O ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União) afirmou que pretende “governar junto com a Uern” caso seja eleito. A declaração foi dada nesta segunda-feira 11, em entrevista à rádio Difusora de Mossoró, ao comentar a polêmica aberta após o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL), seu adversário para o governo, não descarta alternativas como privatização ou federalização da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern).
“Eu quero governar junto com a Uern”, afirmou Allyson, ao defender a universidade estadual como patrimônio público e instrumento de transformação social. O pré-candidato disse que a instituição deve seguir pública, gratuita e vinculada ao Estado, rejeitando qualquer hipótese de venda, privatização ou mudança que reduza o compromisso do poder público estadual com a universidade.

A fala ocorre depois de Álvaro Dias, também pré-candidato ao Governo, ter afirmado em Mossoró, na última sexta-feira 8, que temas como “federalização” e “privatização” precisariam ser “melhor estudados” em uma eventual gestão. Ao tratar do assunto, Álvaro citou a Uern e a Caern como exemplos de estruturas que estariam sendo avaliadas por sua equipe técnica. A declaração provocou reação de dirigentes da universidade, adversários e lideranças políticas, especialmente em Mossoró, cidade onde fica o campus central da instituição.
Na entrevista, Allyson adotou tom duro. Disse que a Uern é “inegociável” e que, dentro de seu grupo político, não haverá espaço para discussão sobre privatização da universidade.
“Para mim, a Uern é inegociável, para que ela continue sendo pública e gratuita para o cidadão”, declarou, citando que o gasto com a universidade é oriundo de impostos pagos pelo cidadão. Em seguida, reforçou: “Ninguém venha, dentro do nosso grupo político, da nossa base política, aqueles que estão disputando mandato de deputado estadual, federal, seja quem for, ninguém venha falar para Allyson sobre venda da Uern ou privatização da Uern, porque é um não. É um não taxativo, é um não claro”.
Allyson afirmou que não pretende sequer abrir debate sobre o tema em seu plano de governo. “Não vai ser discutido, não vai ser apresentado um projeto disso, ou daquilo, ou outra alternativa, que não seja a Uern onde ela está, fazendo o trabalho que ela está, recebendo os investimentos que ela está recebendo, e que ela continue ofertando serviços ao cidadão”, disse.
O ex-prefeito também associou a defesa da universidade à valorização da educação pública. Segundo ele, propostas de privatização ou federalização revelam desconhecimento sobre a importância da Uern para o interior do Estado e para a formação profissional de milhares de potiguares.
“Isso é um preconceito claro de quem não conhece a importância da educação, porque nunca precisou da educação pública. Quem nunca precisou da educação pública não compreende”, afirmou.
Em outro trecho, afirmou: “Isso é um preconceito de pessoas que querem enviar seus filhos para Londres, mandam seus filhos para os Estados Unidos, mandam seus filhos para a Europa, mas não querem que o filho do pobre vá. Eu sou um mossoroense legítimo, de nascença, de criação, de morar, e sou um apaixonado pela Uern”, enfatizou.
Allyson citou dados sobre a presença da universidade na formação de professores e profissionais do Rio Grande do Norte. Segundo ele, mais de 80% dos profissionais da educação que atuam nas escolas estaduais e municipais do Estado foram formados pela Uern. O pré-candidato disse ainda que há municípios onde esse percentual ultrapassa 90% e, em alguns casos, chega a 100%.
“A Uern já formou, e esse dado eu recebi diretamente da nossa reitora Cicília Maia, mais de 60 mil profissionais”, afirmou. “É querer apagar no mapa do Rio Grande do Norte mais de 60 mil pessoas que se formaram como advogado, como médico, como enfermeiro, como professor, e uma série de outros profissionais que a Uern está formando”.
Ao comparar o Rio Grande do Norte com outros estados, Allyson afirmou que a existência de universidades estaduais não deve ser tratada como gasto excessivo. Ele citou Ceará, Bahia, São Paulo e Paraná como exemplos de unidades da federação que mantêm mais de uma universidade estadual. Para ele, o fortalecimento da educação superior pública está ligado ao desenvolvimento regional.
“O Estado do Ceará, que é tido como referência na educação, possui três universidades estaduais. A Bahia possui quatro universidades estaduais. A gente tem, em São Paulo, pelo menos três universidades estaduais. O Estado do Paraná possui sete universidades estaduais”, disse.
Allyson também lembrou que, quando foi prefeito de Mossoró, teve parcerias com a Uern e contou com quadros da universidade na administração municipal. Ele citou o programa Jovem do Futuro e iniciativas de intercâmbio internacional como exemplos de ações construídas com participação da instituição.
“Eu fui prefeito, nós criamos com a Uern o programa Jovem do Futuro. Eu tinha um secretário da Uern, que era o servidor Erison Natécio, estando no meu secretariado, junto com outros tantos secretários que nós já tivemos no nosso secretariado, servidores e professores da Uern”, afirmou.
O pré-candidato disse que a universidade tem presença relevante também fora de Mossoró, incluindo Natal. Ele mencionou o campus da Zona Norte da capital potiguar como exemplo de atuação da Uern em áreas historicamente negligenciadas pelo poder público.
Para Allyson, a defesa da universidade deve ser assumida por lideranças políticas de todo o Estado. Ele elogiou manifestações públicas de vereadores, prefeitos e aliados em favor da instituição e afirmou que a polêmica exige posicionamento claro.
“A gente não pode se calar”, disse. “Vamos nos posicionar a favor da Uern, contra aqueles que estão querendo vender, aqueles que já negociaram, aqueles que talvez estão sendo financiados por interesses de venda do patrimônio de educação do Estado”, emendou o ex-prefeito.
Ao encerrar a abordagem sobre o tema, Allyson afirmou que as declarações sobre a Uern aumentaram sua disposição para disputar o Governo do Estado. “Depois dessas falas absurdas que eu ouvi no final de semana, espere de mim mais coragem, mais determinação, para rodar mais o Rio Grande do Norte, para vencer as eleições e governar ao lado da Uern”, declarou.
Outro lado
Diante da repercussão negativa, Álvaro Dias divulgou um vídeo nas redes sociais no qual negou ter defendido a federalização da universidade e acusou adversários de distorcer suas declarações. “Em nenhum momento eu falei em federalização da Uern. Isso é mentira, isso é fake news, isso é distorcer a verdade e a realidade do que falamos”, afirmou.
No vídeo, o ex-prefeito classificou o ambiente da pré-campanha como “sórdido” e “sujo”. “Eu nunca vi, em nenhum momento da minha vida, nas várias campanhas ou pré-campanhas de que participei, algo tão sórdido, tão sujo, tão difícil como essa pré-campanha”, declarou.
Álvaro aproveitou a manifestação para convidar os adversários a discutir propostas para o Estado. “Vamos debater o Rio Grande do Norte, vamos apresentar propostas, vamos propor soluções para mudar o quadro dramático que o nosso estado enfrenta. Parem com fake news, com mentiras”, disse.