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Conflito

Novo líder supremo do Irã defende bloqueio do Estreito de Ormuz e eleva tensão no mercado global de petróleo

Conflito com EUA e Israel já provoca a maior interrupção de oferta da história, segundo a Agência Internacional de Energia, e pressiona produção no Golfo
Por O Correio de Hoje
13/03/2026 | 15:12

O novo líder supremo do Iran, Mojtaba Khamenei, prometeu vingança contra os United States e Israel em sua primeira mensagem oficial após assumir o cargo e defendeu a manutenção do bloqueio do Strait of Hormuz como instrumento de pressão na guerra no Oriente Médio.

A paralisação da passagem marítima — responsável por parte significativa do fluxo global de petróleo e gás — provocou “a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história”, segundo avaliação da International Energy Agency (AIE).

Mojtaba Khamanei
Mojtaba Khamanei, no líder supremo do Irã, promete elevar poder bélico do país no Estreito de Ormuz - Foto: Reprodução

“O trunfo do bloqueio do Estreito de Ormuz deve ser usado definitivamente”, declarou Khamenei em comunicado lido na televisão estatal. A mensagem não abordou especulações sobre seu estado de saúde. O líder não aparece em público desde o início do conflito e há relatos de que teria sido ferido.

Pouco depois da declaração, a Islamic Revolutionary Guard Corps anunciou que intensificará os ataques contra seus adversários e manterá a estratégia de fechamento da passagem marítima.

Khamenei foi nomeado no domingo para substituir seu pai, Ali Khamenei, morto no início da ofensiva militar conduzida por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro.

Segundo o United States Central Command, forças americanas atingiram quase 6 mil alvos iranianos desde o começo da guerra, incluindo 90 embarcações.

O bloqueio do Estreito de Ormuz levou países do Golfo a reduzir a produção em pelo menos 10 milhões de barris por dia, de acordo com relatório da AIE. A via marítima é considerada uma das rotas mais estratégicas do comércio mundial de hidrocarbonetos.

Em resposta à crise de oferta, os 32 países-membros da agência — entre eles os Estados Unidos — decidiram liberar um volume recorde de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas.

Mesmo com a medida, o petróleo segue negociado acima de US$ 100 por barril no mercado internacional.

Apesar da pressão sobre os preços, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que impedir que o Irã obtenha armas nucleares é prioridade maior do que controlar as cotações do petróleo.

“Para mim, como presidente, é de muito maior interesse e importância deter um império do mal”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

O conflito também tem ampliado os ataques a instalações energéticas e rotas marítimas no Oriente Médio. Explosões foram registradas no centro de Dubai, enquanto o Bahrain informou que depósitos de hidrocarbonetos foram atingidos por ataques iranianos.

Em Oman, instalações de armazenamento de combustível no porto de Port of Salalah pegaram fogo após serem atingidas por drones. A Saudi Arabia relatou outro ataque com drones ao campo petrolífero de Shaybah oil field, no leste do país.

Também houve um ataque a dois petroleiros na costa do Iraq, que deixou ao menos um morto e vários desaparecidos, segundo autoridades portuárias locais.

O alto comandante da Guarda Revolucionária, Ali Fadavi, afirmou que a estratégia do Irã é travar uma “guerra de desgaste” destinada a atingir a economia americana e global.

A população iraniana também enfrenta as consequências diretas do conflito. Em Tehran, moradores relatam clima de medo diante dos bombardeios.

“ Muitos estão apavorados. Tentam se tranquilizar mutuamente, mas a verdade é que pessoas comuns estão sendo alvejadas”, disse um residente à imprensa.

Segundo o United Nations High Commissioner for Refugees, cerca de 3,2 milhões de iranianos foram deslocados internamente desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

A escalada militar também se estende ao Lebanon, onde Israel intensificou bombardeios contra o movimento aliado de Teerã, Hezbollah. Autoridades libanesas contabilizam mais de 800 mil deslocados e quase 700 mortos no país desde 2 de março.

Ao mesmo tempo, o governo iraniano tenta manter algum nível de circulação no Estreito de Ormuz. O vice-ministro das Relações Exteriores, Majid Takht Ravanchi, afirmou que navios de alguns países ainda estão autorizados a cruzar a passagem marítima e negou que o Irã tenha instalado minas na região.