A Prefeitura do Natal realiza nesta terça-feira 10 a terceira audiência pública sobre o projeto em Ponta Negra, que prevê urbanização e paisagismo da orla da praia — um dos principais cartões-postais da capital potiguar. O encontro ocorre às 9h, na Associação dos Moradores dos Parques Residenciais Ponta Negra e Alagamar (Ampa), em Ponta Negra, como parte do processo de consulta pública para elaboração do projeto.
Segundo o secretário municipal de Concessões, Parcerias, Empreendedorismo e Inovação, Arthur Dutra, o prefeito Paulinho Freire (União) instituiu um grupo de trabalho para conduzir o processo. “O grupo de trabalho é coordenado pela Secretaria, a Sepae, com cerca de 10 secretarias participando também, para conduzir o processo de elaboração do projeto de urbanismo e paisagismo de Ponta Negra”, disse, em entrevista à TV Tropical.

O secretário afirmou que a iniciativa ocorre após a obra de engorda da praia. “Ponta Negra teve um momento de transformação importantíssimo com a engorda, que resolve aquela questão da erosão costeira, a proteção da nossa orla e do Morro do Careca. Então, agora, dá um passo seguinte para poder reurbanizar e fazer paisagismo para essa orla”.
De acordo com Arthur Dutra, o projeto será definido por meio de concurso nacional de arquitetura. “Vai ser um concurso. Então, o IAB [Instituto de Arquitetos do Brasil] foi quem conduziu também com a Secretaria da Prefeitura essas oficinas e nos acompanha também nas audiências”. Ele acrescentou que “vai desaguar numa licitação, que é um concurso, que vai chamar os arquitetos do Brasil inteiro para apresentarem propostas para a Ponta Negra”.
Além das duas primeiras audiências públicas, a prefeitura realizou oficinas e recebeu sugestões da população. “A gente conclui a partir de consultas públicas, agora com essa audiência pública. E aí a gente vai apresentar amanhã [terça-feira] as contribuições que foram apresentadas nas audiências públicas, nas oficinas, nas reuniões que fizemos com comunidades, nas sugestões que recebemos através do endereço eletrônico e que queremos receber por e-mail”.
Segundo o secretário, a prefeitura pretende lançar o edital do concurso ainda neste mês. “O concurso inteiro do lançamento do edital até o resultado final, segundo o cronograma do IAB, dura 90 dias. Aí teremos o vencedor do concurso e o vencedor será contratado pela Prefeitura para desenvolver o projeto executivo”.
Ele afirmou que a gestão municipal trabalha para concluir o processo ainda em 2026. “A gente trabalha para o final de 2026 para finalizar. Tem que começar a obra, a licitação, então a gente tem ainda um percurso a ser percorrido, mas a gente está dando a maior celeridade possível”.
Além dos encontros presenciais, o Grupo de Trabalho Nova Ponta Negra segue aberto à participação da sociedade civil durante todo o processo. Sugestões, propostas e manifestações podem ser enviadas para o e-mail gtorladepontanegra@gmail.com.
População
Moradores, lideranças comunitárias e representantes de entidades que participaram das primeiras audiências defenderam que o projeto da nova orla de Ponta Negra priorize mais arborização, acessibilidade universal, drenagem eficiente e espaços para cultura e atividades tradicionais. Também pediram que o plano considere a diversidade de usos da área, que reúne comércio, turismo, pesca, moradia e serviços.
O presidente da Associação dos Moradores dos Parques Residenciais Ponta Negra e Alagamar (Ampa), Kinji Tanaka, afirmou que a requalificação precisa contemplar moradores e trabalhadores locais, como pescadores, ambulantes e comerciantes, e não apenas os interesses turísticos.
Já Lia Araújo, presidente do Conselho Comunitário de Ponta Negra (Cria), criticou impactos da obra de engorda da praia e ressaltou que moradores, especialmente idosos, enfrentam dificuldades de acesso por falta de rampas e infraestrutura adequada.
Representando a comunidade da Vila de Ponta Negra, a marisqueira Rayane, integrante do conselho comunitário, cobrou a correção do sistema de drenagem e a criação de um comitê gestor com participação de pescadores, mulheres, jovens e moradores. A moradora e ativista Jéssica Portela também defendeu que o projeto considere a preservação ambiental da área, destacando a importância das árvores para proteger o solo e a paisagem natural.
Outras sugestões apresentadas por participantes da audiência incluíram reflorestamento da orla, criação de áreas de sombra e conforto térmico, integração do calçadão com a Via Costeira e espaços para artesanato e manifestações culturais, além da realização de reuniões específicas com diferentes grupos de trabalhadores da praia para discutir as necessidades de cada trecho da orla.