A pré-candidata ao Senado Samanda Alves admitiu que um dos principais desafios de sua campanha será transferir para seu nome o eleitorado que já estava organizado em torno da possível candidatura da governadora Fátima Bezerra. Em entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM, nesta quinta-feira 14, a vereadora de Natal disse que ainda há eleitores que não sabem que Fátima desistiu da disputa do Senado e que sua tarefa agora é explicar, município por município, por que passou a ocupar esse espaço na chapa governista.
Samanda foi lançada pelo PT depois que Fátima Bezerra decidiu permanecer no Governo do Estado até o fim do mandato. A governadora era o nome natural do partido para disputar o Senado em 2026, mas recuou em março, após a crise aberta com o vice-governador Walter Alves, que não assumiria o Executivo em caso de renúncia dela. Com isso, o PT reposicionou a chapa, manteve Cadu Xavier como pré-candidato ao Governo e passou a trabalhar Samanda como herdeira política da principal liderança petista no Rio Grande do Norte.

A estratégia aparece no slogan da pré-campanha: “Samanda é Fátima”. A própria pré-candidata reconhece que a associação é central para sua entrada na disputa. Segundo ela, a caminhada tem sido “muito desafiadora”, mas também marcada por diálogo e adesões. “Muita gente ainda não sabe que Fátima não vai ser candidata ao Senado. Isso é até assustador, inclusive por isso também não sabe que é o nosso nome que está colocado”, afirmou.
Para ilustrar a dificuldade de comunicação com o eleitorado, Samanda relatou episódios recentes ao lado da governadora. Segundo ela, em um evento de aniversário, Fátima demorou cerca de 40 minutos do portão até conseguir sentar, abordada por pessoas que diziam que votariam nela. Também contou que, em Parelhas, um militante histórico do PT ainda perguntou se Fátima não seria candidata. Para Samanda, isso mostra que o debate eleitoral ainda não chegou com força a uma parte da população.
“Estamos aqui no dia a dia acompanhando a política, mas as pessoas não entraram nessa discussão ainda”, disse. “Como ela está na mídia quase todos os dias, como governadora, ainda acham que ela é pré-candidata ao Senado.”
A vereadora afirmou que não vê incômodo no PT com pesquisas que a mostram atrás de Rafael Motta, também pré-candidato ao Senado no campo governista. Segundo ela, há levantamentos com resultados distintos, alguns colocando seu nome em segundo lugar, outros em terceiro. A leitura do partido, afirmou, é de que ainda existe margem para crescimento.
“É um dos desafios a gente conseguir esse eleitorado fiel a Fátima, que acompanha o PT há muito tempo, do campo progressista, que votou em Fátima nas últimas três eleições majoritárias, para o Senado, para governadora, para a reeleição. É um grande desafio fazer com que as pessoas entendam”, declarou.