O vereador de Natal Kleber Fernandes (Repúblicanos) afirmou que não há crise na base do prefeito Paulinho Freire (União Brasil) apesar de parte dos vereadores governistas apoiar a pré-candidatura de Allyson Bezerra (União Brasil) ao Governo do Estado. Em entrevista ao jornal O Correio de Hoje, o parlamentar destacou que a bancada atua em apoio administrativo à gestão municipal e que as escolhas político-partidárias dos vereadores são tratadas com naturalidade. Kleber também saiu em defesa da pré-candidatura de Álvaro Dias (PL), apontando o legado deixado pelo ex-prefeito na capital como diferencial na disputa estadual. Durante a entrevista, o vereador ainda acusou o PT de promover “retaliação política” contra Natal por meio do represamento de recursos federais e estaduais, além de criticar a atuação da deputada Natália Bonavides (PT) e comentar a iniciativa da vereadora Samanda Alves (PT) de tentar destravar verbas para o município.
Entrevista
O fato de 7 vereadores da base de apoio ao prefeito Paulinho Freire na Câmara estarem apoiando a pré-candidatura de Allyson Bezerra provoca algum mal-estar no grupo?
A bancada de Paulinho trata-se de uma bancada de apoio administrativo. São vereadores que entendem que a gestão de Paulinho merece ter uma credibilidade por parte do Poder Legislativo no que diz respeito à aprovação de matérias. As questões político-partidárias e as escolhas pessoais de cada vereador não estão diretamente ligadas ao fato de o vereador fazer parte da bancada de apoio administrativo à gestão.

Então, a bancada governista vê com naturalidade essas escolhas dos parlamentares?
Tudo segue da mesma forma. Qualquer tipo de retaliação, uma coisa de perseguição política, não é o estilo, não é do feitio do prefeito Paulinho Freire.
A maioria da bancada, porém, apoia a candidatura de Álvaro Dias. Quão determinante será esse apoio, na sua avaliação?
A candidatura de Álvaro em Natal já larga com uma grande vantagem competitiva, haja vista que ele é o único dos três principais pré-candidatos que tem efetivos serviços prestados à população natalense. Ele deixou um legado, nas suas duas gestões, à cidade do Natal. Os outros dois candidatos nem daqui são. Um não é nem do Rio Grande do Norte (Cadu Xavier, do PT) e o outro, a atuação dele foi em Mossoró (Allyson Bezerra, do União Brasil). Então, Álvaro já inicia o processo com essa vantagem competitiva de uma folha de serviços prestados à Natal. O segundo ponto, óbvio, é ter o apoio do prefeito da capital e de mais 17 vereadores. Isso tem um impacto extremamente positivo na campanha eleitoral, porque o vereador é o político mais próximo da população, é aquele que está na ponta, que está no dia a dia participando da vida comunitária, que conhece o eleitor pelo nome, que sabe e conhece as nuances de cada bairro, de cada comunidade. A participação política efetiva de 17 vereadores e do prefeito da capital, levando esclarecimento, levando as propostas, empunhando a bandeira do pré-candidato Álvaro Dias, fará uma diferença substancial no processo eleitoral de Natal.
Nas últimas semanas, Natal tem enfrentado fortes chuvas. Na sua avaliação, como a cidade tem lidado com os eventos climáticos?
O prefeito Paulinho Freire, desde que assumiu a gestão da Prefeitura, vem tendo uma preocupação diferenciada quanto à questão da drenagem, quanto a minimizar impactos das chuvas. Historicamente, Natal sofre com essa questão. Isso não foi um problema gerado agora. Mas, desde o início da gestão de Paulinho, ele vem tomando medidas preventivas, com a manutenção das bombas, a limpeza preventiva das lagoas, a desobstrução de galerias… Todo o processo preventivo foi muito bem planejado, muito bem estruturado. Tanto é que, de todas as lagoas de captação existentes na cidade, pouquíssimas foram as que tiveram algum tipo de transbordamento nesse período de chuva. Além disso, há obras que já estão em andamento. As ações preventivas e as ações ostensivas já mostram impactos visíveis à população.
A gestão municipal reclama do represamento de recursos federais em Brasília. O senhor concorda com a avaliação de que a gestão de Paulinho Freire sofre retaliação política por parte do PT?
Eu entendo que sim. Durante a gestão do ex-prefeito Álvaro Dias, foram conseguidos e aprovados inúmeros recursos do Governo Federal para obras de grande impacto na cidade. Após a assunção do governo Lula, esses repasses foram travados. Calcula-se algo em torno de mais de R$ 50 milhões represados. Repasses que seriam para o andamento dessas obras em Natal e que, lamentavelmente, foram represados pelo Governo Federal. Mudou o governo, mas os projetos já estavam com aprovação e em andamento, as obras em andamento. Represar a vinda desses recursos me parece uma clara retaliação política e que prejudica frontalmente os interesses de Natal. A gente tem uma governadora aliada, amiga pessoal do presidente da República. Ela deveria governar para todo o estado do Rio Grande do Norte, incluindo Natal.
Essa retaliação a que o senhor se refere ocorre em outras áreas?
Sim. Recursos que são da saúde pública do município, que deveriam ser repassados a Natal pelo Governo do Estado, também foram represados. Isso é uma conduta muito pequena para o Governo do Estado e para o PT e seus aliados, que insistem em retaliar Natal e prejudicar o desenvolvimento da cidade. Isso não fica restrito só ao campo financeiro e orçamentário. Veja que outras medidas que se tentou adotar para a cidade, como na própria discussão do Plano Diretor, houve muitos questionamentos e tentativa de entrave por parte do PT. Também há a questão do Parque Linear e tantas outras questões que colaboram com o desenvolvimento da cidade. Parece que o governo sempre tenta botar uma pedra para impedir que aconteça.
A vereadora Samanda Alves, presidente do PT e pré-candidata ao Senado, se colocou à disposição para auxiliar no destravamento dos recursos. Como o senhor avalia essa postura?
A gente não pode desqualificar nem desmerecer a atitude da vereadora Samanda de tentar fazer algum encaminhamento. O que causa estranheza é isso acontecer somente agora, às vésperas da eleição, em que ela inclusive é pré-candidata ao Senado. Esse é um problema público, notório e antigo. Há muito tempo que os vereadores da bancada, o ex-prefeito Álvaro Dias e o próprio Paulinho vêm colocando essa dificuldade de liberação de recursos pelo Governo Federal. E a gente não viu, durante todo esse tempo, nenhuma atitude. Fazer isso agora é louvável, mas causa estranheza ter deixado chegar às vésperas de um processo eleitoral para tomar algum tipo de iniciativa, alguma providência.
Como o senhor avalia a atuação de outras figuras da oposição, como a deputada Natália Bonavides?
A deputada Natália é boa de gravar vídeo na chuva, mas não tem uma atitude prática de encaminhar recursos, de destravar recursos, de fazer o papel que lhe é atribuído na condição de deputada federal, de defender os interesses da cidade. Ela foi a deputada mais votada de Natal, foi para o segundo turno na eleição, se propunha a ser prefeita da cidade. No debate, Paulinho fez um desafio a ela. Disse: ‘Se a senhora ganhar, eu boto minhas emendas todas para Natal. A senhora vai botar as suas?’. Ela falou: ‘Eu vou consultar a minha assessoria’. Ou seja, ela já não tinha interesse de ajudar a cidade. E continua isso se revelando agora na prática, onde não traz nenhuma solução e é só aponta para críticas sem nenhuma medida concreta nem prática que possa trazer solução prática para a vida do povo natalense.