A nomeação de Carlos Augusto para o gabinete civil do governo do Estado – na avaliação de muitos observadores da cena política e administrativa – traria o condão de destravar a gestão estadual. As críticas sobre a gestão se avolumam a cada dia. A raiz do problema estaria na pouca autonomia dos secretários, dificuldades para liberar recursos no setor de finanças, além da pouca resolutividade política. Isto é, problemas com origem na pouca eficiência atual do Gabinete Civil e da Secretaria de Planejamento e Finanças (aqui, especialmente no que diz respeito ao Planejamento de ações governamentais).
Estudam-se mudanças nessas duas áreas. A mais aparentemente estridente seria a nomeação do ex-deputado, por ser marido da governadora Rosalba Ciarlini, para o cargo hoje ocupado por Anselmo Carvalho no Gabinete Civil. Este iria para a função adjunta e continuaria servindo às ordens do novo titular da pasta. Carlos passaria a exercer de direito o que já faz de fato: as decisões políticas, administrativas e financeiras do governo.
Por que o governo está travado? O modelo atual funciona assim: as demandas chegam aos secretários (especialmente gabinete civil e planejamento e finanças), que não têm autonomia para resolver porque têm que consultar Carlos Augusto Rosado. Isso acontece geralmente no final do expediente, quando os secretários se deslocam até a residência oficial com uma série de assuntos a resolver. Muitos não são resolvidos e ficam protelados, gerando insatisfações, demandas reprimidas e muitas queixas. Os – geralmente poucos – que são resolvidos são encaminhados no dia seguinte.
Caso assuma o gabinete civil, Carlos Augusto quebraria as etapas existentes nesse modelo de gestão, passando a comandar de dentro da administração, com legitimidade e força, as decisões do governo. Ajudaria, assim, a resolver grande parte dos entraves da gestão, que ocorrem justamente por causa do arranjo clandestino que é um governo ser exercido de fato por alguém que não tem sobre este exercício o direito.
No caso do Planejamento, sugere-se o nome de Jaime Mariz, atual secretário executivo do Ministério da Previdência, para o lugar de Obery Rodrigues. Jaime traria uma visão mais ampla do sentido de planejar. Entretanto, se for mantido o atual modelo de gestão da SEPLAN, tende-se a mudar pouca coisa. Na verdade, a secretaria vive mais de ser uma espécie de tesouraria da administração, cuidando da formatação e execução do orçamento. Quando se sabe que planejar não é isso. Em verdade, caberia uma distinção e uma divisão entre as duas funções: finanças uma, planejamento outra.
Ainda que resolva esses dois calos da gestão Rosalba Ciarlini, a reforma administrativa que está sendo definida abarca outros setores importantes, como Justiça (que administra os presídios, as centrais do cidadão e a defesa civil), e o turismo, atividade de maior expressão econômica do Estado.