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Smart Fit vê excesso de academias no País

Fundador da Smart Fit afirma que expansão acelerada atraiu empresas altamente endividadas para o setor
Por O Correio de Hoje
18/05/2026 | 12:22

O fundador da Smart Fit e presidente do conselho de administração da companhia, Edgard Corona, avalia que o mercado brasileiro de academias atravessa um cenário de “superoferta” após anos de crescimento acelerado impulsionado pelo aumento da prática de atividades físicas, pela expansão de agregadores e pela entrada de novos operadores. Segundo o empresário, o movimento estimulou a chegada de empresas excessivamente endividadas ao setor. “Tem muita gente que entrou no setor extremamente alavancada”, afirma.

Na avaliação de Corona, operadores com estruturas financeiras menos robustas podem enfrentar maior dificuldade em um ambiente mais competitivo. O executivo diz que o avanço do mercado também foi favorecido pela abertura de academias em regiões antes pouco atendidas e pelo crescimento dos agregadores — plataformas que conectam usuários a diferentes redes de academias e estúdios —, ampliando o acesso do público por meio de tíquetes mais baixos.

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Expansão acelerada elevou concorrência e abriu espaço para sistemas como TotalPass - Foto: Reprodução

Ao comentar o mercado de agregadores, Corona afirma que a entrada do TotalPass ajudou a evitar a deterioração do chamado “tíquete de agregador”. Segundo ele, a concorrência entre plataformas elevou os repasses às academias parceiras. O executivo afirma ainda que a Smart Fit continua pagando mais às academias credenciadas do que concorrentes, sustentada por uma estrutura operacional mais eficiente e com menor custo operacional.

Apesar do cenário mais competitivo no Brasil, Corona avalia que os impactos tendem a ser neutros para a companhia em razão da diversificação geográfica da rede e do crescimento da vertical de agregadores. Segundo ele, uma deterioração nas condições do mercado de academias pode, inclusive, favorecer o TotalPass, que vem ampliando participação dentro da operação da empresa.

O BTG Pactual classificou o resultado da Smart Fit no primeiro trimestre como sólido, destacando crescimento de receita, expansão da rentabilidade e avanço do TotalPass. O banco apontou que os números operacionais vieram ligeiramente acima das estimativas, mesmo em meio aos investimentos relacionados à plataforma e ao ritmo acelerado de abertura de novas unidades.

A receita líquida da Smart Fit avançou 25% na comparação anual, para R$ 2,1 bilhões, impulsionada pelo crescimento da base de clientes, pela expansão da rede e pelo aumento do tíquete médio. A companhia encerrou o trimestre com 5,6 milhões de clientes nas academias próprias, excluindo o TotalPass, alta de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número de assinantes digitais cresceu 13%.

Fora do Brasil e do México, o BTG destacou o “momento robusto” das operações da companhia na América Latina. O analista Luiz Guanais também chamou atenção para a evolução do ecossistema do TotalPass, que encerrou o trimestre com 2,1 milhões de clientes entre Brasil e México. A rede parceira da plataforma ultrapassou 34 mil academias no mercado brasileiro.

Segundo Guanais, o TotalPass vem se consolidando como uma “alavanca estratégica” para a Smart Fit, embora o aumento da penetração da plataforma ainda gere dúvidas de curto prazo sobre margens e tíquete médio. De acordo com Corona, o TotalPass já representa 15% do lucro bruto consolidado da companhia e 9% da receita líquida.

No Brasil, o aplicativo atingiu 34% de participação de mercado entre usuários ativos mensais, avanço de dez pontos porcentuais na comparação anual.