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Saúde

RN lidera aumento de casos de HIV

Estado registrou alta de 56,3% nas notificações entre 2020 e 2024, conforme levantamento
Por O Correio de Hoje
20/07/2026 | 17:26

O Rio Grande do Norte registrou o maior crescimento proporcional de casos de infecção pelo HIV entre todas as unidades da Federação no período pós-pandemia. Entre 2020 e 2024, o número de notificações aumentou 56,3% no Estado, enquanto o crescimento nacional foi de 19%. Os dados constam no Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde.

O levantamento também coloca Natal entre as capitais brasileiras com as maiores taxas de detecção da infecção pelo HIV. Em 2024, a capital potiguar registrou taxa de 46,9 casos por 100 mil habitantes, ocupando a quarta posição no país, atrás apenas de Florianópolis (49,4), Manaus (49,2) e Boa Vista (47,6). Na sequência aparecem Belém (44,8), Porto Alegre (42,5), São Luís (42,3), Recife (41,1), Rio de Janeiro (40,6) e Palmas (40,2).

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Estado do Rio Grande do Norte registrou aumento de 56,3% nos casos de infecção pelo HIV entre 2020 e 2024 - Foto: Agência Brasil

O boletim aponta ainda que, entre 1980 e setembro de 2025, o Rio Grande do Norte acumulou 18.664 pessoas vivendo com HIV ou aids. Desse total, 6.294 registros ocorreram entre 1980 e 2013. Nos anos seguintes foram contabilizados 836 casos em 2014; 826 em 2015; 947 em 2016; 1.075 em 2017; 1.206 em 2018; 1.105 em 2019; 873 em 2020; 1.045 em 2021; 1.151 em 2022; 1.203 em 2023; 1.229 em 2024 e 874 registros até setembro de 2025.

Brasil

No Brasil, entre 1980 e setembro de 2025, foram registradas 1.679.622 pessoas vivendo com HIV ou aids. A maior concentração permanece na Região Sudeste, com 47,3% dos casos, seguida pelas regiões Sul (19%), Nordeste (18,5%), Norte (8,3%) e Centro-Oeste (6,8%). São Paulo concentra o maior número absoluto de pessoas vivendo com HIV ou aids, com 433.347 registros, seguido pelo Rio de Janeiro, com 215.354.

Nos últimos dez anos, o total de pessoas vivendo com HIV ou aids no país aumentou 6,9%, passando de 63.990 em 2014 para 68.419 em 2024. Segundo o Ministério da Saúde, o crescimento reflete tanto a continuidade das novas infecções quanto o aumento da sobrevida proporcionado pelo tratamento antirretroviral.

Entre 1991 e setembro de 2025, foram notificados ou registrados 683.930 casos de infecção pelo HIV no Brasil. A Região Sudeste concentrou 44,8% dos registros, seguida pelo Nordeste e Sul, ambos com 19,4%, Norte (9%) e Centro-Oeste (7,2%).

Somente em 2024 foram notificados 39.216 novos casos de infecção pelo HIV. O Sudeste respondeu por 15.041 registros (38,4%), seguido pelo Nordeste, com 9.838 (25,1%), Sul (6.092), Norte (4.730) e Centro-Oeste (3.449).

A taxa nacional de detecção foi de 18,4 casos por 100 mil habitantes. Regionalmente, a maior taxa foi observada no Norte (25,3), seguido pelo Centro-Oeste (20,2) e Sul (19,6).

Comparando 2020, período marcado pelos impactos da pandemia da Covid-19 sobre os serviços de saúde, com 2024, o número de casos de infecção pelo HIV aumentou 19% no País. O crescimento foi mais intenso nas regiões Nordeste (32,2%) e Norte (26,4%), indicando retomada da detecção após a redução de atendimentos durante a pandemia.

Entre os estados, o Rio Grande do Norte apresentou o maior aumento proporcional, de 56,3%, enquanto o Rio Grande do Sul foi o único a registrar redução no período, de 0,8%.

Homens concentram quase dois terços dos casos

Na série histórica, foram registrados 450.922 casos de infecção pelo HIV entre homens e 232.473 entre mulheres. Os homens representam 65,9% das notificações. A razão entre os sexos também aumentou ao longo dos anos. Em 1991, havia 22 homens para cada dez mulheres infectadas. Em 2024, a proporção passou para 28 homens para cada dez mulheres.

Entre pessoas vivendo com HIV ou aids, essa tendência também é observada. Em 2003, eram 13 homens para cada dez mulheres. Em 2024, a razão chegou igualmente a 28 homens para cada dez mulheres.

