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Roberto Vital: mais uma Paralimpíada na bagagem desse Doutor em competência
Natalense apaixonado pelos esportes desde criança, ele conta como chegou ao cargo de coordenador médico do Comitê Paralímpico Brasileiro, lembra do incentivo que recebeu dos pais e fala sobre a necessidade de investimentos, por parte da iniciativa privada, nos paratletas
João Ricardo Correia
28/08/2021 | 09:18

O natalense Roberto Vital sempre foi apaixonado por esportes. Na juventude, dedicava parte do tempo jogando futebol – campo e salão. Estudioso, foi incentivado pelos pais, Henrique Vital (in memoriam) e Maria de Deus Vital, a cursar medicina. Durante a faculdade, fez a especialização em medicina esportiva, com o apoio dos professores Maeterlinck Rego Mendes e Ernani Rosado. De 1978, formado pela UFRN, até hoje, a vida desse profissional está sempre ligada a atletas. De Tóquio, no Japão, como coordenador médico do Comitê Paralímpico Brasileiro, ele concedeu entrevista exclusiva ao editor-geral do Agora RN, João Ricardo Correia.

Discreto, dedicado e reconhecido internacionalmente, Roberto Vital recorda que em 1978 não existia residência médica em medicina esportiva, mas, sim, cursos de especialização: “Fiz a prova para residência para fisiatria na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) do Rio de Janeiro, nos anos de 1979 e 1980, e, paralelamente, especialização em medicina do esporte na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenada pelos professores Waldemar Arena, Maurício Leal Rocha e Lídio Toledo, médico da seleção brasileira de futebol por muitos anos. As duas especialidades se complementam”.

Na ABBR, Roberto Vital conta que havia um clube para portadores de deficiência, o CLAM, onde ele passou a acompanhar os atletas nas competições. “Eu e minha colega de residência, Doutora Izabel Maior, fomos convidados pelo Doutor Silvio Moreira, chefe do Departamento Médico da Associação Nacional de Desportos para Deficientes (ANDE), e participamos dos Jogos Brasileiros do Rio de Janeiro, em 1979, e Brasília, em 1980. Ao voltar a Natal, me desliguei do esporte paralímpico nacional e ajudava as equipes estaduais”, lembra. Em 1994, Roberto Vital foi convidado pelo presidente da Associação Brasileira de Esportes em Cadeira de Rodas (ABRADECAR), Luiz Cláudio Pereira, seu ex- paciente na ABBR, para ser o chefe do Departamento Médico da instituição.

Desde que foi fundado o Comitê Paralímpico Brasileiro, em 1995, no Rio de Janeiro, Roberto Vital passou a integrar o Departamento Médico, chefi ado pela Doutora Tânia Carvalho. O presidente do CPB era João Batista Carvalho Silva. No mandato do presidente Vital Severino Neto, o natalense foi convidado para chefi ar do Departamento Médico. A partir de 2009, na gestão de Andrew Parsons – atual presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC) -, a função mudou de chefe de Departamento para coordenador médico. O atual presidente do CPB é Mizael Conrado. Participar de mais uma Paralimpíada, para Roberto Vital, “é uma sensação indescritível, tendo em vista que acontece um congraçamento de todos os países”.

Ele explica que, por causa do fuso horário do Japão em relação ao do Brasil ser de 12 horas, para evitar os efeitos do “jet lag” (mudança brusca que pode pegar o metabolismo da pessoa de surpresa), a Delegação Brasileira fez sua aclimatação na cidade de Hamamatsu durante 15 dias e, gradativamente, houve o deslocamento para Tóquio. A Delegação Brasileira participa com 138 atletas masculinos e 95 femininos. A equipe de saúde é composta de 11 médicos, 23 fi sioterapeutas, quatro enfermeiros, três psicólogos e um nutricionista. Roberto Vital divide a coordenação com o colega Hésojy Gley, Doutor pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.

Médico do ABC Futebol Clube desde dezembro de 1987, Roberto Vital é um entusiasta em lidar com os paratletas: “Paratletas ou atletas paralímpicos são atletas de alto rendimento. Com defi ciências físicas, visual e intelectual, eles mostram suas habilidades e são reconhecidos pelos resultados dentro das diversas modalidades”. E na hora que bate a fome, como fi ca o Doutor longe de culinária nordestina? Ele responde: “Nos grandes eventos, como as Paralimpíadas, tem restaurante que funciona 24 horas com variedades de todas as regiões do mundo e você pode escolher o que deseja comer. E também tem um restaurante, com horário reduzido, com comidas típicas do Japão”.

O potiguar que desde menino é apaixonado pelos esportes hoje tem 66 anos. Na bagagem, oito Paralimpíadas: Atlanta 1996, Sydney 2000, Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016, Tóquio 2020, além da Paralimpíada de Inverno na Coreia, em 2018. De Natal para o mundo, esbanjando cordialidade, humildade e competência, o trabalho de Roberto Vital o levou a lugares como Malta, Estados Unidos, Austrália, Inglaterra, Grécia, China, Alemanha, França, Holanda, Dinamarca, Polônia, República Checa, Malásia, Taiwan, Coreia do Sul, Macau, Portugal, Espanha, México, Argentina, Colômbia, Chile, Canadá e Suíça.

A respeito de incentivos aos paratletas, Roberto Vital explica que a maioria recebe apoio de órgãos públicos e do Comitê Paralímpico Brasileiro: “Alguns têm apoio das prefeituras e governos estaduais. Como exemplo tem o Time São Paulo, que tem o apoio do Governo de São Paulo, e poucos têm patrocínio da iniciativa privada. Alguns dos maiores patrocinadores são as loterias da Caixa”. E ressalta: “Os paratletas precisam de maior apoio das empresas privadas brasileiras”. Roberto Vital, desde julho do ano passado, é titular da Cadeira 52 da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação.

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