Nesta terça-feira fique em casa
Com o Dia da Independência do Brasil de Portugal caindo na próxima terça-feira, tendo um fim de semana no meio até lá, aliados e opositores do presidente Jair Bolsonaro devem pesar o que está em jogo.
Com as hostes bolsonaristas atiçadas pelo seu líder, e manifestações contrárias marcadas para o mesmo dia, só que em locais diferentes, não há ganhadores nesse jogo, só perdedores.

O uso de uma data cívica para mostrar a força de um presidente eleito não é apenas algo inusitado e estranho na era da redemocratização, é sinal de que as coisas estão profundamente erradas e fora de foco no País.
Colaborar para que essa disfuncionalidade prospere, mostrando força inversa e equivalente para empalidecer a ação do bolsonarismo, será tão burra quanto à ideia de quem promoveu essa demonstração de força, especialmente se houver violência no final.
Quem adere a um erro, mesmo para mostrar sua indignação a ele, também está errando. Por mais expressivas que sejam as manifestações a favor de Bolsonaro na pauta golpista, ela estará muito longe de recolocar para cima a popularidade deste presidente.
Não é segredo para ninguém que a pregação pelo armamento da população não é gratuita e nem desgarrada de propósitos. Tampouco os ataques às instituições, que se repetem à exaustão, são obras do acaso.
Tudo compõem uma sinfonia macabra, sem propósito, que prospera no confronto e no caos.
Há uma extrema esquerda no País, uma minoria de beneficiários do Fundo Partidário que se organizou em torno do Partido da Causa Operária (PCO), que adoraria ver esse confronto prosperar em nome de sua paixão pelo stalinismo quase centenário. Isso, sem falar nos black blocs.
A ruptura que Bolsonaro se propõe a protagonizar precisa desesperadamente desse contrário para sobreviver a exemplo do que nos diz a própria carreira exitosa do presidente no parlamento.
A trajetória de um homem incapaz de debater, com profundos problemas de autoridade, e que teve uma inesperada concertação seu favor por parte de forças de direita interessadas em tutelá-lo diante da notória reputação negativa que o cercava.
Só que não deu certo porque de bobinho esse tutelável não tinha nada. E o Brasil ganhou mais um populista truculento como muitos que já passaram pela América Latina. Um patrimonialista de mão cheia e um chefe de clã dedicado.
A salvação agora é ganhar esse confronto plantado para dar as caras na próxima terça-feira ficando em casa, assistindo pela TV.
Mineiro é fiel
Não é novidade que a presença do governo na economia criou vínculos preciosos com a iniciativa privada e transformou parcelas do empresariado quase em sócios do poder público. Não é de hoje, mas desde sempre. Mas nada é tão tocante quanto à solidariedade da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) quando o assunto é golpe de Estado.Tanto que o próprio presidente Bolsonaro tem propagado pelo zap mensagem da Federação sobre supostos ataques à liberdade de expressão com críticas ao Supremo Tribunal Federal.
É ou não é terrorismo
Qualificar assaltos como o ocorrido em Araçatuba na lei nº 13.260/16, a chamada lei antiterrorismo, divide as opiniões de especialistas em direito penal ouvidos pelo jornal O Estado de S.Paulo. A Polícia Federal não descarta a possibilidade de enquadrar como terrorismo os ataques que deixaram três mortos no interior de São Paulo, mas ainda vai investigar mais para tipificar a ação.
Pibinho de sempre
Entra ano, sai ano, o PIB do segundo trimestre do ano cai 0,1%. Não é novidade: desde 2018, é a repetição de um padrão para o quarto trimestre, já apelidado de “voos de galinha”. Há 40 anos é assim. Agora, com a pandemia e o custo Bolsonaro, promete piorar.
O sabático de Ernesto
Lauro Jardim informa que cinco meses após deixar o posto de chanceler por pura e espontânea pressão, Ernesto Araújo está tirando um período sabático do Itamaraty de um ano.
“Assuntos particulares” , alegou, já aceitos pelo Itamaraty , mas já se sabe que parte desse tempo ele gastará nos EUA, onde a mulher dele, a conselheira Maria Eduarda Seixa Corrêa, é desde julho a segunda do consulado geral do Brasil em Hartford.
Adesão
Apesar das ameaças da Caixa e do BB de deixarem a Federação dos Bancos, a adesão ao documento pela democracia, coordenado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), continua valendo, apurou o Valor Econômico. Na reunião, o presidente do Banco do Brasil (BB), Fausto Ribeiro, teria defendido que a Febraban não assinasse o manifesto, mas nada mudou na prática.