Entre 1991 e setembro de 2025, o Brasil registrou 175.803 casos de infecção pelo HIV entre jovens de 15 a 24 anos, o equivalente a 25,7% do total nacional. Desses casos, 66% ocorreram em homens.

Em 2024, homens de 20 a 29 anos responderam por 44,7% das novas infecções masculinas. Já adolescentes de 15 a 19 anos representaram 5,2% dos novos casos entre homens. Entre as mulheres, 81,4% das novas infecções ocorreram na faixa reprodutiva, entre 15 e 49 anos, reforçando a importância da testagem durante a gestação e do início oportuno da terapia antirretroviral para prevenir a transmissão vertical.

O boletim também mostra o envelhecimento da epidemia. Entre as mulheres, a participação daquelas com 50 anos ou mais passou de 10,9% em 2014 para 17% em 2024. Entre os homens, o percentual subiu de 7,6% para 9%.

População negra passa a concentrar maioria dos casos

Os dados mostram uma mudança no perfil racial da epidemia. Até 2014, a maioria das notificações ocorria entre pessoas brancas, que representavam 49% dos casos. Em 2024, pessoas negras — pretas e pardas — passaram a concentrar 59,7% das notificações, sendo 11,6% entre pessoas pretas e 48,1% entre pardas. Pessoas brancas representaram 36,8% dos registros.

Entre os homens, 58,8% dos casos ocorreram na população negra. Entre as mulheres, essa participação chegou a 62,5%.

Crianças expostas

O boletim também analisou os casos de crianças expostas ao HIV. Entre 2015 e setembro de 2025 foram notificadas 78.759 crianças expostas ao vírus no Brasil. Em 2024 foram registrados 6.819 casos.

O Rio Grande do Norte aparece entre os estados com maior diferença entre o número de crianças expostas notificadas e o de gestantes, parturientes ou puérperas com HIV. No RN foram registradas 146 crianças expostas para 120 gestantes notificadas, resultando em uma razão de 121,7%, atrás apenas de Tocantins (134,1%) e Amapá (133,9%).

Segundo o Ministério da Saúde, essas diferenças podem indicar inconsistências na vigilância epidemiológica, relacionadas à subnotificação, atrasos nos registros ou falhas na vinculação entre mãe e filho. No País, 97,6% das crianças expostas tinham menos de um ano de idade e 92,2% foram notificadas com menos de sete dias de vida.

Casos de aids e mortalidade

Entre 1980 e setembro de 2025, o Brasil registrou 1.165.533 casos de aids, com média anual de aproximadamente 35 mil novos casos nos últimos cinco anos completos. Do total, 67,3% ocorreram entre homens.

Após a queda observada em 2020, atribuída aos impactos da pandemia sobre os diagnósticos, os registros voltaram a crescer a partir de 2021. Entre 2021 e 2023 houve aumento de 7%, seguido de redução de 1,5% entre 2023 e 2024.

O boletim aponta ainda que, entre 2000 e setembro de 2025, 31,4% dos casos de aids não estavam registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), sendo identificados apenas por meio de outros sistemas de informação, o que evidencia subnotificação.

A taxa padronizada de mortalidade por aids no Brasil caiu 37% entre 2014 e 2024, passando de 5,4 para 3,4 óbitos por 100 mil habitantes. Apenas entre 2023 e 2024, a redução foi de 12,8%. Entretanto, quatro estados registraram aumento da mortalidade no período analisado: Rio Grande do Norte (37,5%), Acre (34,8%), Piauí (2,9%) e Rondônia (2,3%).

Segundo o Ministério da Saúde, a manutenção da vigilância epidemiológica, o diagnóstico precoce, a ampliação da testagem, o acesso ao tratamento antirretroviral e o correto preenchimento das notificações são medidas consideradas essenciais para o monitoramento da epidemia e para a prevenção da transmissão do HIV.

Prevenção e tratamento

A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é o uso diário de antirretrovirais para prevenir a infecção pelo HIV antes da exposição. Já a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) é uma emergência médica adotada após a exposição ao vírus para evitar a infecção e deve ser iniciada em até 72 horas. Ambas são oferecidas gratuitamente pelo SUS.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o principal medicamento utilizado no tratamento do HIV no Brasil, o antirretroviral dolutegravir, distribuído gratuitamente pelo SUS. Atualmente, mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV utilizam o medicamento no País.

O dolutegravir foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa especializada em prevenção e tratamento do HIV pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, a companhia firmou um acordo com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), da Fiocruz, para nacionalizar progressivamente a produção do medicamento e garantir seu fornecimento ao SUS.

Três lotes do dolutegravir já foram produzidos e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos assim que houver a liberação da Anvisa. Paralelamente, a Fiocruz trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo, etapa necessária para consolidar todo o processo produtivo no País.