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Esperança
Potiguar é vacinado contra Covid-19 nos Estados Unidos: “Me sinto privilegiado”
Caicoense vive em Cleveland, cidade localizada no estado de Ohio que acumula 690 mil casos confirmados e 8,8 mil mortes causadas pela doença
Bruno Vital
04/01/2021 | 06:00

Natural de Caicó e morando nos Estados Unidos há três anos, o médico potiguar Emídio Germano entrou para o seleto grupo de brasileiros que já foram vacinados contra a Covid-19 no mundo. Ele recebeu o imunizante da fabricante Moderna, administrado em duas doses, com intervalo de um mês: a primeira foi aplicada na última semana de 2020 e a segunda está prevista para o fim de janeiro de 2021.

O médico de 28 anos relata emoção e torce para que toda a população também seja contemplada em breve. “Me sinto privilegiado por ter tido a oportunidade de me vacinar. Como profissional da saúde, estou diariamente exposto a pacientes infectados e o fato de estar vacinado me dá uma sensação maior de tranquilidade. Apesar disso, sei que muitas pessoas, inclusive profissionais da saúde, vivem numa situação semelhante e não tiveram a oportunidade ainda, torço para que todos a recebam em breve”, conta.

Germano vive em Cleveland, cidade localizada no estado de Ohio que acumula 690 mil casos confirmados e 8,8 mil mortes causadas pela doença, segundo dados do Worldometer que monitora o comportamento da pandemia no mundo inteiro. Os EUA autorizaram o uso da vacina da farmacêutica Moderna em caráter emergencial no dia 20 de dezembro. Este é o segundo imunizante liberado para distribuição no país — o da Pfizer/BioNTech já havia sido aprovado no início de dezembro do ano passado.

A campanha de vacinação americana prioriza profissionais da saúde, idosos e pessoas com comorbidades. O caicoense conta que preencheu um formulário detalhando seu perfil clínico antes de receber a dose e afirma não ter sentido nenhum tipo de reação adversa. Segundo o potiguar, apesar da vacina, a orientação é manter o distanciamento social e o uso de máscara.

“Preenchi um questionário médico bem extenso, perguntando todas as medicações que eu tomava, todas as doenças que eu tinha e depois da administração da vacina eu fiquei em observação por 15 minutos sob a vigilância de profissionais da saúde para ver se eu tinha algum tipo de reação. A minha experiência com a vacina foi bem semelhante a outras vacinas que já tomei, como a da influenza. Não tive nenhum sintoma”, relata.

Em relação a segurança, o profissional da saúde explica que a busca acelerada não compromete a eficácia dos imunizantes contra a Covid-19 e critica movimentos de grupos radicais que tentam colocar em dúvida a segurança das vacinas com a disseminação de informações falsas.

“Embora a vacina tenha sido descoberta de forma muito rápida, ela tem se mostrado bastante eficaz e segura em diversos artigos científicos respeitados. Os grupos das principais empresas, como a Pfizer, Moderna e Johnson&Johnson também são de bastante respeito. A rapidez se explica pela própria pressão que estamos tendo porque ela é a melhor arma para conter o avanço da pandemia e também pelo apoio financeiro de diversos países do mundo para financiar pesquisas e os testes. Infelizmente a vacina virou uma arma política, mas a orientação, não só minha, é de que se você tiver acesso à vacina: tome”, esclarece.

De longe, Germano acrescenta que segue acompanhando o desenrolar da pandemia no Brasil e no Rio Grande do Norte. Ele lamenta ainda que a pauta da vacinação tenha sido atrelada ao que ele chama de ideologias políticas. “Eu me preocupo com o fato da Covid ter se tornado um assunto tão atrelado a ideologias políticas, sobretudo no Brasil. A Covid é um inimigo comum que o mundo inteiro está batalhando contra. Eu fico decepcionado em ver figuras públicas difundindo ideologias equivocadas e sem fundamentos científicos sobre a doença, inclusive sobre a vacinação”, diz.

