Assim que o equipamento estiver funcionando, todos as carretas que chegarem ao terminal passarão pela máquina. Por semana, segundo o diretor-presidente da administradora da Codern, aproximadamente 500 contêineres são embarcados em Natal, o que dá mais de 2 mil contêineres por mês.

Setembro foi marcado por um recorde. Ainda segundo a Codern, o Porto de Natal atingiu a marca histórica de 107.643 toneladas de produtos embarcados a partir do terminal no mês passado, em comparação a uma média mensal de cerca de 35 a 40 mil toneladas.

Fibra óptica

“Assim que entrar no porto, a carreta vai passar pelo scanner. É questão de minutos. Em tempo real, fibras ópticas levarão as imagens diretamente para a Receita Federal. Caso o equipamento detecte algo suspeito de algum contêiner, ou mesmo no próprio caminhão, a Polícia Federal é acionada e é feita a inspeção na carga”, detalhou Öberg.

Aluguel de R$ 400 mil por mês

O scanner que chegou ao Porto de Natal está avaliado em mais de R$ 11 milhões, mas ele não foi comprado. Por enquanto, o contrato é de aluguel, e vale por um ano. O almirante Öberg disse que não tem detalhes do acordo firmado com a empresa EBCO Systems, que forneceu o equipamento, mas ele acredita que o aluguel deve ter sido fixado entre R$ 350 e R$ 400 mil por mês. “Em média, é este o valor”, afirmou.

O valor a ser pago será dividido entre as empresas que utilizam o terminal, armadores (CMA CGM) e operadores portuários (Progeco), que 2019 se uniram para aumentar a segurança no Porto de Natal.

Agradecimento

“A Codern apresenta o agradecimento ao armador CMA CGM e ao operador portuário, empresa Progeco, bem como ao conjunto de fruticultores (os principais clientes), que tornaram realidade a implantação e o funcionamento dessa necessária ferramenta de fortalecimento da Segurança. Finalmente, informamos que, a partir da entrada em operação do scanner, a Receita Federal passa a receber diretamente as imagens geradas pelo equipamento. Assim, pode-se comprovar que foi dado mais um passo no sentido de transformar a operação e aumentar a credibilidade do Porto de Natal, qualificando-o como porta de entrada e saída do empresariado da região”, disse a Codern, em nota divulgada nesta quinta 8.

Prisões

O Juiz Federal Walter Nunes da Silva Júnior, titular da 2ª Vara Federal, determinou nesta semana a prisão preventiva das quatro pessoas presas pela Polícia Federal na operação realizada neste último final de semana no Porto de Natal.

Por conta da apreensão de 238 quilos de cocaína que estavam escondidos na carroceria de uma carreta, foram presos em flagrante Emerson Rodes Marques, Marcos Cezar Alexandre Pires Júnior, Lucas Farias Alboitt e Roberto Correa Pinheiro, suspeitos de integrarem uma quadrilha de tráfico de drogas.

No caso de Rodes, pelo fato de ser ex-policial militar, o magistrado determinou que ele seja mantido na carceragem da Polícia Federal.
Além dos quatro, outras seis pessoas já haviam sido presas em operações anteriores, também realizadas pela Polícia Federal. Entre elas está um empresário do ramo de combustíveis, detido no dia 17 de agosto durante a operação Além Mar. Com ele foram apreendidos cavalos de raça e carros de luxo. A ação também cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão em Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal.

Os outros cinco suspeitos foram presos no dia 7 de dezembro do ano passado na Grande Natal. Na ocasião, a PF ainda apreendeu 1,2 tonelada de cocaína. A droga estava dividida em diferentes locais: um contêiner que era transportado por caminhão e levava melão ao Porto de Natal, e atrás de paredes falsas em três galpões em Parnamirim.

A PF começou a acompanhar a movimentação no entorno dos galpões e descobriu que um deles foi alugado com documentos falsos. No contêiner, que era transportado pelo veículo para o terminal marítimo, e tinha como destino final a Dinamarca, foram encontrados diversos tabletes de cocaína misturados a uma carga de melão.

Outros tabletes foram encontrados em cômodos escondidos por paredes falsas dentro dos três galpões.

As penas cominadas ao crime de tráfico internacional de drogas e associação ao tráfico vão de 10 a 35 anos de reclusão.

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