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2022
Oposição recorre a pesquisa para escolher candidato contra Fátima Bezerra
Presidente do Cidadania afirma que estudo teria melhor serventia se fosse para descobrir quem é contra a gestora
Adenilson Costa
10/03/2022 | 08:40

Faz tempo que a oposição à Fátima Bezerra (PT) tenta construir uma chapa majoritária capaz de bater de frente com o projeto de reeleição da petista. Sabe-se que os esforços não surtiram efeitos e os nomes cotados têm patinado nas pesquisas de intenções de votos. A última aposta foi o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado estadual Ezequiel Ferreira (PSDB). Contudo, até o momento, não há declaração pública do tucano sobre o tema. E os petistas argumentam que Ezequiel apoia e participa da gestão atual.

Supõe-se também, nos bastidores da política potiguar, que a oposição aguarda o resultado de uma pesquisa qualitativa encomendada com 18 grupos focais, para definir o nome que deverá enfrentar a gestora nas eleições de outubro. Em entrevista exclusiva ao AGORA RN, nesta quarta-feira 9, o presidente estadual do Cidadania, Wober Júnior, afirmou ter ouvido sobre a nova estratégia da oposição. “Soube que teriam contratado uma pesquisa. Aliás, nessa conjuntura é comum aparecer esse tipo de notícia. Quase sempre não é verdade”, declarou.

Para ele, a pesquisa teria melhor serventia caso fosse encomendada para descobrir quem é a oposição à Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte e não se limitar a escolher apenas o nome de um possível candidato. “Porque a gente tem que identificar quem é oposição no Estado e quem não é. Essa pesquisa teria melhor serventia”, destacou.

E questionou: “Outra coisa comum que acontece nessa época é ouvir: ‘eu vi uma pesquisa que disse isso e aquilo’. Mas, cadê a pesquisa? Mostre aí? Quando vem com esse negócio de pesquisa eu fico sempre assim e digo logo: ‘pesquisa eu só acredito quando eu vejo e leio, fora disso, eu não acredito em pesquisa alguma”.

Para Wober, no cenário atual, é difícil identificar quem são os oposicionistas. “Não sei quem é a oposição. Não sou oposição e não me reúno com esse povo. Analisando de fora, o presidente da Assembleia, que é muito meu amigo, é o único deputado que tem indicação no governo, são dois secretários. Como é que ficam dizendo que ele é oposição? É oposição ou é governo?”.

E continuou: “Se eu tivesse conversado com Ezequiel, até poderia entenderia a posição dele, mas faz muito tempo que a gente não conversa, acho que já está na hora, até porque o nosso partido fez uma federação nacional com o PSDB. É claro que a gente vai sentar e conversar, mas até agora não conversamos nada ainda”, afirmou.

Federação

Como o Cidadania e o PSDB estão federados em âmbito nacional, e isso refletirá no Estado, questionado sobre como o Cidadania se posicionará, caso o tucano embarque na majoritária da oposição, Wober destacou que é preciso dialogar.

“Temos que discutir qual é o projeto de governo? O que RN tem para melhorar? Como podemos melhorar as exportações? O que o Estado tem de política hídrica? O que vai ter no projeto de recuperação da grande massa de norteriograndenses que vivem com um salário abaixo da renda mínima? O que vamos fazer para contribuir e tirar esse pessoal da miséria? Como podemos explorar a nossa matriz energética? Sobre a educação e a saúde pública, o que vai fazer? Eu quero saber das ideias. Esses são os pontos que a gente deve discutir e não repetir ‘vai apoiar quem?’ e também saber qual é o significado da candidatura. Candidatura tem que ter significado, ideias. Se ela não tem, se for vazia, não tem sentido”, afirmou.

Fátima fez um governo responsável do ponto de vista fiscal”, avalia

“É um governo que teve capacidade, do ponto de vista fiscal, de equilibrar o Estado. Esse é um grande fato, porque a governadora pegou o RN com grandes dificuldades na área fiscal e soube organizar e colocar as folhas de pagamentos dos servidores em dia, isso é um passo grande. Fátima fez um governo responsável do ponto de vista fiscal”, avaliou Wober Júnior.

Para ele, em função do ordenamento tributário, os Estados brasileiros não têm capacidade de investimentos próprios porque a União fica com quase 70% do que se arrecada dos impostos que o brasileiro paga.

“Alguns recursos para o Estado vem do governo federal, mas de quem são esses recursos? São do governo federal? São do governo do Estado? Não. Esse dinheiro é do povo brasileiro, que paga impostos caros, principalmente o trabalhador e a classe média, que é quem sustenta esse negócio aí. Porque os banqueiros e grandes empresários sempre têm uma forma de contornar o pagamento de impostos, mas os assalariados e o trabalhador pagam direto na fonte. Então, as pessoas ficam com esse discurso ‘esse dinheiro é de Bolsonaro, é de Fátima’, mas não é não”, disse.

Wober também disse que, se os impostos RN ficassem no Estado, aí a situação seria diferente. “Claro que não pode ser assim, uma reforma tributária tem que pactuar vários aspectos e inclusive com o governo federal. Mas o que não pode acontecer é esse exagero todo dessa centralização absurda que existe no Brasil”, finalizou.

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