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Tensão global

“Precisamos nos preparar para o pior”, afirma Celso Amorim sobre crise no Oriente Médio

Assessor especial de Lula avalia risco de escalada após confronto entre EUA, Israel e Irã e prevê conversa com o presidente nos próximos dias
Redação
02/03/2026 | 14:34

O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, afirmou nesta segunda-feira 2, em entrevista à GloboNews, que o Brasil deve estar preparado para um agravamento do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, no Oriente Médio.

“Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável. Devemos nos preparar para o pior”, declarou o embaixador.

celso amorim
Celso Amorim avalia risco de ampliação do conflito no Oriente Médio e defende preparo do Brasil diante da escalada militar Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ao detalhar o que considera como cenário mais grave, Amorim citou a possibilidade de expansão das hostilidades na região. Segundo ele, o aumento acelerado das tensões pode ter efeito em cadeia, lembrando que o Irã historicamente fornece armamentos a grupos xiitas em outros países, além de apoiar grupos radicais.

Amorim informou ainda que deverá conversar por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda nesta segunda-feira, já que ambos não trataram profundamente do tema até o momento.

Impacto na agenda internacional

De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, o governo brasileiro avalia os possíveis reflexos da crise na agenda internacional do presidente, especialmente no encontro previsto com o presidente dos EUA, Donald Trump.

Há previsão de viagem de Lula a Washington entre os dias 15 e 17 de março, embora a confirmação oficial ainda não tenha sido formalizada. Na última sexta-feira 27, Trump declarou que “adoraria” receber o presidente brasileiro na capital norte-americana.

Amorim ressaltou a complexidade diplomática do momento. “Estamos a poucos dias do encontro do presidente com Trump, em Washington. É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência. Não perder a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade exige destreza”, afirmou.

O governo brasileiro já manifestou solidariedade a países atingidos por ataques retaliatórios do Irã e defendeu a interrupção das ações militares na região do Golfo.

Em nota divulgada no sábado 28, o Ministério das Relações Exteriores classificou a escalada como uma ameaça grave à paz internacional. Diferentemente de comunicado anterior, o texto mais recente não mencionou diretamente Israel e Estados Unidos.

Escalada militar

No sábado 28, Estados Unidos e Israel realizaram uma ofensiva aérea de grande porte contra alvos militares e estratégicos no Irã, sob a justificativa de neutralizar o programa nuclear iraniano e responder a ameaças atribuídas ao regime.

Em retaliação, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel e contra bases norte-americanas instaladas em diferentes países do Oriente Médio.

Os ataques atingiram a cúpula do governo iraniano e resultaram na morte do líder supremo, Ali Khamenei, confirmação feita pelo próprio governo do país horas depois. Também morreram o chefe do Estado-Maior e o ministro da Defesa.

A intensificação do confronto ampliou as tensões regionais, levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, provocou centenas de mortes no Irã e desencadeou novas ondas de ataques em diferentes países do Oriente Médio.