Representantes dos caminhoneiros realizaram uma manifestação na manhã desta segunda-feira 25 na BR-101 em Parnamirim. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), desde 7h10 a categoria bloqueou uma via no sentido Parnamirim/Natal. A polícia informou ainda que a pista foi liberada às 8h32.
O protesto foi motivado após a categoria e as empresas de transporte de cargas do Rio Grande do Norte não chegarem a um acordo durante audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN). A paralisação mobilizou motoristas logo nas primeiras horas do dia e provocou concentração de caminhões em rodovias da Região Metropolitana de Natal. Segundo o sindicato, cerca de 300 caminhões já estavam concentrados no local da paralisação durante a manhã.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas no Estado do Rio grande do Norte( Sintrocern ), Edson Negrão, a decisão pela paralisação ocorreu após o fracasso das negociações salariais e discussões sobre condições de trabalho. Ele afirmou que o setor patronal apresentou um reajuste de 4,11%, percentual considerado insuficiente pelos trabalhadores, que inicialmente reivindicavam aumento de 16%.
“Estamos tentando de todas as formas na negociação para que pudéssemos trazer um maior benefício para a nossa categoria, mas o patronal está sendo intransigente”, afirmou o sindicalista em entrevista à TV Tropical.
Além da questão salarial, os caminhoneiros reivindicam mudanças relacionadas à rotina de trabalho. Entre as pautas apresentadas pelo sindicato estão a proibição de cargas excessivas para ajudantes, restrições à subida e descida de escadas por motoristas e revisão das jornadas consideradas exaustivas pela categoria.

O representante sindical também criticou a chamada “hora de espera”, mecanismo previsto na legislação trabalhista do setor. Segundo ele, motoristas chegam a iniciar a jornada à meia-noite e permanecem trabalhando até o mesmo horário do dia seguinte. “O trabalhador continua adoecendo, continua morrendo, o ser humano não é descartável”, declarou.
Durante o protesto, os caminhoneiros utilizaram um caixão simbólico para representar, segundo os organizadores, o “enterro” dos direitos trabalhistas. O objeto foi colocado próximo ao ponto de concentração dos veículos. De acordo com Edson, o caixão simboliza decisões que, na avaliação do sindicato, dificultam a defesa da categoria pelos representantes sindicais.
O sindicato afirmou que não estava impedindo a circulação de veículos, mas convidando os motoristas a aderirem ao movimento. Ainda segundo os organizadores, caminhões transportando oxigênio, medicamentos, insumos hospitalares e até 40% do abastecimento de combustível estão sendo liberados para circulação.
“Convidamos o pessoal, o pessoal está aderindo, quem não é do nosso estado, a gente está fazendo de tudo para liberar, estamos respeitando a cota de acordo com a legislação”, disse Edson.
O TRT-RN determinou que ao menos 40% da frota permaneça em funcionamento para garantir serviços considerados essenciais. A decisão foi tomada após mediação entre trabalhadores e empresários do setor.
Após as negociações, os trabalhadores aceitaram reduzir a proposta de reajuste salarial para 7%, mas os representantes das empresas alegaram precisar de um prazo médio de 20 dias para avaliar a nova oferta em assembleia com as transportadoras.