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Editorial
Pano para manga
Redação
14/05/2020 | 03:05

Objeto de um procedimento aberto no ano passado pela Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para apurar um suposto cartel em obras destinadas à Copa do Mundo de 2014, a construção da Arena das Dunas está sob a lupa das autoridades.

A investigação, iniciada ainda em 2017, mas que ganhou força com o acordo de leniência (espécie de delação premiada para empresas) celebrada com a construtora Andrade Gutierrez e executivos e ex-executivos da empreiteira, revelou quanto pode custar aos cofres públicos contratos desse tipo, feitos a partir de uma pressão política patrocinada por preeminentes figuras locais, com anuência do governo federal da época.

As empresas investigadas no âmbito do Cade são todas velhas conhecidas da Operação Lava Jato: Andrade Gutierrez, Carioca Engenharia, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Delta, Odebrecht, Via Engenharia e, claro, a OAS, cujo contrato é contestado pela auditoria da Controladoria Geral do Estado proposta inicialmente pelo deputado Sandro Pimentel e, ao que tudo indica, acabará em CPI na Assembleia.

Isso não significa, contudo, que a falta crônica de recursos vivida pelo Estado, ainda antes do agravante da pandemia do coronavírus, justifique os erros do passado, quando a interveniência política levou à demolição de um estádio recém-reformado (Machadão) para a construção de outro mais suntuoso para receber quatro jogos da Copa de 2014.

Embora muita gente de insuspeita credibilidade tenha corrido para defender a obra, alegando sua discutível utilidade como “arena multiuso”, a despeito do que acontecera antes com os elefantes brancos erguidos para a Copa de 2010 na África do Sul, a verdade é que o imbróglio criado em torno dessa PPP promete.

É possível deduzir isso a partir da leitura de outras defesas feitas pelos administradores do Arena da Dunas da PPP e que começarão a ser analisadas pelos deputados estaduais.

Sabe-se que de todos os projetos executados pelas empreiteiras brasileiras envolvidas em escândalos, poucos são tão especialmente marcantes quanto os estádios construídos para a Copa de 2014. Mas isso não basta para eximir o Estado, como ente, de responsabilidade.

A pressão local em favor de uma empresa em condições de contrair um empréstimo foi decisiva para que engrossássemos o vagão do trem da alegria dos que embarcaram na narrativa criada para a Copa no Brasil.

Como se não bastasse termos sido humilhados pela Alemanha naquele fatídico 7 a 1.

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