O professor universitário Robério Paulino, pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo Psol, afirmou que o Estado enfrenta um modelo econômico atrasado, marcado pela dependência de poucos setores e pela falta de industrialização. Em entrevista à TV Tropical, ele defendeu mudanças estruturais com foco na produção local e geração de empregos.
Economista formado pela USP e professor da UFRN, Robério criticou a lógica de desenvolvimento baseada apenas na atração de empresas externas. “Muita gente pensa em desenvolver a economia apenas atraindo empresas. A minha lógica como economista é diferente. O segredo dos países desenvolvidos não é apenas depender de empresas que vêm de fora, é construir suas próprias empresas”, afirmou.

Ele citou exemplos internacionais para justificar sua proposta. “Estados Unidos, países europeus, Japão, Coreia do Sul e agora a China desenvolveram suas economias com base na construção de suas próprias indústrias”, disse.
Ao abordar a realidade local, Robério apontou desperdícios e falhas estruturais. “Você sabia que a gente perde mais de 50% da nossa safra de manga podre no chão? Por que não industrializar isso? Depois falta merenda escolar. Não pode”, afirmou. Ele também criticou a dependência de produtos básicos importados. “Nós importamos água sanitária. Água, sal e barrilha. Por que não produzir isso aqui?”, questionou. Segundo ele, há potencial para ampliar a produção interna. “Eu poderia dar 100, 200 exemplos de coisas que nós poderíamos estar produzindo aqui.”
O pré-candidato defendeu que o Rio Grande do Norte não pode permanecer restrito a poucos setores econômicos. “O Estado não precisa ser só de turismo, só de sal ou só de petróleo, que está declinando. Nós podemos industrializar o Estado para criar milhares de empregos”, afirmou. “Eu sei como fazer isso e vou trazer soluções concretas para esse debate.”
Além da economia, Robério destacou a pauta ambiental como prioridade. “O planeta está pegando fogo, os polos estão derretendo, o nível do mar está subindo”, disse. Ele alertou para os efeitos no semiárido. “Nosso sertão está virando deserto.” Como proposta, anunciou um plano de reflorestamento. “Nós estamos com um plano muito forte de plantar milhões de árvores no nosso estado.”
Na área da educação, o pré-candidato classificou a situação do Estado como crítica. “Um de cada oito potiguares ainda é analfabeto. Isso é uma vergonha”, afirmou. Ele propôs um mutirão para erradicar o analfabetismo. “Quero fazer um grande mutirão com professores e alunos da UFRN, do IFRN, das universidades particulares, como a UNP e a UNI-RN, para acabar com isso em no máximo dois anos.”
Robério também criticou os indicadores educacionais do Estado. “O Rio Grande do Norte tem um dos piores índices do Ideb do País. Nós estamos na faixa de nota de 3 a 3,5, enquanto estados vizinhos como Ceará, Paraíba e Piauí já estão em torno de 4,5”, disse. Ele defendeu a ampliação do ensino em tempo integral. “Estados que têm mais educação em tempo integral têm Ideb maior. O Ceará está com quase 70%, enquanto o Rio Grande do Norte está em torno de 30%, ou menos.”
No campo político, Robério explicou sua trajetória e o posicionamento do Psol. “O Psol nasceu por discordar do rumo que o PT tomou”, afirmou, citando a reforma da Previdência de 2003 como ponto de ruptura. Ele disse que mantém críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas fez um contraponto em relação à direita. “Você pode ter críticas ao Lula, nós do Psol também temos, mas o problema é que Bolsonaro é mil vezes pior.”
Ao avaliar a gestão estadual, da governadora Fátima Bezerra (PT), Robério reconheceu avanços, mas apontou falhas. “O governo fez muita coisa positiva, mas também deixou muito a desejar. Por isso resolvemos lançar a candidatura”, disse.