O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que dez carros de luxo apreendidos na Operação Sem Desconto sejam levados a leilão. A investigação apura irregularidades que ficaram conhecidas como “farra do INSS”.
A decisão, tomada em caráter sigiloso no último dia 9, também autoriza que outros seis veículos sejam incorporados ao patrimônio da Polícia Federal (PF).

A maior parte dos automóveis pertence ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Há ainda veículos ligados ao empresário Maurício Camisotti, à esposa dele, Cecília Montalvão Simões, e a outros investigados.
Entre os carros que irão a leilão estão modelos de alto valor, como Porsche 911, Panamera e Taycan, além de uma Lamborghini Urus S e uma BMW M3 Competition. Os valores de mercado variam de R$ 69,7 mil a R$ 2,44 milhões. Já entre os veículos destinados à PF estão uma Land Rover Velar blindada e uma BMW X1.
Segundo a PF, a venda antecipada dos bens tem como objetivo evitar a desvalorização causada pelo tempo e pelos custos de manutenção, o que poderia impactar a recuperação de recursos públicos em caso de condenação dos investigados.
Na decisão, Mendonça destacou que a medida busca preservar tanto o interesse da União quanto o valor econômico dos bens, evitando que os veículos se tornem obsoletos ao fim do processo. Os carros incorporados à PF poderão ser utilizados em operações, ações de vigilância e atividades que exigem proteção, como o uso de veículos blindados.
Pedidos negados
Em outra decisão relacionada ao caso, o ministro negou pedidos do “Careca do INSS” para liberação de valores bloqueados e devolução de veículos.
A defesa solicitava o desbloqueio de cerca de R$ 156 mil para pagamento de acordos trabalhistas, além da restituição de dois carros Jeep Renegade, que, segundo os advogados, pertencem a familiares do investigado.
Mendonça, no entanto, entendeu que a liberação de recursos é uma medida excepcional e que, neste caso, há indícios de que os valores possam estar ligados às irregularidades investigadas. Ele também rejeitou a devolução dos veículos, afirmando que, neste momento, o interesse público na preservação das medidas cautelares deve prevalecer.
O lobista já foi alvo de bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 53 milhões no âmbito das investigações.