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Eleições 2026

Modelo do PT está “falido”, diz Coronel Hélio

Pré-candidato ao Senado pelo PL afirma que disputa no Rio Grande do Norte seguirá a mesma lógica da corrida presidencial, critica governos petistas e defende fortalecimento das políticas de combate ao crime organizado
Por O Correio de Hoje
22/06/2026 | 14:31

O pré-candidato ao Senado Coronel Hélio (PL) afirmou, nesta segunda-feira 22, que o modelo político representado pelo PT está esgotado tanto no Rio Grande do Norte quanto no cenário nacional e apostou que as eleições de 2026 serão marcadas por uma forte polarização entre direita e esquerda.

Em entrevista ao programa Contraponto, da rádio 96 FM, o militar da reserva defendeu que a disputa estadual seguirá a mesma lógica da corrida presidencial e classificou os governos petistas como fracassados em áreas como segurança, educação, saúde e infraestrutura.

Coronel Helio (1)
Pré-candidato ao Senado Coronel Hélio (PL) aposta que polarização vai ditar campanha eleitoral no RN em 2026 - Foto: josé aldenir

“O modelo PT aqui no Rio Grande do Norte está falido, o modelo PT nacional também está falido”, declarou o pré-candidato.

A avaliação de Coronel Hélio surge em um momento em que o grupo governista tenta consolidar a candidatura do ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT) ao Governo do Estado, enquanto a oposição se organiza em torno do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) e do ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União). Para o pré-candidato ao Senado, porém, o cenário tende a reproduzir a divisão ideológica observada no plano nacional.

Segundo ele, a polarização entre PT e PL já está em curso e deve se aprofundar ao longo da campanha. “A polarização já está acontecendo. Ela vem normalmente de cima para baixo. Nós temos hoje Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, no PT e no PL, e isso está vindo para os estados”, afirmou.

Ao analisar a disputa para o Senado, Coronel Hélio enquadrou o cenário dentro dessa mesma lógica. Ele se apresentou como representante do campo conservador e afirmou que o eleitorado terá de escolher entre candidatos identificados com a direita e nomes ligados à esquerda.

“Hoje estamos bem definidos aqui no Estado com dois candidatos à direita, o Coronel Hélio e o Capitão Styvenson (Podemos), contra quatro candidatos da esquerda: Zenaide Maia (PSD), Rafael Motta (PSB), Samanda Alves (PT) e Sandro Pimentel (Psol)”, declarou.

A fala reforça a estratégia adotada pelo PL de nacionalizar a disputa potiguar, vinculando as candidaturas locais ao embate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a entrevista, Coronel Hélio se apresentou como o candidato do bolsonarismo ao Senado no Rio Grande do Norte e afirmou que sua indicação foi respaldada tanto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quanto pelo ex-presidente. “Eu sou o candidato de Bolsonaro. Eu sou o senador de Bolsonaro no Estado”, declarou.

Na avaliação do pré-candidato, a tendência é que o mesmo fenômeno observado nas eleições municipais de Natal em 2024 se repita em 2026. Hélio citou a vitória do prefeito Paulinho Freire (União) contra Natália Bonavides (PT) como exemplo de uma mudança gradual do cenário eleitoral em favor da direita. “Eu tenho visto que isso está acontecendo e vai acontecer também a nível nacional”, afirmou.

Ele também associou esse movimento ao crescimento de lideranças conservadoras em outros países da América do Sul, citando a eleição de presidentes de direita em países como a Colômbia — que teve eleições neste domingo 21. Segundo o pré-candidato, existe uma “onda da direita” em curso no continente e que ela deverá alcançar o Brasil nas próximas eleições.

As críticas ao PT ocuparam parte significativa da entrevista. Coronel Hélio direcionou ataques tanto ao governo federal quanto à administração da governadora Fátima Bezerra (PT).

Ao comentar a situação do Rio Grande do Norte, afirmou que a atual gestão apresenta resultados insatisfatórios em diversas áreas. “O Governo do Estado do Rio Grande do Norte apresenta índices muito tristes na educação, na saúde, na segurança e também na infraestrutura”, declarou.

INTERTÍTULO: Combate ao crime

A área da segurança pública, principal bandeira política do pré-candidato, foi utilizada como exemplo para sustentar sua crítica ao governo federal. Hélio afirmou que o combate às facções criminosas tem sido insuficiente e acusou a gestão petista de reduzir investimentos em ações de enfrentamento ao crime organizado.

Segundo ele, o governo federal teria bloqueado recursos destinados a operações de fiscalização e repressão nas fronteiras. “O governo do PT bloqueou R$ 4,5 bilhões de investimentos nessas operações”, afirmou.

Coronel Hélio também criticou declarações atribuídas ao presidente Lula sobre o tráfico de drogas. Na visão do pré-candidato, as organizações criminosas não buscam apenas lucro financeiro, mas também poder político e territorial. “Lula está falando que o traficante só quer dinheiro. Não. O traficante quer poder. O tráfico quer domínio de território”, declarou.

Em uma das falas mais contundentes da entrevista, o pré-candidato afirmou que o crime organizado já estaria atuando politicamente. “O tráfico já tem os candidatos escolhidos. O que está faltando é a direita conservadora escolher os seus candidatos para poder ser representada no Congresso”, disse.

A declaração se soma a uma série de manifestações recentes de lideranças conservadoras que defendem o endurecimento das políticas de segurança pública e uma atuação mais agressiva no combate às facções.

Ao longo da conversa, Coronel Hélio procurou reforçar sua imagem como representante desse segmento do eleitorado. Ele defendeu a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas, elogiou a decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar PCC e Comando Vermelho nessa categoria e rejeitou a tese de que a medida represente interferência estrangeira nos assuntos brasileiros.

“Nenhuma”, respondeu ao ser questionado se via na iniciativa norte-americana uma afronta à soberania nacional.

O pré-candidato também voltou a defender o fortalecimento da aliança entre ele e o senador Styvenson Valentim na disputa pelas duas vagas ao Senado. Segundo Hélio, a chamada “dobradinha” será consolidada após a convenção do PL e tende a fortalecer ambos os candidatos. “Essa casadinha é muito bem-vinda na visão do eleitor de centro-direita”, afirmou.

Além das críticas ao PT e da análise eleitoral, Coronel Hélio apresentou propostas voltadas para a segurança pública, área na qual construiu sua trajetória profissional.

Uma das principais ideias defendidas pelo pré-candidato é a criação de uma base permanente do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) na região Oeste do Estado, especialmente em Mossoró. Segundo ele, a proximidade com o presídio federal e o avanço das facções criminosas justificam a instalação de uma estrutura permanente de apoio aéreo.

A proposta inclui a busca de recursos por meio de emendas parlamentares e parcerias com empresas privadas, especialmente do setor de energia eólica.

Outra bandeira defendida por Hélio é a ampliação do sistema prisional brasileiro. O pré-candidato afirmou que atualmente existem cerca de 600 mil condenados sem vagas disponíveis nos presídios do país e defendeu a construção de novas unidades prisionais. “Está faltando realmente presídio”, afirmou.

Na área operacional, o pré-candidato defendeu maior integração entre as forças de segurança dos estados, ampliação do trabalho de inteligência e participação mais ativa das Forças Armadas no combate ao crime organizado. Segundo ele, o avanço das facções exige uma atuação coordenada entre polícias, Exército, Marinha e Aeronáutica, especialmente nas fronteiras e em regiões consideradas estratégicas para o tráfico de drogas.