O número de domicílios com motocicletas no Brasil tem crescido de forma consistente nos últimos anos e já ultrapassa um quarto das residências no país. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 26,2% dos lares brasileiros possuíam ao menos uma moto em 2025, o equivalente a cerca de 20,7 milhões de residências.
O avanço é significativo quando comparado a 2016, quando o percentual era de 22,6%, ou aproximadamente 15 milhões de domicílios. Isso representa um aumento de 5,7 milhões de lares com motocicletas no período.

Embora os carros ainda estejam presentes em uma parcela maior das residências, o crescimento das motos tem sido mais acelerado. Em 2016, 47,6% dos domicílios contavam com automóvel. Em 2025, esse índice subiu para 49,1%. No entanto, o número absoluto de casas com carro passou de 31,7 milhões para 38,9 milhões, indicando um crescimento proporcional menor em relação às motocicletas.
Também houve aumento no número de residências que possuem simultaneamente carro e moto. Esse grupo passou de 10,7% em 2016 para 13,5% em 2025, refletindo a ampliação do acesso a bens de consumo.
Segundo o analista da Pnad, William Kratochwill, esse movimento acompanha o aumento da renda média da população ao longo dos últimos anos. “Isso acaba sendo um reflexo do que a gente vem observando na divulgação trimestral do rendimento ao longo de toda a série, e o resultado vemos nessa posse dos bens. Onde temos um nível de rendimento médio superior, temos maiores percentuais de domicílios com carro, motocicleta, geladeira, máquina de lavar roupa”, afirmou.
O comportamento varia entre as regiões do país. No Norte e no Nordeste, a presença de motocicletas já supera a de automóveis, realidade diferente do restante do Brasil. No Norte, 39,5% dos domicílios possuem moto, contra 31% com carro. No Nordeste, os índices são de 34,5% para motos e 30% para automóveis.
Para Kratochwill, esse cenário está relacionado a fatores econômicos. “De acordo com Kratochwill, a renda média menor é um dos motivos que explicam por que essas regiões têm percentual de lares com moto superior ao daqueles com carros”.
Já no Sul, o cenário é distinto: 91,6% dos domicílios possuem algum tipo de eletrodoméstico, refletindo um padrão de consumo mais elevado. No Sudeste e Centro-Oeste, os índices também são altos, com 83,1% e 83,5%, respectivamente.
A pesquisa também analisou a presença de bens domésticos, como máquinas de lavar roupa e geladeiras. Houve crescimento expressivo no acesso a esses itens. Em 2016, 63% dos lares tinham máquina de lavar. Em 2025, esse percentual subiu para 72,1%, o que representa mais de um quarto das residências ainda sem o equipamento.
No Nordeste, no entanto, o acesso ainda é mais limitado. Cerca de 42,6% da população ainda lava roupas manualmente, evidenciando desigualdades regionais no acesso a bens domésticos.
A geladeira, por outro lado, já está presente em praticamente todos os domicílios brasileiros, com índice de 98,4%, indicando maior universalização desse item essencial.
O avanço no número de motocicletas reflete não apenas mudanças no padrão de consumo, mas também fatores como custo mais acessível, praticidade e necessidade de mobilidade, especialmente em regiões com menor infraestrutura de transporte.