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Mossoró

Defesa relata abalo emocional de adolescentes após caso da paçoca

Advogado afirma que jovens interpretaram episódio como “brincadeira” e diz que Polícia Civil não encontrou provas sobre denúncia de criança colocada em porta-malas
Por O Correio de Hoje
15/05/2026 | 15:23

A defesa dos adolescentes investigados por supostos atos contra crianças que vendem paçoca em semáforos de Natal se manifestou pela primeira vez nesta quinta-feira 15. O advogado dos jovens, Otoniel Maia, afirmou em entrevista à TV Tropical, que os adolescentes estão “extremamente arrependidos e abalados” com a repercussão do caso e negou a acusação de sequestro envolvendo uma das vítimas.

As denúncias envolvem dois adolescentes, de 16 e 17 anos. A primeira acusação partiu de uma criança de 11 anos, que relatou ter sofrido injúria racial. Segundo a defesa, o episódio ocorreu durante uma interação que os adolescentes teriam interpretado como uma “brincadeira”.

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Otoniel Maia disse que adolescentes investigados estão arrependidos Foto: reprodução / tv tropical

“Houve umas brincadeiras, à tarde, ainda à tarde, e uma das crianças teria brincado com eles e eles, retribuindo, na versão deles, contada na delegacia, retribuindo essa brincadeira, teria feito aquele fato que é reprovável. É o fato que a polícia vai analisar”, declarou o advogado.

O momento foi gravado pelos próprios adolescentes, um deles derruba a mercadoria de paçocas da criança enquanto o outro registra a ação em vídeo. O advogado afirmou, no entanto, que os jovens retornaram ao local no mesmo dia para pedir desculpas.

“Eles fazem aquilo, naquele momento achando que era uma brincadeira, um derruba a paçoca e o outro grava e dá um grito. Porém, é importante que se diga que naquele mesmo dia, à noite, o adolescente volta lá na mesma lanchonete, encontra novamente as crianças e senta lá, pede desculpas e paga até lanche”, afirmou.

A segunda denúncia envolve uma criança de 10 anos, também vendedora de paçoca em semáforos. Ela alegou ter sido sequestrada pelos adolescentes e colocada dentro do porta-malas de um carro. A defesa negou a acusação e afirmou que a Polícia Civil não encontrou provas que confirmassem o relato.

Segundo o advogado Otoniel Maia, a Delegacia Especializada em Atendimento ao Adolescente Infrator (DEA) realizou levantamento de imagens de câmeras de segurança e ouviu as crianças envolvidas no caso. De acordo com a defesa, a investigação concluiu que não houve sequestro.

“A Polícia Civil fez uma apuração minuciosa, fez levantamento de câmeras de vídeos – inclusive através da fala das próprias crianças, que são duas, que essa situação de colocar a criança em mala de carro, de soltar a criança em bairro distante – e constatou não ter existido”, disse. Ainda conforme a defesa, familiares dos adolescentes entregaram imagens de câmeras de segurança para colaborar com as investigações.

O caso

A Polícia Civil de Mossoró investiga dois episódios distintos envolvendo crianças e adolescentes ocorridos nos últimos dias no bairro Nova Betânia, após a circulação de vídeos e áudios nas redes sociais. Um dos casos trata de uma denúncia de injúria racial registrada no sábado 9 à tarde, enquanto o outro envolve o relato de um suposto sequestro ocorrido na noite de segunda-feira 11. De acordo com o delegado Rafael Arraes, da Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DEA), as ocorrências estão sendo apuradas separadamente pelas equipes policiais.

No primeiro caso, três adolescentes que estavam em um carro foram identificados. Conforme a investigação, o grupo se envolveu em um desentendimento com uma criança de 10 anos nas proximidades de uma lanchonete. Em seguida, segundo a polícia, houve prática de injúria racial, com registro em vídeo e divulgação nas redes.

As imagens mostram o momento em que uma das crianças se aproxima de um carro após ser abordada pelos ocupantes do veículo. Em seguida, o material que estava em um recipiente é derrubado na rua.

“Segundo eles, a criança, de apenas 10 anos, teria tido um desentendimento quando eles chegaram à lanchonete e eles, para revidar, fizeram essa situação e ainda filmaram e postaram em rede social. Um fato repugnante”, declarou Rafael Arraes.

A vítima compareceu à delegacia acompanhada da mãe e registrou boletim de ocorrência por injúria racial. Segundo o delegado, não houve relato de sequestro relacionado a esse episódio. Um dos investigados também deverá responder por infração de trânsito, por conduzir veículo sem habilitação.

O segundo caso envolve uma criança de 11 anos, que relatou à polícia ter sido colocada à força dentro de um carro preto por quatro adolescentes na noite de segunda-feira, também nas proximidades da lanchonete. A polícia informou, porém, que havia inconsistências no relato e que as informações estão sendo verificadas.