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Novembro Roxo
No Dia Mundial do Prematuro, conheça os cuidados para preservar a vida dos bebês
Nascimentos prematuros são a principal causa de morte infantil no Brasil e no mundo. No Brasil, cerca de 10% dos recém-nascidos que vêm ao mundo nascem antes do tempo previsto
Mauro Terayama
17/11/2020 | 11:37

No dia 17 de novembro, é comemorado anualmente o Dia Mundial do Prematuro. Durante o mês, também acontece a campanha “Novembro Roxo” (cor-símbolo do tema), que visa conscientizar a prevenção dos nascimentos prematuros, além da humanização e dos cuidados no atendimento desses bebês prematuros.

São considerados prematuros aqueles bebês nascidos antes das 37 semanas de gestação. No Brasil, cerca de 10% dos recém-nascidos são prematuros.
A médica neonatologista da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC-UFRN) Viviane Borges explica que a maioria dos bebês prematuros nasce antes do tempo previsto em decorrência de problemas gestacionais.

“Mais da metade dos casos dos nascimentos prematuros poderiam ser evitados nos cuidados à assistência ao pré-natal. A hipertensão, a diabetes e algumas infecções são as principais causas dos nascimentos prematuros”.

A especialista esclarece a importância de datas alusivas como o Novembro Roxo para a conscientização dos partos prematuros. “O mês da prematuridade é para chamar a atenção do cuidado para salvar vidas e evitar sequelas. É para chamar atenção para o fato de que a prematuridade pode ser evitada e para que a mulher tenha esse cuidado. Pensar no cuidado da mulher para poder ter uma gestação segura e evitar que esse bebê nasça prematuro, que precise passar por uma UTI e por um trauma familiar”.

Na maternidade, que é referência em gestação de alto risco, 31% dos nascidos vivos são prematuros, o que representa 1.088 bebês no ano de 2019 e 656 no primeiro semestre de 2020. Os bebês prematuros passam por diversas etapas de recuperação até o momento que se tenha alta médica juntamente da sua família.

“A assistência a esse bebê prematuro é diferenciada porque ele necessita muito mais de uma aparelhagem e um cuidado mais especializado, de uma UTI para ter esse suporte individualizado e multiprofissional até que ele consiga respirar e se recuperar desta fase”, explana.

Após esse primeiro período de cuidados, o bebê prematuro é levado para a unidade “Canguru”, um modelo de assistência ao recém-nascido prematuro, cujo objetivo é dar a devida assistência mais humanizada na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal e com uma maior participação da família nesses cuidados.

“O método Canguru já começa na UTI. Nele, o bebê permanece até que a mãe aprenda a ter esses cuidados especializados, aprender a mamar diretamente no seio, para poder ter uma alta para o domicílio e acompanhamento da equipe”, disse.

O Método Canguru ainda fortalece o estímulo ao aleitamento materno, incentivando a presença e o contato da mãe junto do recém-nascido. Nele, a mãe é orientada a realizar a extração manual do leite materno e ofertá-lo ao filho.

Mãe aos 43

A idade gestacional também pode ser uma das causas da prematuridade. Mães adolescentes e mulheres acima dos 35 anos são mais suscetíveis ao parto prematuro. É o caso da paraense Thaiza Souza Freire, de 43 anos, que teve a filha Pérola prematura. Além da idade, ela também é diabética e hipertensa.

Ela foi internada na Maternidade Escola Januário Cicco no dia 25 de setembro. A gestação de 31 semanas teve de ser antecipada devido a uma centralização fetal – quando a placenta que oxigena o bebê não tem um bom funcionamento.

“Eu sabia que seria uma gestação difícil, mas eu nunca imaginei que fosse uma gestação prematura. Eu fui logo encaminhada para a maternidade para fazer o acompanhamento. Em uma ultrassom, foi detectada uma centralização fetal”.

No dia 2 de outubro, em uma nova ultrassom, a equipe médica informou que o parto precisaria ser antecipado para evitar que houvesse complicações para a vida da mãe e do bebê. Thaiza relata a sensação de medo que teve durante a fase final da gravidez. “É uma sensação de medo quando nós estamos no curso da gravidez quando a gente sabe que o bebê vai nascer prematuro. A gente fica um pouco ansiosa, temerosa”, revela.

“Quando a gente tem nosso bebê, que a gente tem o contato pela primeira vez e nós vemos aquele pedacinho de gente, eu olhei pra minha filha e disse ‘meu deus, a minha filha não vai resistir, não vai aguentar’, porque ela era muito pequenininha, ela já estava cheia de aparelhos. Então foi um momento muito difícil”, lembra.

A paraense conta que a primeira vitória da filha prematura começou desde o momento que a pequena Pérola, saiu da Unidade de Terapia Intensiva. “Ao sairmos da UTI, a gente tem a sensação de dever cumprido, porque a etapa mais difícil ela já passou. Mas o mais legal é quando a gente sabe que o filho tira o CPAP [dispositivo que mantém o bebê respirando]. Quando a médica tirou o CPAP, que ela conseguiu respirar naturalmente, foi a primeira vitória”.

A segunda maior emoção para a família foi quando ela saiu da dieta “zero” e passou a receber o leite materno via sonda. “Foi muito legal porque a gente sabia que ela já estava se recuperando. Cada dia ela passava a receber mais mililitros de leite”.

Agora, a família aguarda uma alta médica até a próxima sexta-feira 20. A recém-nascida deve sair da sonda alimentar para a amamentação diretamente na sonda já nos próximos dias. “É um sentimento de dever cumprido, a luta aqui é muito grande. Cada mãe tem o seu sofrimento e a sua história de vida. E essa etapa mais difícil é da unidade Canguru, porque o cuidado é todo nosso, mas o que faz a gente passar por isso aqui com êxito é o carinho dos profissionais que têm um cuidado muito grande conosco e isso nos ajuda a passar por essa etapa”, disse aliviada.

Maternidade precisa de doação de Leite Materno

Os estoques de leite materno estão baixos no Banco de Leite da Maternidade Escola Januário Cicco, referência em atendimento de bebês prematuros. Mães saudáveis que estejam amamentando podem contribuir com a doação do alimento, que é essencial para a manutenção da vida dessas crianças.

Em funcionamento desde 1995, o Banco de Leite da MEJC é considerado referência no Estado pela Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano/Fiocruz (rBLH), sendo responsável pelo controle de qualidade e distribuição do leite materno para cerca de 80% dos recém-nascidos em situação de risco no Rio Grande do Norte.

O aleitamento materno é de extrema importância tanto para a mãe quanto para o bebê. O ato de amamentar, auxilia nas contrações uterinas, diminuindo o risco de hemorragia. E, além das questões de saúde, a amamentação fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho.

As mães que desejarem contribuir devem entrar em contato pelo telefone 0800.721.0078, a MEJC dispõe de coleta domiciliar através do Projeto Amigo do Peito, realizado em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do RN.

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