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Impacto
Pandemia na educação: aprendizagem em ponto morto
Na rede municipal de ensino de Natal, apenas alunos do 9º ano do fundamental tiveram teleaulas com suspensão das atividades presenciais. Previsão é que a educação demore três anos para se recuperar
Nathallya Macedo
23/11/2020 | 05:59

Passados 8 meses desde que a pandemia da Covid-19 se tornou uma realidade no país, os alunos da rede municipal de ensino seguem sem aulas em Natal – tanto presenciais quanto virtuais. Segundo a Secretaria de Educação da capital potiguar, apenas os alunos do 9º ano (antiga 8ª série) tiveram teleaulas – transmitidas por canal de TV aberta – ao longo deste ano, após a suspensão das atividades presenciais em ação preventiva de segurança sanitária.

Ao Agora RN, a pasta afirmou que levará de 2 a 3 anos para que a aprendizagem seja retomada de forma considerada normal. “Não se recupera aprendizagem de uma hora para outra, é necessário um planejamento das atividades de forma gradual. Trabalharemos para que, mesmo com as dificuldades, a rede municipal de ensino se fortaleça apresentando índices de aprendizagens mais proficientes em todos os níveis de escolaridade”, complementou a secretária adjunta de Gestão Pedagógica, Ednice Peixoto dos Santos.

Segundo ela, as teleaulas foram estabelecidas só para o 9º ano por considerar que estes alunos possuem maior autonomia para realizar as atividades com a mediação do professor à distância. Dessa forma, o ano letivo de 2020 possivelmente formará o primeiro ciclo do ano civil de 2021, quando serão cumpridos dois ciclos de forma híbrida: o primeiro correspondente ao ano letivo de 2020, e o segundo, ao ano letivo de 2021.

“Sabemos que muitos alunos não tem condições de acesso aos meios digitais, por isso que não estabelecemos aulas remotas, porque não atingiríamos a maioria e a educação municipal tem como princípio a equidade”, justificou Ednice.

Ainda não há data definida para o retorno presencial das atividades. “O planejamento prevê uma volta gradual a depender da taxa de transmissibilidade do coronavírus, retornando inicialmente os estudantes dos anos finais e educação de jovens e adultos, depois os alunos dos anos iniciais e, por último, os estudantes da educação infantil. Estamos discutindo, em conjunto com gestores e coordenadores, planejamentos de ações pedagógicas, tanto na área de formação como na de execução de procedimentos metodológicos, para que os estudantes e todos os profissionais sejam acolhidos, e que se estabeleça uma rotina pedagógica que favoreça a aprendizagem”, pontuou.

O prefeito Álvaro Dias (PSDB) decidiu suspender o calendário da rede pública municipal de ensino em setembro. Com a medida, as aulas presenciais nas 146 unidades de ensino de Natal (72 escolas de ensino fundamental e 74 centros de educação infantil) só serão retomadas em 2021.

Prejuízos

Para Rute Régis, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenadora estadual da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae), a pandemia só confirmou a enorme desigualdade educacional no Brasil.

“Isso é reflexo direto da desigualdade social. Quando as redes públicas propuseram estratégias de ensino remoto, a partir de instrumentos digitais, ficou comprovada a dificuldade de acesso à essas tecnologias. O Município está trabalhando com teleaulas, mas muitos não possuem TV em casa, por exemplo”, afirmou.

“De fato, esse período de suspensão das aulas vai ocasionar um grande prejuízo, já que é imprescindível o contato entre os professores e os alunos dentro da sala – o que não está acontecendo. Cada pessoa é uma pessoa, então a retomada vai ser complicada justamente por conta das diferenças dos processos de aprendizagem. É uma situação que precisa ser acompanhada ao longo do tempo, para obter respostas mais certeiras”, continuou Rute.

Ela acredita que é essencial a elaboração de um plano de trabalho para o monitoramento e avaliação das etapas educativas em cada escola.

Redes privada e estadual 

Para a rede privada, o “novo normal” do ensino presencial foi iniciado no dia 14 de setembro com a reabertura de escolas particulares. O sindicato que representa as instituições preparou um protocolo próprio de segurança sanitária e apresentou ao comitê científico estadual no fim de agosto. Antes disso, pais e professores realizaram um protesto para pedir o retorno. Em seguida, a retomada das aulas presenciais nas escolas particulares foi aprovada pelo comitê científico municipal sob argumentos de indicadores positivos avaliados através de estudos técnicos, a exemplo das quedas dos índices de transmissibilidade da doença e da taxa de ocupação de leitos públicos. O decreto autorizando a retomada foi publicado no dia 10 de setembro no Diário Oficial do Município (DOM), após decisão favorável do prefeito Álvaro Dias (PSDB).   

Já para a rede estadual, há uma data definida de retorno: 1º de fevereiro de 2021. A Secretaria Estadual de Educação e Cultura (Seec) definiu que todas as unidades escolares devem desenvolver atividades não presenciais para atingir 75% da carga horária mínima do ano letivo de 2020 — 800 horas correspondentes — até o dia 18 de dezembro. De acordo com a pasta, o restante do ano letivo de 2020 será cumprido no período de 1º de fevereiro a 12 de março de 2021, com a efetivação do ensino híbrido, associando atividades presenciais e não presenciais.   

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