O senador Rogério Marinho (PL) anunciou, nesta quarta-feira 21, a retirada de sua pré-candidatura ao Governo do Rio Grande do Norte e confirmou apoio ao nome do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (Republicanos). O posicionamento foi apresentado durante coletiva de imprensa na sede do PL-RN, em Lagoa Nova, na Zona Sul de Natal.
Além de Rogério Marinho, outras lideranças de oposição aproveitaram o ato e também manifestaram apoio ao nome de Álvaro para o governo. Entre eles, estão o senador Styvenson Valentim (PSDB), o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), a deputada federal Carla Dickson (União), o deputado federal General Girão (PL) e os deputados estaduais Adjuto Dias (MDB), Coronel Azevedo (PL), Dr. Kerginaldo (PL) e Terezinha Maia (PL), além de prefeitos de diversas cidades do Estado e vereadores.

Durante o anúncio, Rogério explicou que sua decisão atende a um pedido de Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente, que está preso em Brasília cumprindo pena pela condenação por tentativa de golpe, solicitou que o senador atue na coordenação da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O pedido de Bolsonaro teria sido feito na semana passada, através de um recado enviado por um advogado que o visitou na prisão. “Na quinta-feira passada, nós tivemos uma conversa com um dos advogados do presidente, que nos trouxe esse pedido, que para mim é uma convocação. E isso é o que ocasionou a minha decisão. Houve uma conversa com o advogado do presidente, que transmitiu a vontade do presidente de que nós ficássemos com essa posição e ajudá-lo”, detalhou Rogério.
Rogério Marinho afirmou que ser governador do Rio Grande do Norte é um “sonho de menino”, mas que ele precisou abrir mão por lealdade a Bolsonaro. “Eu não poderia deixar de atender o pedido do presidente Bolsonaro”, afirmou.
O senador, que foi ministro do Desenvolvimento Regional durante o governo de Jair Bolsonaro, afirmou que atendeu ao apelo do líder por questão de gratidão.
“Eu não estaria aqui hoje se não fosse um cidadão que hoje está encarcerado, que foi impedido de disputar a atividade política. Não porque roubou, não porque malversou recuros rúblicos, não porque corrompeu deputados, não porque aparelhou a máquina publica. Mas porque ousou discordar do sistema político, e o sistema o encarcerou e o prendeu por um crime político. Esse homem, esse líder é alguém com quem eu tive a condição e a oportunidade de conviver e testemunhei um brasileiro de bem, lutando para fazer diferença no Brasil”, acrescentou.
“Solidariedade rima com gratidão, com reconhecimento, com lealdade”, emendou.
Em outro trecho, o senador detalhou como se deu a decisão de não disputar o Governo do RN. “Esse líder (Bolsonaro) me pediu para que eu, por enquanto, abrisse mão de um sonho de menino. Desde os 10 anos de idade, desde o meu primeiro discurso em praça pública, sonhei em um dia governar esse estado e ajudar o Estado a ser diferente, a proporcionar para o povo do Rio Grande do Norte a oportunidade que eu acredito que ele merece, a trazer a experiência que eu consegui amealhar ao longo da minha vida e me colocar à disposição para trabalhar muito para retirar o Estado da situação em que ele se encontra”, discursou.
Papel na campanha de Flávio Bolsonaro
O senador, que é secretário-geral do PL desde julho de 2024, registrou que seu papel no pleito presidencial será o de “organizar” o partido para as eleições de 2026.
“A função do secretário-geral já é, naturalmente, de organizar o partido para as eleições de 2026, a exemplo que aconteceu em 2024”, detalhou o senador.
Rogério Marinho disse ainda que, na campanha de Flávio Bolsonaro, terá a tarefa de “conversar com aqueles que têm interesse de ser candidato em vários estados brasileiros, fazendo o trabalho de transigência, de negociação com outros partidos políticos, buscando armar palanques que receberão a nossa candidatura presidencial”. E ainda falou que está atuando na elaboração do plano de governo.
O parlamentar potiguar registrou que, sob a sua orientação, o PL realizou em 2025 uma série de encontros regionais para iniciar a formulação da proposta eleitoral que o partido vai apresentar no próximo pleito, e que isso será aproveitado pela candidatura de Flávio.
“Ao longo do ano passado, fizemos uma série de ações ligadas à questão da mobilização e da identidade programática do partido, como seminários de comunicação e o lançamento da Universidade Conservadora de Direita, que está, inclusive, disponibilizada na internet hoje para mais de 20 mil alunos. Fizemos uma série de eventos, a exemplo que ocorreu aqui no Rio do Norte, com o Rota 22, em seis estados da federação. É uma ideia que nós implementamos para os anos ímpares, naqueles em que não há eleição, para deixar viva a imagem do partido, que o partido tem que ser orgânico, não pode ser apenas cartorial. E o senador Flávio nos convidou para participar dessa coordenação geral do partido”, declarou.
Comparação entre Bolsonaro e Lula
Ao listar o que considera retrocessos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o líder da oposição no Senado afirmou que “Bolsonaro representa uma visão de um Estado completamente oposto ao que está aí”. Para Rogério, o modelo defendido pelo ex-presidente se contrapõe ao atual Governo Federal e ao que ele classifica como expansão excessiva da máquina pública. “Um Estado em que a estrutura estatal não pese no lombo do trabalhador e do empreendedor”, afirmou.
Ao fazer a comparação entre gestões, Rogério Marinho citou medidas econômicas adotadas durante o governo Bolsonaro. “Quando o presidente Bolsonaro foi presidente, 4.500 produtos industrializados tiveram 35% de redução do IPI. Houve redução do ICMS sobre combustível”, disse. Em contraponto, criticou a política tributária atual: “Agora nós temos 30 novos impostos em menos de três anos”.
O senador também falou sobre a deterioração do quadro fiscal brasileiro. “Um aumento absurdo da arrecadação, mas um aumento maior ainda das despesas, gerando um passivo deletério para o futuro dos nossos jovens”, afirmou. Na avaliação dele, esse cenário compromete gerações futuras. “O aumento da dívida pública significa aumento de juros, significa inflação, significa que, no futuro, os nossos filhos vão ter que pagar um preço muito alto pelo populismo exacerbado”, completou.
Justificativa para escolher Álvaro
Rogério Marinho reforçou que a decisão de recuar da pré-candidatura a governador não significaria afastamento da política estadual. “Eu não poderia deixar de atender o pedido do presidente Bolsonaro. E também não posso abandonar o meu Estado e o meu governo”, afirmou.
Ele, então, justificou a escolha pelo nome de Álvaro: “Vamos apresentar aqui a candidatura a governador do Estado de alguém que tem experiência, que tem maturidade, que tem serviços prestados”, disse.
No discurso, Rogério sustentou que o objetivo do grupo é superar o quadro atual do Rio Grande do Norte, que ele classifica como crítico. “O Estado do Rio Grande do Norte é o último colocado em toda a Federação na questão fiscal. Nós somos o pior Estado da Federação na questão fiscal”, afirmou. Para o senador, o problema não é ideológico. “Não se trata de ideologia, nesse caso. Se trata de má gestão, se trata de descaso, se trata de incompetência”, declarou.