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Cenário
Sem nome forte contra Fátima, eleição pode ser fria no RN, diz cientista político
Bruno Oliveira lembrou ainda que toda movimentação de bastidores que ocorre neste período eleitoral é natural e faz parte do jogo político
Alessandra Bernardo | Editora de Política
09/04/2022 | 10:10

A sucessão política estadual no Rio Grande do Norte parece, até o momento, estar caminhando para eleições tranquilas, seja pelo ponto de vista de segurança pública e de saúde (visto que ainda estamos em epidemia do coronavírus e suas variantes) para os eleitores, quanto para a governadora Fátima Bezerra (PT) que, até o momento, não vê um candidato de oposição que possa lhe ameaçar nas urnas em outubro. A impressão que se têm, com o passar das semanas sem que os oposicionistas definam e divulguem um nome “de peso” como opção ao eleitorado – apesar de ter muitos, e bons nomes -, é que a petista pode ter sua reeleição assegurada, sem tantos atropelos.

Sobre isso, o cientista político Bruno Oliveira explica que é importante termos um olhar um pouco diferente sobre o padrão de análises que estão acontecendo sobre a sucessão estadual. Para ele, a ausência de interesse de pré-candidatos com peso político não existiu, ou seja, os nomes existem e o interesse destes em se candidatarem, também.

Ele lembrou ainda que toda movimentação de bastidores que ocorra neste período eleitoral é natural e faz parte do jogo político. “Mas, à medida que as eleições gerais se aproximam, os eleitores potiguares entenderão melhor como se formarão os palanques. Aí sim, teremos uma melhor noção do desenho que se vislumbra para as eleições de 2022”, afirmou.

No entanto, Bruno chamou a atenção para o fato da governadora chegar ao ano eleitoral em melhores condições de reeleição. “Não podemos negar que, dos últimos governadores do Estado, Fátima Bezerra é a que chega ao ano da eleição estadual com as melhores condições de reeleição, fato que não acontece desde 2006. Isso fez com que estes nomes ou fossem desistindo, como foi o caso do prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), ou fossem procurando compor com a governadora, como é o caso do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT)”, explicou.

ESPECULAÇÕES NÃO VINGARAM. Bruno lembrou que, recentemente, cogitou-se que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), o deputado estadual Ezequiel Ferreira (PSDB), seria um possível nome para enfrentar a governadora nas urnas.

No entanto, o tucano pertence à base governista e para concorrer, teria que romper com Fátima e arriscar perder uma reeleição à Assembleia, no mínimo. A especulação, já que Ezequiel nunca se pronunciou oficialmente sobre o tema, rolou solta por várias semanas, mas aparentemente morreu na praia, possivelmente após avaliações internas.

“O MDB, seguindo uma tendência dos demais estados do Nordeste, também dialoga com o PT. Além disso, tudo indica que a eleição de 2022, nacionalmente, será novamente muito polarizada e claro que isso tem reflexos aqui no Estado. O governo Jair Bolsonaro (PL) tem reprovação na casa dos 60% e ninguém parece querer assumir o desgaste de ser o pólo local de apoio ao presidente”, afirmou o cientista político.

ELEIÇÃO FRIA. Para ele, até poderemos ter mesmo uma eleição mais fria no RN, “como ocorreu em 2020 em Natal, quando o prefeito Álvaro foi para reeleição com um palanque robusto, vencendo com certa facilidade. Todavia, é preciso lembrar também que não há histórico recente de eleição no Estado com poucas candidaturas. Em 2018, foram oito candidatos disputando o cargo de governador e, mesmo na capital, em 2020, Álvaro enfrentou outros 13 candidatos”, alertou.

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