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Apuração

Mauro Cid vai confessar que vendeu joias a mando de Bolsonaro, afirma advogado

Novo defensor afirma que negociação de joias que pertenciam à União foi feita a pedido do ex-presidente
Redação
18/08/2023 | 08:25

O advogado Cezar Bittencourt, que assumiu a defesa do ex-ajudante de ordens Mauro Cesar Barbosa Cid, afirmou que o militar entregou dinheiro em espécie a Jair Bolsonaro referente à venda de um relógio Rolex recebido pelo ex-presidente em uma viagem oficial. O criminalista disse que o militar pretende prestar um novo depoimento à Polícia Federal assumindo o crime, mas que dizendo que seguiu as determinações do então chefe. Procurada, a defesa de Bolsonaro não se manifestou até a publicação da reportagem.

A estratégia de admitir sua atuação e indicar Bolsonaro como mandante da negociação foi revelada pela revista Veja e confirmada pelo advogado a outros jornais, como Folha de S. Paulo e O Globo.

Mauro Cid, antigo ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na CPMI do 8 de Janeiro. Foto Lula Marques/Agência Brasil
Mauro Cid, antigo ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na CPMI do 8 de Janeiro. Foto Lula Marques/Agência Brasil

“Mauro Cid vendeu o relógio a mando do Bolsonaro com certeza e entregou o dinheiro a ele”, contou o advogado. “Os 35 mil que entraram na conta do pai dele (o general Mauro Cesar Lourena Cid) era parte do pagamento que ele deu ao ex-presidente”.

Ao assumir os inquéritos da Polícia Federal em que o ex-ajudante de ordens é investigado, o novo advogado afirmou que a carreira do militar é marcada pelo respeito a “obediência hierárquica” dentro do Exército Brasileiro. Ele garante que oficial “sempre cumpriu ordens” do ex-presidente.

“Passei três horas com ele ontem à tarde. Ele era um assessor e o ex-presidente era o superior dele. Ele irá prestar depoimento dizendo aquilo que é a verdade, o que realmente aconteceu. Se compromete ou se não compromete o ex-presidente é indiferente. Cada um com suas responsabilidades. O compromisso dele é com a verdade”, destacou Cezar.

“Então ele assumiu que errou, quer fazer mea-culpa e eu eu prometi que vou proteger ele, vou acompanhar. São coisas muito complicadas, ele precisa se sentir seguro. Ele vai assumir a responsabilidade da parte dele e o resto é consequência. Cada um com seus próprios problemas”, afirmou.

No dia 13 de junho, Mauro Cid viajou para a Pensilvânia para vender o relógio Rolex de ouro branco e outro relógio da marca Patek Philippe.

A PF localizou, a partir da análise de dados armazenados na nuvem do celular de Mauro Cid, um comprovante de depósito da loja no valor de US$ 68 mil nessa mesma data. Esse valor corresponde a R$ 332 mil.

Também ontem, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a quebra dos sigilo bancário e fiscal do ex-presidente Jair Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Depoimento de hacker sobre Bolsonaro

O programador Walter Delgatti Neto, conhecido como hacker da Vaza Jato, disse ontem à CPI do 8 de janeiro que a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) planejou forjar a invasão de uma urna eletrônica durante as celebrações do 7 de Setembro de 2022, menos de um mês antes da eleição.

O hacker disse ainda que, em outra data, Bolsonaro teria pedido para ele assumir a autoria de um grampo de conversas de Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Delgatti afirma que aceitou o pedido, feito pelo ex-presidente em telefonema mediado pela deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), mas que nunca teve acesso a esse suposto grampo do ministro.

À CPI Delgatti não apresentou registros que comprovem suas declarações. O hacker afirmou que aceita acareação com Bolsonaro na comissão.