Presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), Eudo Laranjeiras avalia que a proposta de redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1, está sendo tratada de forma equivocada e em momento inadequado, classificando o tema como “muito problemático” e “mal colocado”. Para justificar sua preocupação, apresentou dados sobre a escassez de mão de obra no setor: faltam quase 100 mil motoristas de caminhão no Brasil e cerca de 20 mil motoristas de ônibus. O cenário, segundo ele, pode levar à paralisação de veículos caso a jornada seja reduzida agora.
Eudo defendeu que o País precisa primeiro aumentar a produtividade antes de diminuir a carga horária e destacou que a escala 5×2 já existe na área administrativa das empresas, podendo ser adotada por meio de acordo coletivo, mas não de forma abrupta. Ele observou que a nova geração tem menos interesse na profissão — há dez anos, 80% dos filhos de caminhoneiros queriam seguir a carreira; hoje esse índice não chega a 40% —, citando dificuldades como assaltos, estradas ruins e desgaste.

Para o dirigente, reduzir de 44 para 36 horas seria uma medida “drástica”, diferente da transição gradual de 48 para 44 horas, e poderia elevar custos e pressionar preços do leite, da passagem de ônibus e do frete. Criticou a pressa do governo, disse que a Confederação Nacional do Transporte (CNT) não foi ouvida, afirmou que as confederações estão se unindo contra o projeto e considerou a proposta “eleitoreira”, defendendo que o debate seja maturado fora do ambiente de campanha.
Incêndios se avolumam, ne Lula só assiste
Da jornalista Malu Gaspar, hoje em O Globo: A maré definitivamente não é boa para a largada da campanha de Lula à reeleição, e o entorno do petista demora além da conta para reconhecer a conjunção de fatores negativos e agir de forma coesa, no governo e na política. Na verdade, esse time carece de coordenador e de quem tenha ascendência sobre Lula. O que mais se ouve entre auxiliares e aliados do petista é: ele tomará todas as decisões relevantes, e no seu tempo.
Enquanto isso, a CPMI do INSS vai se transformando na CPMI do Lulinha, a interlocução com o Congresso, já ruim, se deteriora, e a definição sobre quem fica e quem sai do governo e quais serão os candidatos apoiados pelo presidente em cada estado acontece em ritmo intermitente, sem direção clara.
Ontem Lula se reuniu com os personagens que devem compor seu palanque em São Paulo, o estado-chave da sucessão. Tudo caminha para que Fernando Haddad dispute o governo. Simone Tebet deverá mesmo ser a candidata de Lula ao Senado. E o vice-presidente Geraldo Alckmin, que deverá ser confirmado na chapa à reeleição, poderá atuar como coordenador, oficial ou informal, da campanha de Lula e de Haddad no estado que governou em quatro ocasiões, atuando como principal contraponto à gestão de Tarcísio de Freitas, também no interior.
A confirmar esse arranjo, Lula terá dado, a pouco menos de um mês do prazo final de renúncias e desincompatibilizações para quem disputará eleições, o pontapé inicial da montagem de seu quadro de candidatos país afora, variável da maior importância num quadro de eleição polarizada, que tende a ser disputada cabeça a cabeça.
A oposição já está mais adiantada na costura, como ficou patente diante do mapa esboçado por Flávio Bolsonaro na semana passada. Ainda restam muitas arestas na direita, é verdade, mas as conversas começaram há mais tempo e envolvem uma gama de partidos, mesmo os aboletados em cargos no governo federal até hoje.
STF aponta plano para calar jornalista
Na decisão que mandou prender Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou haver indícios de que o banqueiro determinou que se forjasse um assalto, ou simulasse cenário semelhante, para “prejudicar violentamente” o colunista do jornal O Globo Lauro Jardim. O objetivo, diz Mendonça, era, a partir do episódio, “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro revelam que o banqueiro participava de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, no qual foi discutida uma estratégia para simular um assalto e atacar Lauro Jardim. Nos diálogos encontrados pela PF, Vorcaro, que é identificado como DV, afirma que seria necessário colocar pessoas para seguir Lauro Jardim e chega a mencionar a possibilidade de agredi-lo em um suposto assalto para intimidá-lo.