O líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta quarta-feira 4 que não será candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República em 2026.
Responsável pela coordenação da pré-campanha de Flávio, Marinho disse que o foco do partido, neste momento, é construir uma base mais ampla de apoio político, com a adesão de outras legendas ao projeto eleitoral do PL.

Segundo o senador, a escolha do nome para a vice-presidência deverá levar em conta a capacidade de agregar forças e afinidade com o programa defendido pelo partido. Ele ressaltou, no entanto, que não pretende ocupar esse espaço.
“Eu faço parte do mesmo partido do senador Flávio, a ideia é termos a possibilidade de atrairmos outros partidos para começarmos com o melhor número de integrantes. O candidato a vice vai ser aquele que mais agregar e que tenha aderência ao nosso projeto, com certeza não serei eu”, disse Marinho.
Marinho deu as declarações em entrevista depois de visitar Bolsonaro na Papudinha, batalhão da Polícia Militar ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
De acordo com Marinho, Bolsonaro repassou orientações sobre a condução da estratégia eleitoral da sigla para o próximo pleito.
O parlamentar também adiantou que o PL pretende lançar candidatos ao Senado e aos governos estaduais em todas as unidades da federação — no Rio Grande do Norte, estado de Rogério, o partido anunciou apoio à candidatura do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, que está no Republicanos, mas pode migrar para o PL. Ainda assim, reforçou que a definição do vice na chapa presidencial não está na pauta imediata e deve ficar para abril.
Para Marinho, o momento é de organização interna, elaboração de propostas e construção do plano de governo, antes do início efetivo da campanha.
Marinho afirmou ainda que Bolsonaro está “sereno” e politicamente ativo, além de defender que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu relevância eleitoral. “Para nós, o Lula é mercadoria vencida”, declarou.
Segundo o congressista, a conversa com Bolsonaro durou cerca de duas horas e teve como foco a política nacional, estratégias eleitorais e a organização da direita para a disputa presidencial de 2026.
“A candidatura do Flávio, ela está muito tracionada. Nós temos grandes possibilidades, além de ela ser competitiva. Ele está muito animado em relação à candidatura do Flávio Bolsonaro”, disse Rogério, mencionando fala de Bolsonaro.
O senador voltou a criticar o governo Lula, classificando-o como “populista e irresponsável”, e afirmou que o PT representa um modelo que teria prejudicado o desenvolvimento econômico do país. Segundo Marinho, Bolsonaro vê o atual momento político como parte de um processo de perseguição institucional, mas mantém uma postura de tranquilidade diante das decisões judiciais que enfrenta.
Cassação de patente
Ainda na conversa com os jornalistas, Rogério Marinho afirmou que Jair Bolsonaro (PL) está “tranquilo” diante do processo que tramita no Superior Tribunal Militar (STM) e que pode resultar na perda de sua patente de capitão reformado do Exército.
Segundo o senador, Bolsonaro acredita que eventuais “injustiças” serão corrigidas após as eleições de 2026. Marinho destacou que o ex-presidente deposita expectativa na candidatura do filho, o senador Flávio Bolsonaro, à Presidência da República.
De acordo com o líder do PL, uma eventual vitória de Flávio permitiria a concessão de indulto aos condenados por envolvimento na tentativa de golpe, o que, segundo ele, repararia as decisões judiciais atuais.
Na terça-feira 3, o STM recebeu uma representação do Ministério Público Militar (MPM) pedindo a cassação da patente de Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por participação em um plano de golpe de Estado.
O Código Penal Militar prevê a perda da patente quando um militar é condenado a pena superior a dois anos, seja por crime comum ou militar. Caso o tribunal decida pela exclusão de Bolsonaro das Forças Armadas, o ex-presidente deixará de ter direitos como o cumprimento de pena em unidade militar e o recebimento do soldo referente ao posto de capitão.
“Tudo isso na verdade é parte de um processo de tentar não apenas aprisionar, encarcerar, mas inclusive impedir que se tenha o resgate profissional, uma condição profissional que ele historicamente sempre teve como capitão do Exército”, afirmou o congressista.