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OAB tem mais de mil processos contra conduta dos associados

26/07/2015 | 11:51

A advogada Thayana de Moura Macêdo está em casa, em prisão domiciliar, sem poder exercer a profissão. Ela foi presa dia 8 de julho passado acusada de integrar uma quadrilha especializada em fraudar gordas pensões do Instituto de Previdência dos Servidores Estaduais (Ipern).

A maioria da população não sabe, mas advogados que têm seus nomes estampados por participação em crimes e esquemas de corrupção que vão parar no noticiário respondem a processos internos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). No período de janeiro de 2013 a julho de 2015, pelo menos um deles já foi expulso pelo Conselho da Ordem no Rio Grande do Norte.

Oab tem mais de mil processos contra conduta dos associados

Na OAB/RN, neste momento, há 1.076 processos em tramitação contra advogados suspeitos de ferirem o estatuto da categoria. O Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem é proibido por lei de revelar a natureza que os levou a julgamento, mas o NOVO Jornal apurou que neste período foram julgados 393 processos relativos a acusações contra os profissionais do direito e aplicadas 73 suspensões.

A atual gestão que tem como presidente Sérgio Freire, de acordo com relatório do Tribunal de Ética, autuou 1.920 novas representações contra advogados; no contraponto, os acusados confeccionaram 398 defesas. Nesse espaço de tempo houve 271 audiências para que os advogados fossem ouvidos, e 2.627 processos acumulados foram finalizados e arquivados por causa de acordos, desistências, pareceres pela improcedência das acusações, incompetência e prescrição.

Thayana de Moura de Macêdo certamente é alvo de um processo na OAB/RN, pois admitiu participação no crime à Polícia Civil e confessou que o mentor da fraude é o delegado Olavo Dantas Medeiros, preso na Delegacia Especializada de Armas, Munições e Explosivos (Dame). Na Operação Prata da Morte, que desmontou a fraude, foram presas cinco pessoas no total.

A advogada está confinada em casa. O artigo 7º do Estatuto da Advocacia prevê que estes profissionais não podem ser recolhidos presos, antes da sentença transitado em julgado, senão em sala de Estado-Maior, com instalações e comodidades condignas. Na falta disso, tem a regalia de ficar confinada na própria residência.

Nos últimos anos, no Rio Grande do Norte e no Brasil, a vinculação de advogados a crimes de fraudes e corrupção tem sido frequente. Em Natal, vários nomes ganharam as páginas policiais por causa de atividades ilícitas, como o advogado Anderson Miguel, assassinado dia 1º de julho de 2011.

Ele era conhecido como o “homem-bomba” da Operação Hígia, deflagrada em 2008 para desvendar um esquema de desvios de verbas públicas em contratos na área de limpeza hospitalar e locação de mão-de-obra para a Secretaria Estadual de Saúde.

Anderson Miguel era delator do esquema e foi assassinado antes da sentença do juiz federal Mário Jambo, em 2013, que condenou 11 pessoas envolvidas na Operação Hígia, inclusive, Lauro Maia, filho da ex-governadora Wilma de Faria. Lauro Maia é formado em Direito.

Mais uma operação e mais um advogado no olho do furacão. O advogado George Anderson Olímpio da Silveira foi o alvo principal e delator da Operação Sinal Fechado, deflagrada pelo Ministério Público para apurar a suposta fraude à licitação de 2010 no Detran/RN, para concessão do serviço de inspeção veicular ambiental do Estado.

Foi constatado operação de desvio de dinheiro, fraude contratual e pagamento de propina que envolveram novamente Lauro Maia, filho da então governadora Wilma de Faria e o ex-governador Iberê Ferreira, já falecido.

A Justiça Federal também condenou oito pessoas que eram investigadas na Operação Pecado Capital. O processo apontou a formação de uma quadrilha e esquema de corrupção que agiu dentro do Instituto de Pesos e Medidas do RN (IPEM/RN), de 2007 a 2010. O principal acusado, o advogado Rychardson de Macedo Cabral, segundo a justiça, era operador do esquema de desvios de recursos públicos para fins eleitorais.

O dinheiro desviado no IPEM era divido por quatro, entre eles o ex-deputado Gilson Moura, bacharel em Direito, e, mais uma vez, um dos denunciados foi Lauro Maia. O outro evolvido era o advogado Fernando Caldas.

Novo Jornal