A Polícia Civil de Mossoró investiga dois episódios distintos envolvendo crianças e adolescentes ocorridos nos últimos dias no bairro Nova Betânia, após a circulação de vídeos e áudios nas redes sociais. Um dos casos trata de uma denúncia de injúria racial registrada no sábado à tarde, enquanto o outro envolve o relato de um suposto sequestro ocorrido na noite de segunda-feira.
De acordo com o delegado Rafael Arraes, da Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DEA), as ocorrências estão sendo apuradas separadamente pelas equipes policiais.

No primeiro caso, três adolescentes que estavam em um carro foram identificados. Conforme a investigação, o grupo se envolveu em um desentendimento com uma criança de 10 anos nas proximidades de uma lanchonete. Em seguida, segundo a polícia, houve prática de injúria racial, com registro em vídeo e divulgação nas redes sociais.
“Segundo eles, a criança, de apenas 10 anos, teria tido um desentendimento quando eles chegaram à lanchonete e eles, para revidar, fizeram essa situação e ainda filmaram e postaram em rede social. Um fato repugnante”, declarou Rafael Arraes, à TCM.
A vítima compareceu à delegacia acompanhada da mãe e registrou boletim de ocorrência por injúria racial. Segundo o delegado, não houve relato de sequestro relacionado a esse episódio.
“A criança veio aqui com a mãe, fez o boletim de ocorrência de injúria racial, mas eles e a mãe afirmam, categoricamente, que não foram sequestrados”, disse o delegado.
O caso foi encaminhado para acompanhamento especializado, e a criança deverá passar por escuta na Polícia Científica do Rio Grande do Norte. Os adolescentes identificados responderão a procedimento na DEA, e o caso será encaminhado ao Poder Judiciário.
Um dos investigados também deverá responder por infração ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB), por conduzir veículo sem habilitação.
O segundo caso envolve uma criança de 11 anos, que relatou à polícia ter sido colocada à força dentro de um carro preto por quatro adolescentes na noite de segunda-feira, também nas proximidades da lanchonete. Segundo o depoimento inicial, o grupo teria circulado pela cidade antes de deixar a vítima no bairro Santo Antônio.
A Polícia Civil informou, no entanto, que há inconsistências no relato e que as informações estão sendo verificadas. “Inicialmente, ele disse que estava com um coleguinha, depois já mudou a versão dizendo que já estava com outro coleguinha que tem o mesmo apelido. Então, essa versão está sendo averiguada”, afirmou o delegado.
Os adolescentes investigados no caso de injúria racial negam participação no suposto sequestro. A polícia segue com diligências, incluindo análise de imagens, coleta de depoimentos e informações repassadas pela família da criança.
“A injúria racial está completamente apurada, com autoria definida. Já com relação ao sequestro, os adolescentes autores dessa injúria negam qualquer participação, mas a delegacia está apurando com o apoio da família da criança, de 11 anos de idade, para verificar todo o ocorrido”, concluiu Rafael Arraes.
As investigações tiveram início após a circulação de vídeos e áudios nas redes sociais mostrando a abordagem de crianças que vendiam paçoca no bairro. As imagens mostram uma das vítimas se aproximando de um carro, momento em que o material que carregava é derrubado na rua.
Relatos divulgados apontam que os ocupantes do veículo seriam adolescentes. Áudios atribuídos às vítimas indicam que duas crianças teriam sido abordadas, com menção a suposta intimidação, ameaça e uso de faca. Segundo esses relatos, as vítimas teriam sido levadas a outro local e posteriormente abandonadas.
A Polícia Civil segue apurando os fatos para esclarecer as circunstâncias de cada ocorrência.