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Caso Gisele

Tenente-coronel exigia sexo por ser “provedor”, mostram mensagens; oficial é réu por feminicídio

Investigação aponta relação marcada por abuso psicológico, financeiro e sexual; oficial está preso e virou réu por morte de soldado
20/03/2026 | 13:26

Mensagens trocadas entre a soldado Gisele Alves e o tenente-coronel Geraldo Neto revelam um histórico de controle e violência dentro do relacionamento. O oficial, preso, é acusado de matar a própria esposa em fevereiro deste ano, no Brás, região central de São Paulo.

De acordo com a investigação, as conversas mostram que o militar justificava a exigência de relações sexuais com o argumento de que era o “provedor” da casa. Em uma das mensagens analisadas pela polícia, ele afirma que contribuía financeiramente e, por isso, a esposa deveria retribuir com “carinho, atenção, amor e sexo”.

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Mensagens entre casal revelam histórico de controle e violência antes da morte da soldado Gisele Alves, em São Paulo Foto: Reprodução

Para investigadores e o Ministério Público, o conteúdo dos celulares evidencia um relacionamento marcado por violência doméstica, controle psicológico, imposições financeiras e comportamento machista.

Gisele foi morta no dia 18 de fevereiro, após ser atingida por um disparo na cabeça dentro do apartamento do casal. Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu em um contexto de ciúme e da decisão da vítima de se separar.

Dias antes da morte, ela comunicou ao marido que pretendia se divorciar. A resposta do oficial, segundo as mensagens, foi de recusa: ele não aceitava o fim do relacionamento e tentou impedir a separação.

As investigações também apontam que o tenente-coronel se autodenominava “macho alfa” e exigia que a esposa fosse “submissa”. Ele impunha regras de comportamento, como restrições sobre vestimenta, interações sociais e a permanência em casa.

Preso preventivamente, o militar foi denunciado e já responde como réu por feminicídio e fraude processual — esta última acusação por supostamente alterar a cena do crime para simular suicídio. Ele está detido no Presídio Militar Romão Gomes.

De acordo com os promotores, perícias e a análise das mensagens indicam que o oficial teria efetuado o disparo que matou a vítima. A Justiça determinou a prisão para garantir a ordem pública e a condução das investigações.

O caso deve ser encaminhado ao Tribunal do Júri. O Ministério Público também pede indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima em caso de condenação.

A defesa nega as acusações, contesta a competência da Justiça Militar e afirma que o oficial colaborou com as investigações.