Atuação na pandemia

Potiguar é vacinado contra covid-19 nos estados unidos: “me sinto privilegiado”
Germano é medico residente em cirurgia geral – Foto: Arquivo pessoal/Cedida

Emídio Germano se formou em medicina em 2017 pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Ele embarcou para os EUA após a graduação e começou a residência em cirurgia geral em 2020, na Cleveland Clinic, após um período como médico pesquisador. Durante a pandemia, ele atendeu pacientes de traumas cirúrgicos que foram infectados pela Covid-19.

“É uma combinação bastante complexa, unir complicações cirúrgicas com as do vírus. Tem sido um desafio diário, mas é prazeroso usar as minhas habilidades para ajudar o próximo. Eu felizmente nunca fui infectado pela Covid-19, sempre tomo todas as precauções, mas o risco ainda existe”, detalha.

Para matar as saudades do RN e dos familiares e amigos que deixou na cidade do Seridó potiguar, Emídio mantém contato frequente com a terra natal e espera ansiosamente pelo fim da pandemia para voltar a Caicó. “Tenho um carinho muito grande pela minha terra natal e um desejo de continuar contribuindo com meus conterrâneos. Nosso estado tem sido bastante afetado com a pandemia, não só o sistema de saúde, mas a própria economia. Eu torço para que a vacina esteja disponível logo no Brasil e no RN”, declara.

O jovem médico vê semelhanças entre os Estados Unidos e o Brasil apenas na questão geográfica, já que ambos têm grandes populações e dimensões continentais. No entanto, ele destaca o antagonismo dos governos na forma de lidar com o coronavírus, embora o presidente americano Donald Trump tenha adotado uma postura negacionista no início da pandemia.

“Fico feliz que o poder público aqui nos Estados Unidos tem defendido a vacinação e vislumbro uma redução significativa do número de infectados à medida que uma parcela maior da população tiver sido contemplada. No momento, pouco mais de dois milhões de americanos foram vacinados e a previsão é de aumentar o aporte da vacina nas próximas semanas. Torço para que o Brasil siga o mesmo caminho”, completa.

Vacinação no RN

O Rio Grande do Norte vai estar pronto para a campanha de vacinação até o fim da primeira quinzena de janeiro, segundo garante a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap). De acordo com o Governo do Estado, a campanha de imunização vai começar já no dia 20 de janeiro, a depender das licenças da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ao todo, serão vacinados 730.381 potiguares.

De acordo com o planejamento divulgado pelo Governo em 18 de dezembro, as primeiras três fases do plano de vacinação no RN serão divididas entre grupos prioritários. A primeira vai contemplar 79.638 trabalhadores da Saúde, 133.621 pessoas de 75 anos ou mais e 2.447 indígenas.

Na segunda fase, serão vacinadas 328.236 pessoas de 60 a 74 anos. Já na terceira, devem ser imunizadas 186.439 pessoas com morbidades (diabetes, hipertensão arterial graves, doença pulmonar, cardiovascular e cerebrovascular, além de indivíduos transplantados de órgão sólido, anemia falciforme, câncer e obesidade grave).

Apesar da meta para vacinação não ter sido definida ainda pelo PNI, acredita-se que com base em campanhas anteriormente definidas esta seja de pelo menos 95% de cada um dos grupos prioritários.

Os demais grupos prioritários serão vacinados nas demais fases. Vale salientar que a estimativa populacional está sendo atualizada pelo Ministério da Saúde para avaliação de qual fase esses grupos estarão inseridos, de acordo com o cenário de disponibilidade de vacinas e estratégias de vacinação.

No mundo, ao menos 50 países já começaram a vacinação contra a Covid-19. Além dos EUA, Argentina, Chile, China, Portugal, Rússia e Arábia Saudita estão entre as nações que já deram início às campanhas. Para o Brasil, o Ministério da Saúde começa a distribuir as primeiras doses até 20 de janeiro, no melhor dos cenários. Na pior hipótese, vacinação começará em 10 de fevereiro.

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