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Confronto

Megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio deixa 64 mortos e 81 presos

Ação nos complexos do Alemão e da Penha mobilizou 2.500 agentes, resultou na morte de quatro policiais e gerou barricadas e represálias em diversas áreas da cidade
Redação
28/10/2025 | 15:16

Pelo menos 64 pessoas morreram – quatro delas policiais – e 81 foram presas nesta terça-feira 28 em uma megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A ação é a mais letal da história do estado, segundo números divulgados pelo Palácio Guanabara.

A operação, parte da Operação Contenção, mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças de segurança para cumprir 100 mandados de prisão. Ao chegarem às comunidades, no início da manhã, os traficantes reagiram a tiros e instalaram barricadas em chamas. Um vídeo mostra quase 200 disparos em 1 minuto. Criminosos também lançaram bombas com drones e fugiram em fila indiana por áreas altas da comunidade.

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Megaoperação da polícia contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha mobilizou 2.500 agentes, resultou em 64 mortes e 81 prisões - Foto: Reprodução

Entre os policiais mortos estão Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, da 53ª DP, Rodrigo Velloso Cabral, da 39ª DP, e dois policiais do Bope, Cleiton Searafim Gonçalves e Herbert.

Além dos mortos, três civis foram feridos por balas perdidas e levados para hospitais da cidade. Policiais apreenderam 75 fuzis, duas pistolas e nove motos. Entre os presos estão Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, chefe do CV, e Nicolas Fernandes Soares, operador financeiro de Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso.

A operação não contou com apoio do governo federal. “Toda essa logística é do próprio estado. São aproximadamente 9 milhões de metros quadrados de desordem no Rio de Janeiro”, disse o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, que informou que cerca de 280 mil pessoas vivem nas áreas afetadas.

Escolas, postos de saúde e linhas de ônibus tiveram funcionamento alterado: 28 escolas no Alemão e 17 na Penha fecharam, quatro colégios estaduais suspenderam atividades, cinco unidades de atenção primária interromperam atendimento, e 12 linhas de ônibus tiveram desvios preventivos.

A ação foi planejada após um ano de investigação pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e contou com helicópteros, blindados, veículos de demolição e ambulâncias do Grupamento de Salvamento e Resgate. Pelo menos 30 dos procurados são do Pará.

O Ministério Público do Rio (MPRJ), através do Gaeco, denunciou 67 pessoas por associação para o tráfico e três por tortura. Entre os líderes do CV estão Edgar Alves de Andrade, o Doca; Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala; Carlos Costa Neves, o Gadernal; e Washington Cesar Braga da Silva, o Grandão. Eles são apontados como responsáveis por ordenar execuções, controlar a venda de drogas e definir a escala dos criminosos nas bocas de fumo.

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