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Saúde

Implante de eletrodo na medula é eficaz em 80% dos casos em novo tratamento para dor crônica

Implante de eletrodo no gânglio da medula espinhal é opção para quem tem dores neuropáticas periféricas e não responde a medicamentos
Redação/R7
06/09/2020 | 19:38

O implante de eletrodo no gânglio da medula espinhal para tratamento de dores crônicas é eficaz em 80% dos casos de dores neuropáticas periféricas, aquelas provocadas por nervos danificados em acidentes ou cirurgias, segundo o neurocirurgião Guilherme Lepski, do HCor (Hospital do Coração), em São Paulo.

O tratamento foi aprovado este ano no Brasil, mas já era utilizado na Europa desde 2014 e nos Estados Unidos desde 2016.

Implante de eletrodo na medula é eficaz em 80% dos casos em novo tratamento para dor crônica - Agora RN
A dor neuropática pode ser causada por acidentes, fraturas e cirurgias - Foto: Freepik

“Uma fratura, um acidente de moto, ou algumas cirurgias podem acabar por danificar alguns nervos, causando dor crônica. Para os pacientes que não respondem bem ao tratamento medicamentoso, essa é uma boa opção”, afirma.

De acordo com o neurocirurgião 8% da população mundial possui dor neuropática. No Brasil, as estimativas são de 10%, segundo ele, e, entre elas, 30% não responde bem ao tratamento medicamentoso. “Se a gente considerar que são 210 milhões de pessoas no país, 21 milhões possuem dor neuropática, então cerca de 7 milhões de pessoas se beneficiariam desse tratamento”.

Risco baixo

Ele explica que o procedimento é considerado de risco baixo e é feito com a aplicação por meio de uma agulha em duas cirurgias. A primeira é a implantação do eletrodo. Durante uma semana, o paciente recebe as cargas elétricas por um gerador externo e, se o resultado for positivo, é realizado um segundo procedimento para a implantação da bateria do gerador.

“Quando há uma lesão no nervo, ela afeta todo o sistema neurológico. O eletrodo é implantado no gânglio da raiz da medula espinhal. Então, fazemos testes para verificar qual a raiz correspondente ao nervo ferido e implanta o eletrodo na raiz correspondente”.

As cargas elétricas que o eletrodo dispara corrigem o filtro, que perde sua função após a danificação de um nervo. “Quando um nervo é danificado, ele dispara cargas elétricas descontroladas. O gânglio da medula funciona como um filtro, para que essas cargas, que são interpretadas como dor, não passem”.

Três estudos brasileiros foram realizados para a aprovação do tratamento pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), segundo o médico. Os estudos foram realizados pela USP (Universidade de São Paulo) em parceria com universidade alemã Eberhard-karls.

O primeiro testou 34 pacientes com dores recorrentes da cirurgia de hérnia da parede abdominal. O segundo testou 64 pacientes com dores crônicas neuropáticas de origens diversas e o terceiro buscou compreender o mecanismo de funcionamento do tratamento.

O tratamento já está disponível no país, porém o médico explica que os profissionais precisarão ser treinados. “Agora já podemos usar, mas vamos treinar médicos do país inteiro para se familiarizarem com essa nova técnica”.

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