O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que as conversas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, representam um “caso de polícia”. A declaração ocorreu após a divulgação de mensagens atribuídas ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em reportagens publicadas pelo site The Intercept Brasil.
Sem mencionar diretamente o nome de Flávio Bolsonaro, Lula afirmou que não comentaria o conteúdo revelado porque o assunto deveria ser tratado pelas autoridades responsáveis pela investigação.

“Não vou comentar, é um caso de polícia, não é meu, não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, declarou o presidente durante entrevista concedida em agenda pública na Bahia.
Lula também afirmou que a apuração deve ser conduzida pela Polícia Federal e defendeu que os fatos sejam investigados pelas instâncias competentes. “Tem algum delegado aqui? Não tem. Então vá na primeira delegacia da PF e pergunta como será tratado o caso dele”, acrescentou.
As declarações do presidente ocorreram após a divulgação de diálogos atribuídos a Flávio Bolsonaro envolvendo supostos pedidos de apoio financeiro relacionados à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O conteúdo das conversas passou a circular intensamente nas redes sociais e gerou repercussão imediata no meio político.
O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu transformar o episódio em mais uma frente de desgaste político contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Integrantes da comunicação do partido iniciaram uma mobilização nas redes sociais para ampliar a repercussão do caso.
Em publicação nas plataformas digitais, o PT associou diretamente as falas de Lula às denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O partido passou a utilizar o termo “Bolsomaster” para se referir ao episódio.
Segundo integrantes da legenda, uma força-tarefa foi organizada para produzir conteúdos digitais, vídeos e materiais voltados à repercussão do caso nas redes sociais e em grupos políticos aliados ao governo.
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que o partido pretende concentrar a abordagem nos fatos revelados pelas reportagens e nas declarações do próprio senador.
“Vamos insistir nessa tese: falar somente a verdade, apresentar fatos, notícias de imprensa ou falas do próprio personagem. Não precisaremos criar adjetivo, exagerar, nada. Só a verdade sobre Flávio Bolsonaro. Inclusive no caso do Banco Master. A história real de Flávio é a corda que vai enforcar a candidatura dele; o maior inimigo dele é a verdade”, declarou.
Nos bastidores, integrantes ligados ao governo avaliam que o episódio pode provocar desgaste político no campo bolsonarista, especialmente diante da possibilidade de ampliação das investigações envolvendo empresários e aliados próximos da família Bolsonaro.
Apesar disso, aliados do presidente reconhecem que ainda não há consenso sobre o potencial eleitoral do caso. Parte da base governista considera que a repercussão atinge principalmente Flávio Bolsonaro, sem necessariamente comprometer diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro ou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Enquanto isso, parlamentares da oposição reagiram às declarações de Lula e classificaram a movimentação do PT como tentativa de exploração política do episódio. Integrantes do PL afirmam que o governo tenta transformar a investigação em instrumento de disputa eleitoral antecipada.
O caso também provocou repercussão no Congresso Nacional. Governistas e oposicionistas passaram a discutir a possibilidade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar relações entre empresários, instituições financeiras e figuras políticas ligadas ao caso Master.
Segundo parlamentares ouvidos nos bastidores, há divergências inclusive dentro da oposição sobre a viabilidade da CPI. Alguns aliados de Jair Bolsonaro defendem cautela para evitar ampliação do desgaste político provocado pelas revelações recentes.
Ao mesmo tempo, governistas passaram a pressionar pela leitura de requerimentos ligados à criação da comissão. A estratégia é manter o assunto em evidência nas redes sociais e no debate político nacional.
Levantamentos de monitoramento digital indicaram crescimento significativo das menções ao caso nas plataformas digitais. Nas últimas 24 horas, milhões de interações envolvendo Flávio Bolsonaro, Banco Master e Daniel Vorcaro foram registradas em redes sociais, segundo empresas de análise de dados. A maior parte dos conteúdos compartilhados apresentou críticas ao senador e à relação entre empresários e figuras políticas ligadas ao bolsonarismo. Também houve circulação de vídeos, memes e montagens produzidas por apoiadores e adversários políticos.
Nos bastidores do governo, auxiliares de Lula avaliam que o episódio pode reforçar o discurso do presidente em defesa de investigações.