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Enfrentamento
Rússia anuncia acordo para fornecer remédio contra Covid-19 ao Brasil
Avifavir está sendo negociado com um laboratório privado brasileiro, que não teve seu nome divulgado
Redação
24/09/2020 | 16:19

Foi anunciado pelo fundo soberano da Rússia e a farmacêutica russa ChemRar nesta quinta-feira 24 um acordo para oferecer ao Brasil e mais 17 países um remédio antiviral contra a Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.

De acordo com o fundo, que também bancou a criação da vacina russa Sputnik V, o Avifavir está sendo negociado com um laboratório privado brasileiro, que não teve seu nome divulgado. Para o medicamento usado, precisa ser aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Avifavir é a droga em questão. Essa nomenclatura é dada, comercialmente falando, ao favipiravir, um composto que é usado desde 2014 no Japão contra uma gripe chamada de Avigan.

Em abril, um fabricante do produto, Fujifilm, que também é do ramo fotográfico, começou os testes clínicos de fase 3, para saber se ela poderia ou não ser eficaz no combate à covid-19. Seu princípio é o de inibir a enzima polimerase, que ajuda o patógeno a reproduzir quando invade uma célula saudável.

A Rússia fez testes próprios com um genérico sob licença japonesa, no mês de junho, aprovou a utilização emergencial de 60 mil doses do remédio em 74 de suas 85 regiões.

Segundo o Ministério da Saúde da Rússia, 940 pacientes foram acompanhados. Deles, 30% tiveram o Sars-CoV-2 eliminado do corpo e o reduziu seu tempo de tratamento restante de sintomas como pneumonia leve de quatro para dois dias. Contudo, houve questionamentos na comunidade médica russa.

A Fujifilm divulgou nesta quarta 23 os resultados da fase 3, afirmando que o remédio é, de fato, eficaz para reduzir o tempo de tratamento em casos não graves da covid. Agora, pretende começar o processo de aprovação do uso do medicamento no Japão, o que prevê concluir em outubro.

A ação do Avifavir é igual à da droga experimental remdesivir, que teve seus estoques mundiais virtualmente sequestrados pelo governo dos Estados Unidos, numa iniciativa que foi condenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ainda de acordo com o fundo soberano, o remédio custa cerca de três vezes menos que o Remdesivir e deve ser fornecido, além do Brasil, para a Argentina, Bulgária, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, Honduras, Kuwait, Paraguei, Panamá , Arábia Saudita, Sérvia, Eslováquia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Uruguai.

“Quando nós registramos a primeira droga contra o coronavírus no mundo, houve ceticismo porque o Japão ainda não havia um registrado. Agora a eficácia está comprovada”, disse o presidente do fundo, Kirill Dmitriev.

A Sputnik V foi registrado no dia 11 de agosto para uso civil . O medicamento foi o primeiro no mundo, mas só havia passado pelas fases 1 e 2 dos testes clínicos, indo para a fase 3 agora. Dmitriev afirma que há mais de 50 mil voluntários inscritos para os testes.

Não houve qualquer estudo científico publicado até o dia 4 de setembro. O texto aprovado pela revista britânica A Lancet destacava a eficácia do imunizante, mas destacava que faltava ainda a fase 3 para confirmá-lo.

O estudo foi alvo de críticas de um grupo de cientistas, que questionou a duplicação de alguns resultados. Os russos respondidos ao texto com um novo artigo também publicado na The Lancet .

Em entrevista à Folha de S.Paulo , Dmitriev afirmou que as críticas são parte de um jogo político que junta os governos contrários ao Kremlin e as grandes empresas farmacêuticas, que controlam 80% do mercado mundial.

Seja como for, existe um padrão de anúncio que se antecipa aos resultados clínicos. Dmitriev define isso como injustificável, dada a emergência da pandemia e pelo fato de a Rússia usar como base medicamentos que já estavam em uso, o favipiravir no caso da droga e o vetor adenoviral humano, no caso do Sputnik.

Mesmo assim, há uma certa opacidade nas ações. Ainda na entrevista à Folha , o presidente do fundo sóbrio da Rússia disse que negociava na produção do Sputnik V com parceiros europeus e americanos, além de parcerias semelhantes como com a Índia ou os governos do Paraná e Bahia . Ele disse ainda que os anúncios serão feitos nas próximas duas semanas. O prazo se encerra nesta sexta 25, e o fundo informou que conforme segue, mas não há acordos a serem revelados.

O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que causam doenças respiratórias. O novo agente do coronavírus foi descoberto em 31/12/19 após casos registrados na China.Os primeiros coronavírus humanos foram obtidos pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectar com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alfa coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir doenças respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deve ser utilizado a precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

*Com informações do Jornal do Commercio

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