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Saúde

Pesquisador descarta nova onda de Covid no RN, mas pede reforço na vacinação

Ricardo Valentim fala sobre aumento de casos no estado e comenta descoberta de novas variantes; pesquisador pede reforço da vacinação
Daniel Guimarães
29/11/2022 | 08:14

Desde meados de novembro, os casos da Covid-19 não param de subir no Rio Grande do Norte. Na última quinta-feira 24, houve um pico de 774 casos confirmados. O pesquisador Ricardo Valentim, diretor do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) da UFRN, descartou uma possível nova onda de Covid, mas reforçou a necessidade de vacinação.

Em entrevista ao AGORA RN nesta segunda-feira 28, Valentim afirmou que é possível que o aumento de casos pode ocorrer devido à introdução de novas variantes, BQ.1 e BN.1.5, descobertas recentemente em Natal e Parnamirim.

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Ricardo Valentim reforçou que aumento de casos confirmados é esperado - Foto: LAIS/UFRN

“Há no mundo todo uma leve subida de casos quando a gente compara com toda a história da Covid, principalmente quando se olha para o cenário do Rio Grande do Norte. Esse aumento de casos já era esperado, porque há a introdução dessas subvariantes e porque a população buscou fazer testes porque apresentam sintomas gripais”.

“A introdução dessas subvariantes irá ocorrer sempre. E quando essas variantes são detectadas no nosso estado, no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, como é o caso, é porque elas já estavam circulando há um determinado tempo”, continuou o pesquisador.

Questionado sobre a possibilidade de ocorrência de uma nova onda da Covid no RN, Valentim afirmou que é muito cedo para prever tal cenário. “Ainda é muito precoce para se falar em uma nova onda de Covid 19. Por quê? Porque temos que olhar para todo um histórico da pandemia. Esse número de casos que a gente está tendo hoje, por exemplo, nessas 24 horas, a gente precisa primeiro entender que houve feriados. Então você tem dados represados. Você tem uma série de informações que estão chegando agora”.

Ricardo Valentim lembrou que, apesar do aumento de casos ser crescente no momento, o pico da doença agora não é comparável aos anteriores. “A gente chegou a ter oito mil, seis mil casos num único dia. Então, comparado com o que a gente está tendo hoje, está muito longe daquilo que a gente viu.”

Segundo o diretor do LAIS, o que mais preocupa os órgãos de saúde é a baixa imunização da população mais afetada pela doença por conta da falta das doses de reforço. “Nós temos aproximadamente duzentos mil idosos que não tomaram a quarta dose. Outra população que precisa se vacinar: crianças de cinco a onze anos. Nós temos municípios no Rio Grande do Norte em que infelizmente só chegou a 5%, quando a gente deveria chegar a 95% desse público. Então isso é preocupante”, comentou o pesquisador.

Duas novas linhagens identificadas no Brasil

O Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) informou nesta segunda-feira 28 que pesquisadores confirmaram a presença das linhagens BQ 1.1.17 e BQ 1.18 da subvariante BQ.1 do coronavírus no Brasil. Não há informações de que as novas linhagens sejam mais transmissíveis ou gerem efeitos mais graves do que as predominantes atualmente.

Uso inadequado de máscara é perigoso

Sobre a efetividade do uso das máscaras, o pesquisador explicou que o uso de forma correta é uma importante ferramenta de proteção individual, mas caso haja manuseio inadequado, pode ser um grande vetor para o aumento da contaminação.

“As máscaras são um mecanismo importante de proteção individual. Mas o que a gente está vendo hoje na população? O uso inadequado. A pessoa pega uma máscara descartável e depois coloca no bolso e depois coloca no rosto. Então a máscara está servindo inclusive para contaminação”, disse ele.

Confira a entrevista de Ricardo Valentim:

AGORA RN – A alta de casos de Covid tem a ver com as novas variantes descobertas em Natal e Parnamirim?

