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Política

Mineiro defende Cadu Xavier para “mandato tampão” em caso de renúncia coletiva

Deputado detalha regra de sucessão, rebate tese de “bomba fiscal” e expõe estratégias do PT para 2026
Redação
09/12/2025 | 04:57

O deputado federal Fernando Mineiro (PT) defendeu que o secretário de Fazenda, Cadu Xavier (PT), seja eleito indiretamente para um “mandato tampão” caso se configure um cenário de renúncia coletiva na linha sucessória do Governo do Rio Grande do Norte em 2026.

A possibilidade foi levantada por Mineiro diante da especulação sobre se o vice-governador Walter Alves (MDB) assumirá ou não o governo em abril, quando a governadora Fátima Bezerra (PT) deverá renunciar ao cargo para ficar apta a disputar o Senado. Especula-se que Walter poderá desistir de assumir o governo em razão da crise fiscal do Estado.

Deputado federal FeRio Grande do Norteando Mineiro e Secretário de Fazenda e pré-candidato a goveRio Grande do Norteador Cadu Xavier - Fotos: Vinicius Loures/Câmara e José Aldenir/Agora RN
Deputado federal Fernando Mineiro e Secretário de Fazenda e pré-candidato a governador Cadu Xavier - Fotos: Vinicius Loures/Câmara e José Aldenir/Agora RN

Segundo entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com base na Constituição Federal, se governadora e vice renunciarem, deverá haver nova eleição (direta ou indireta) para escolher um governador para o “mandato tampão” – que ficaria no cargo até 31 de dezembro de 2026. O Rio Grande do Norte ainda não definiu qual seria o modelo, mas a tendência neste caso é que a escolha se desse de forma indireta, pela Assembleia Legislativa, com votos dos 24 deputados estaduais.

Enquanto a eleição não acontece, quem fica no cargo é o presidente da Assembleia Legislativa – atualmente, o deputado estadual Ezequiel Ferreira (PSDB). Se ele também declinar do cargo, quem assume é o presidente do Tribunal de Justiça – atualmente, o desembargador Ibanez Monteiro.

Na eleição indireta, poderia ser candidato qualquer cidadão potiguar que cumpra os requisitos constitucionais para ser governador (idade mínima de 30 anos, domicílio eleitoral e filiação partidária, etc).

“Eu defendo, se for esse caso, que a Assembleia eleja o Cadu para o mandato tampão. Porque, para mandato tampão, não precisa ser deputado ou deputada não. Pode ser qualquer cidadão ou cidadã acima de 35 anos. Então, eu vou defender que o Cadu coloque o nome dele à disposição da Assembleia”, afirmou Mineiro, em entrevista à rádio Difusora.

Neste cenário, Cadu poderia ser candidato à reeleição em 2026, estando no cargo de governador.

Para Mineiro, uma eventual candidatura de Cadu à eleição indireta serviria também para demonstrar que não existe “bomba fiscal” ou risco de insolvência no Estado, como vem sugerindo a oposição. “Numa clara demonstração de que não tem nenhum perigo, nenhum risco de ter uma tragédia em relação às finanças do Estado.”

Mineiro contou que conversou pessoalmente com Walter Alves sobre o futuro do Estado. Segundo o deputado, o vice afirmou estar “preocupado” com projeções fiscais, mas garantiu que discutirá o tema “no momento certo” com a governadora. Mineiro enfatizou não ter visto nenhuma declaração pública de Walter dizendo que não assumirá — e destacou que o que existe, até agora, é especulação.

Apesar de defender o cenário com Cadu eleito de forma indireta, Mineiro afirmou não acreditar que a renúncia coletiva ocorrerá. Ainda assim, fez questão de registrar sua posição: se houver eleição indireta, ele será defensor do nome do secretário de Fazenda.

Situação fiscal: “Nada a ver com 2018”

Mineiro rechaçou a interpretação de que o Estado vive situação de risco para 2026 e disse que há uma leitura equivocada dos números. Ele comparou os dados atuais com a grave crise fiscal deixada pelo governo Robinson Faria. “A situação do Estado hoje em nada tem a ver com a situação que nós recebemos do governo de 2018. Nada a ver, nada a ver.”

Segundo ele, o déficit para 2026 — estimado em torno de R$ 1,5 bilhão — é incomparável ao quadro encontrado por Fátima Bezerra ao assumir em 2019: “Naquela época, terminou o governo em 2018 com um déficit no orçamento de 2019 em cerca de mais de R$ 3 bilhões, com quatro folhas atrasadas e sem uma pataca para investimentos.”

Mineiro defendeu que o RN vive hoje um contexto diferente, com salários em dia, investimentos retomados e indicadores sociais positivos: “Nós não temos atraso de pagamento dos servidores, nós temos uma retomada de investimentos no Estado. (…) Nós temos aqui mais de 350 mil potiguares saindo da pobreza em 2024.”

O deputado acrescentou que, embora haja déficit, a situação do RN “não difere dos demais estados brasileiros” e é melhor do que a de unidades como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Mineiro ainda afirmou que, se houver algum ruído político envolvendo a transição ou a sucessão, não será a questão fiscal a motivação principal.

Relação entre polarização nacional e eleição estadual

Mineiro também avaliou o cenário de 2026 e destacou que a disputa no RN será influenciada pelas concepções de mundo representadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para ele, não se trata apenas de um embate personalista, mas de visões opostas sobre Estado e políticas públicas.

Ele disse acreditar que esse choque de projetos influenciará fortemente o ambiente eleitoral em 2026 — e classificou as pré-candidaturas de Allyson Bezerra (União) e Rogério Marinho (PL) como pertencentes ao “campo conservador”, enquanto vê Cadu Xavier como representante de um projeto progressista.

Além disso, Mineiro afirmou que não há comparação possível entre eleições municipais e estaduais e que o comportamento do eleitor flutua conforme o tipo de eleição.

Disputa para deputado federal

O deputado também comentou sobre a formação da nominata da Federação Brasil da Esperança (PT–PCdoB–PV) para deputado federal em 2026. A federação poderá apresentar até 9 nomes na disputa. Mineiro argumentou que a eleição para a Câmara é coletiva e depende do somatório de votos da chapa, e não apenas do desempenho individual.

Por isso, ele defende nomes para a chapa que atraiam eleitores fora do perfil tradicional de eleitor da esquerda. “Quanto mais nomes a gente tiver, é melhor para nós. Se a gente ficar só disputando internamente, e eu espero que não seja assim, nós não vamos sair de duas representações. Agora, se a gente conquistar votos fora, tirar votos da direita, tirar votos dos bolsonaristas, aí nós vamos conquistar mais cadeiras na Câmara Federal”, declarou.

O deputado criticou a disputa interna por votos dentro do próprio campo partidário: “Eu acho errado a gente ser candidato para tirar voto um do outro. Vai ser soma zero.”

Ele defendeu que a estratégia deve ser buscar votos fora do eleitorado já consolidado do PT: “Quem vota em Natália Bonavides, parabéns, continua votando. Quem vota em mim, vamos lá. Vamos buscar votos fora do que já vota.”

Mineiro concluiu afirmando que ampliar a bancada depende dessa busca por novos eleitorados: “Se a gente conquistar votos fora, nós vamos ampliar a nossa bancada.”