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Tecnologia

RN apresenta parque tecnológico para receber computador de R$ 1,8 bi

Governo estadual sustenta que estrutura do PAX, oferta de energia renovável e parceria com universidades favorecem Macaíba na disputa pelo equipamento previsto no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial; definição cabe à União
Redação
04/08/2026 | 07:34

A governadora Fátima Bezerra (PT) e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, visitaram nesta segunda-feira, 3, o Parque Estadual Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), em Macaíba, na Região Metropolitana de Natal. A agenda foi usada pelo governo potiguar para reforçar a candidatura do Rio Grande do Norte a receber o supercomputador de alto desempenho previsto no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).

O equipamento tem investimento estimado em R$ 1,8 bilhão até 2027 e integra o projeto federal de ampliação da infraestrutura nacional de processamento de dados para inteligência artificial. A instalação no Rio Grande do Norte, porém, ainda não foi confirmada pelo governo federal. O PAX concorre para sediar a estrutura, considerada pelo Estado uma oportunidade de atrair empresas, pesquisadores e investimentos ligados à economia digital. O valor está previsto no Novo PAC e no PBIA.

PAX UfRio Grande do Norte
Supercomputador de R$ 1,8 bilhão atrairá investimentos para o RN - Foto: WILIANE SILVA / UFRN

Instalado na Fazenda Jundiaí, o parque ocupa uma área de 50 hectares e dispõe de aproximadamente 15 mil metros quadrados de edificações. Atualmente, abriga 22 empresas e instituições. Ao lado do Instituto Santos Dumont e do Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra, forma um polo voltado à pesquisa, à formação científica, ao empreendedorismo e à transferência de tecnologia.

Fátima afirmou que a candidatura potiguar se apoia na disponibilidade de energia renovável, na estrutura física existente e na articulação entre o Estado, universidades e centros de pesquisa. “Receber esse equipamento significará atrair investimentos, impulsionar a pesquisa científica, fortalecer a formação de talentos e consolidar o Rio Grande do Norte como um dos principais polos de desenvolvimento tecnológico do Brasil”, declarou.

A energia necessária para operar e resfriar um supercomputador está entre os fatores avaliados na definição do local. O Rio Grande do Norte, produtor de energia eólica e solar, apresenta essa característica como vantagem competitiva. A proximidade do PAX com instituições científicas e com o Núcleo de Processamento de Alto Desempenho da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) também integra a proposta. A universidade participa dos estudos para instalar o equipamento em Macaíba.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Lahyre Rosado, afirmou que análises técnicas do Ministério apontaram Natal como alternativa adequada para o projeto. A informação, contudo, foi apresentada pelo secretário e não representa o anúncio definitivo da localização. “Temos energia mais barata e abundante, um ecossistema de inovação consolidado e uma estrutura física praticamente pronta para receber o equipamento”, disse.

Rosado avaliou que a visita da ministra fortalece o pleito estadual e pode abrir caminho para novos empreendimentos ligados à tecnologia. Além da aquisição do computador, a implantação exigirá redes de transmissão de dados, fornecimento contínuo de energia, sistemas de refrigeração, segurança e pessoal especializado para a operação e a manutenção.

Luciana Santos concentrou sua avaliação na integração entre o poder público, as universidades, os institutos de pesquisa e a iniciativa privada. Segundo a ministra, o parque reúne projetos relacionados à indústria 4.0, energia, tecnologias sustentáveis, minerais críticos, educação e inteligência artificial. “Além da competência e da infraestrutura, a integração é a chave do Parque Estadual do Rio Grande do Norte”, afirmou.

A presidente do Conselho de Administração do PAX, Ângela Paiva, apresentou o histórico e o projeto de expansão da unidade. Ela apontou saúde, energias renováveis e indústria 4.0 como áreas prioritárias e disse que o parque oferece instalações e apoio para empresas de diferentes portes e startups buscarem financiamento, desenvolverem produtos e ampliarem seus negócios.

O reitor da UFRN, José Daniel Diniz Melo, participou da visita ao lado da reitora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), Cicilia Maia, e do reitor da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), Rodrigo Codes. “Esse parque tem importância inestimável porque tem a participação de instituições que são comprometidas em transformar inovação em entregas para a população”, disse Daniel Diniz.

O PAX começou a ser estruturado em 2019, com a assinatura de um protocolo de intenções, e avançou a partir de 2022, quando o Estado aprovou seu marco legal de ciência, tecnologia e inovação. O modelo segue o conceito da “tríplice hélice”, baseado na articulação entre governo, academia e setor produtivo. O parque foi inaugurado em dezembro daquele ano, após obras de adaptação e acordos entre o governo estadual e a UFRN, proprietária da área.

A instalação do supercomputador é tratada pelo governo estadual como a próxima etapa de expansão do complexo, mas dependerá da avaliação técnica e orçamentária da União. Além da infraestrutura disponível, deverão ser considerados custos de operação, acesso a redes de alta velocidade, segurança dos dados e capacidade de atendimento a pesquisadores de diferentes regiões do País.