Ricardo Valentim – Ainda é muito cedo para relacionar esse aumento de casos com essas subvariantes, mas é muito provável que sim. Agora é importante a gente destacar para população: a introdução dessas subvariantes, elas irão ocorrer sempre. E, quando, no caso, essas variantes são detectadas aqui no nosso estado, no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, é porque elas já estavam circulando há um determinado tempo. A gente não sabe, inclusive, quanto tempo essas variantes estavam circulando. Muito provavelmente há mais de 30 dias, porque você tem que ter um número expressivo de pessoas já infectadas com essas variantes para que o processo de rastreamento genômico seja capaz de detectar.

AGORA RN – O aumento é indicação de uma possível nova onda?

Ricardo Valentim – Ainda é muito precoce para se falar em uma nova onda de Covid.Quando a variante Ômicron chegou no Brasil, ela saiu aumentando os casos em todos os estados, inclusive no Rio Grande do Norte. A gente está muito longe disso ainda. Então não dá para falar nesse momento com os dados atuais que nós estamos aí para enfrentar uma nova onda de Covid. A população e a comunidade científica já relatam esse aumento de casos, mas quando a gente olha para os dados, esses números ainda são insignificantes. É precipitado se falar em nova onda de Covid porque a população brasileira está adequadamente imunizada. O que se precisa fazer nesse momento é trabalhar para fazer a introdução da vacina bivalente, que já protege aí com relação a essa variante Ômicron.

AGORA RN – Acredita que há subnotificação dos casos de Covid?

Ricardo Valentim – Sim. Há subnotificações para Covid. Mas é importante a gente dizer que a subnotificação não é só para Covid, mas sim para todas as doenças. Por que isso acontece? Porque as pessoas adoecem, muitas vezes são sintomas leves e a pessoa não procura o médico. Então falar de subnotificação no contexto que a gente tem hoje da pandemia não é o grande problema. Mas ela é importante e tem que ser observada. A gente tem que chamar a população para fazer os testes, quando eles estiverem sintomáticos.

AGORA RN – Como está a questão do uso de máscaras no RN?

Ricardo Valentim – Na última reunião do Comitê Científico do Estado, a recomendação que foi feita é o uso de máscaras, não obrigatório, para a população idosa e as pessoas imunossuprimidas. Em relação a efetividade das máscaras: as máscaras são um mecanismo importante de proteção individual. Porém, é importante a gente considerar que, por ser um mecanismo de proteção individual não farmacológico, é muito importante para as pessoas que estão sintomáticas e que vão à rua, para evitar a contaminação de outras pessoas. Digamos que eu estou sintomático. Estou indo ao médico. Vou pegar um ônibus? Então, eu preciso fazer o uso adequado dessa máscara. O que a gente está vendo hoje na população? O uso inadequado. A pessoa pega a máscara, uma máscara descartável e depois coloca no bolso, e depois coloca no rosto. Então a máscara está servindo inclusive para contaminação. Então é importante o uso adequado.

AGORA RN – E a imunização?

Ricardo Valentim – A medida mais efetiva que existe com relação à Covid chama-se imunização. A vacina só tem efetividade quando a população está massivamente vacinada. A recomendação que se faz hoje do Comitê Científico do RN é vacinar a população. Nós temos aproximadamente duzentos mil idosos que não tomaram a quarta dose. Outra população que precisa se vacinar: crianças de cinco a onze anos. Nós temos municípios no Rio Grande do Norte que infelizmente chegam a 5% quando a gente deveria chegar a 95% desse público. A gente chegou a ter oito mil, seis mil casos num único dia. Então, comparado com o que a gente está tendo hoje, está muito longe daquilo que a gente viu. Graças à imunização, o número enorme de pessoas infectadas no estado com a variante Ômicron, por exemplo, não repercutiu na rede assistencial. Precisamos ter ações mais efetivas, Estão tendo ações muito espalhadas. As vacinas precisam estar no lugar onde as pessoas passam oportunamente, como supermercados, shoppings, entre outros.

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