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Menopausa

Menopausa acelera perda de colágeno

Especialistas explicam como a redução do estrogênio interfere na firmeza, hidratação e espessura da pele e quais medidas podem ajudar a preservar o colágeno
Por O Correio de Hoje
06/05/2026 | 13:05

Menopausa provoca mudanças importantes no organismo feminino, e uma das mais perceptíveis ocorre na pele. A redução dos níveis de estrogênio, hormônio ligado à produção de colágeno, acelera a perda de firmeza, elasticidade e hidratação, tornando mais visíveis marcas do envelhecimento cutâneo. Especialistas apontam que, nos primeiros anos após a menopausa, essa redução ocorre de forma intensa e pode impactar diretamente a textura e a espessura da pele.

O colágeno é uma das proteínas mais abundantes do corpo humano e exerce papel central na sustentação da pele. Com o avanço da idade, sua produção naturalmente diminui, mas a queda hormonal típica da menopausa acelera esse processo. Estudos citados por especialistas indicam que mulheres podem perder cerca de 30% do colágeno da pele nos cinco primeiros anos após a menopausa, além de uma redução anual em torno de 2% nos anos seguintes.

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Menopausa acelera perda de colágeno e altera firmeza, elasticidade e hidratação da pele Foto: FreePik

Essa alteração interfere diretamente na aparência da pele, favorecendo flacidez, rugas mais profundas, ressecamento e perda de densidade. A médica dermatologista Melissa Piliang, da Cleveland Clinic, explica que o estrogênio atua estimulando a atividade dos fibroblastos, células responsáveis pela produção de colágeno. Quando os níveis hormonais diminuem, o organismo passa a produzir menos dessa proteína.

A redução do colágeno também afeta a capacidade de retenção de água na pele. Como consequência, a superfície cutânea tende a se tornar mais fina, seca e menos resistente. Além da diminuição da elasticidade, especialistas observam aumento da fragilidade da pele e maior propensão ao surgimento de linhas de expressão.

Entre os fatores externos que agravam esse processo, a radiação ultravioleta aparece como uma das principais ameaças. A exposição frequente ao sol acelera a degradação das fibras de colágeno e elastina, intensificando os sinais do envelhecimento cutâneo. Por isso, dermatologistas reforçam a importância do uso diário de protetor solar como uma das medidas mais eficazes para preservar a pele ao longo do tempo.

Hábitos de vida também exercem influência sobre a manutenção do colágeno. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e sono adequado estão entre os fatores associados à preservação da saúde da pele. O tabagismo, por outro lado, é apontado como um dos principais aceleradores da degradação do colágeno, devido aos danos provocados pela fumaça do cigarro nas células cutâneas.

Especialistas também observam que alguns nutrientes podem contribuir para a produção de colágeno no organismo. Vitaminas antioxidantes, proteínas e minerais participam do processo de formação das fibras que dão sustentação à pele. Ainda assim, médicos alertam que suplementos de colágeno não produzem resultados milagrosos e devem ser avaliados individualmente.

Procedimentos dermatológicos e estéticos vêm sendo utilizados como alternativas para estimular a produção de colágeno. Entre eles estão tecnologias a laser, radiofrequência, ultrassom microfocado e bioestimuladores injetáveis. Esses tratamentos atuam provocando estímulos controlados na pele para incentivar a regeneração das fibras de sustentação.

A terapia hormonal também aparece entre as opções discutidas por especialistas, especialmente em mulheres que apresentam sintomas intensos da menopausa. Alguns estudos apontam que a reposição hormonal pode ajudar na manutenção da espessura, elasticidade e hidratação da pele. No entanto, médicos ressaltam que a indicação deve ser feita de forma individualizada, considerando histórico clínico, idade e possíveis contraindicações.

Apesar do avanço de tratamentos e procedimentos, especialistas afirmam que não existe uma solução única para interromper completamente a perda de colágeno relacionada ao envelhecimento. A combinação entre cuidados diários, proteção solar, alimentação equilibrada e acompanhamento médico segue sendo a principal recomendação para minimizar os efeitos da menopausa sobre a pele.

A médica Melissa Piliang resume que o envelhecimento cutâneo é resultado de diversos fatores associados. “É uma combinação de fatores intrínsecos e extrínsecos”, explica. Segundo ela, a genética, os hormônios e os hábitos de vida influenciam diretamente a forma como a pele envelhece ao longo dos anos.