O jantar promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na noite de terça-feira 28, com a presença do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ganhou forte repercussão política em Brasília após a rejeição do nome de Jorge Messias para a Corte. As informações foram publicadas pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Segundo a coluna, o encontro aconteceu apenas um dia antes da votação no Senado que impôs uma derrota ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Indicado pelo Palácio do Planalto, Jorge Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, insuficientes para aprovação.

De acordo com relatos citados pela jornalista, Lula ficou indignado ao tomar conhecimento do jantar logo após o resultado. No entorno do presidente, o encontro reforçou a avaliação de que houve movimentação política prévia para barrar o nome do advogado-geral da União.
Ainda conforme a publicação, interlocutores de Lula afirmaram que chegou ao presidente a informação de que, durante conversas reservadas em pequenos grupos, Alcolumbre teria dito que já contava com cerca de 50 votos para derrotar Messias no plenário. A declaração, se confirmada, indicaria que o resultado estava consolidado antes da sessão.
Apesar da repercussão, participantes do jantar negaram qualquer conspiração. Segundo convidados ouvidos pela Folha, a reunião não foi convocada para discutir a sabatina ou a votação no Senado, mas sim para homenagear Mário Luiz Sarrubbo, procurador e ex-secretário Nacional de Justiça, amigo antigo de Moraes. Ambos construíram carreira no Ministério Público de São Paulo.
Entre os convidados estavam nomes de peso do Judiciário e da política nacional. Compareceram os ministros do STF Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Segundo uma das fontes ouvidas pela colunista, o clima no jantar foi de descontração, com conversas sobre assuntos gerais e amenidades. Jorge Messias teria sido mencionado apenas em diálogos paralelos, sem centralidade no encontro.
Outro convidado relatou que a derrota de Messias já era considerada provável entre lideranças políticas antes mesmo do jantar e que a coincidência entre a reunião e a votação apenas ampliou as especulações nos bastidores de Brasília.
A rejeição do nome indicado por Lula representa um revés político relevante para o governo, especialmente por envolver a escolha para uma cadeira no Supremo e pela exposição da dificuldade de articulação junto ao Senado.