A Polícia Federal informou nesta terça-feira 28 que devolveu as credenciais de trabalho de um agente do governo dos Estados Unidos que atua na sede da instituição, em Brasília. O acesso havia sido suspenso na semana passada com base no princípio da reciprocidade.
Segundo a PF, as credenciais foram restituídas na segunda-feira 27, permitindo que o funcionário volte a acessar a unidade e os sistemas utilizados na cooperação entre as polícias dos dois países.

A medida de suspensão havia sido adotada após o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos divulgar que o governo Donald Trump determinou a saída de um delegado brasileiro que atuava no caso da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ).
O princípio da reciprocidade prevê que um país adote tratamento equivalente ao recebido por outro nas relações internacionais. Com base nesse entendimento, autoridades brasileiras aplicaram restrições a funcionários norte-americanos em atuação no país.
Na semana passada, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou à GloboNews que dois funcionários dos Estados Unidos foram alvo de medidas. “Um teve temporariamente o acesso cortado à PF por mim. Outro teve o visto cancelado e determinado seu retorno aos Estados Unidos pelo MRE”, disse Rodrigues.
Sem as credenciais, o agente perdeu acesso à sede da PF em Brasília e às bases de dados utilizadas na cooperação bilateral.
Outro funcionário norte-americano, identificado como Michael Myers, também foi atingido pelas medidas. Ele deixou o Brasil na quarta-feira 23. Myers atuava junto à Polícia Federal desde 2024 em atividades de troca de informações, no âmbito de um acordo entre os dois países.
O caso tem origem em decisão dos Estados Unidos, no dia 20 de abril, de solicitar a saída de um delegado brasileiro envolvido na prisão de Alexandre Ramagem. Sem citar nomes, o governo americano afirmou que a autoridade teria tentado “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas”.
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil confirmou que o delegado citado é Marcelo Ivo de Carvalho, da Polícia Federal, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Ele havia sido designado para a missão em Miami em março de 2023, com duração prevista de dois anos, posteriormente prorrogada até agosto deste ano. O delegado já retornou ao Brasil.
Após a decisão americana, o Ministério das Relações Exteriores informou que o governo dos Estados Unidos não seguiu a “boa prática diplomática” ao determinar a saída do delegado. O Itamaraty comunicou à embaixada americana a aplicação do princípio da reciprocidade contra um funcionário dos EUA, o que resultou na saída de Myers do país.