Montadoras chinesas têm concretizado cada vez mais a presença no Brasil e não são abaladas nem quando o mercado geral registra queda. Enquanto o mercado automotivo brasileiro caiu em 8,2% em abril, as marcas chinesas caminharam na contramão, registrando um aumento de 7,4% nesse mesmo período. Em 2026, é a quarta vez consecutiva que o crescimento é observado, segundo dados da consultoria K.Lume.
Informações obtidas pela consultoria revelam que foram emplacados 236.712 veículos em abril, enquanto o mês anterior registrou um número de 257.801 automóveis e comerciais leves emplacados em março. Neste mês de retração geral, no entanto, os veículos chineses finalizam abril com 40.927 unidades emplacadas, significando esse aumento de 7,4% em março. A expectativa é de que esse crescimento atinja cerca de 20% ainda em 2026.

A mudança não é tão expressiva, mas de acordo com o consultor Milad Kalume Neto, especialista no setor automotivo, é um dado que representa uma consolidação das chinesas em solo brasileiro. “Entendo como um ganho de participação tática com sinais estruturais bem definidos por trás. Apesar de uma base pequena em relação à frota circulante, não deixa de ser um crescimento interessante no mercado dos novos”, disse ao Correio de Hoje.
Fabricantes chinesas já detêm 98,2% de participação dos veículos de passeio. No mercado geral, as marcas da China atingem uma participação de 17,3%. “Estão chamando a atenção para novos compradores a cada momento e estão levando pressão nas marcas tradicionais”, diz Milad.
O consultor afirma que são vários fatores que explicam esse crescimento em um cenário de queda, entre eles a própria tecnologia oferecida especialmente em modelos elétricos. “Não é segredo que as marcas chinesas trabalham com uma elasticidade de preço maior e mais agressiva. Possuem produtos modernos, tecnológicos a preços competitivos e, num mercado que hoje aponta com poucas novidades, isto é um diferencial relevante”.
A tecnologia automotiva chinesa hoje é líder em pautas atuais como a transição global para veículos elétricos e híbridos, além de implementação de inteligência artificial nos automóveis. São gigantes como BYD, GWM e Geely que já competem pelo protagonismo em terras brasileiras e que se destacam superando marcas nacionais em custo-benefício e inovação, com softwares avançados e ecossistemas digitais.
“Chama a atenção que a indústria nacional não está morta pelo exemplo do Tera, mas não é mais possível trabalhar com preços e produtos que enganam o consumidor. Os chineses vieram fortes e vieram para brigar”, finaliza Milad.