O líder da gestão Paulinho Freire na Câmara Municipal de Natal, vereador Aldo Clemente, defendeu que a abertura do Hospital Municipal de Natal ocorra apenas quando a estrutura estiver plenamente preparada para atender a população, afirmando que a atual gestão tem adotado uma postura de cautela para evitar colocar em funcionamento uma unidade sem as condições necessárias de operação.
Segundo o vereador, a dimensão do empreendimento exige responsabilidade na implantação dos serviços e na definição do momento adequado para iniciar os atendimentos.

“Para se abrir um negócio daquele tamanho, para se ter uma estrutura daquela funcionando, tem que ter muita responsabilidade. Então, o prefeito Paulinho está exatamente compatibilizando isso com as secretarias envolvidas, com a Secretaria de Saúde, e com o orçamento do município para poder abrir e a população ser atendida”, afirmou, em entrevista ao programa Radar 95.
A declaração ocorre em meio à pressão política em torno do hospital, inaugurado simbolicamente pela gestão do ex-prefeito Álvaro Dias no fim do mandato, em 30 de dezembro de 2024, mas que ainda não entrou em operação. Nos bastidores, integrantes do grupo político de Álvaro, que é pré-candidato ao Governo do Estado, defendem que a unidade seja aberta o quanto antes para reduzir o desgaste provocado pelas críticas da oposição e reforçar o discurso de que a obra foi entregue à cidade antes do calendário eleitoral de 2026.
Do outro lado, a administração de Paulinho Freire tem sinalizado preferência por um cronograma mais cauteloso, priorizando a conclusão das estruturas internas, a instalação de equipamentos e a formação das equipes antes do início efetivo dos serviços, evitando problemas operacionais que possam comprometer a imagem da nova gestão. Paulinho Freire foi anunciado como coordenador-geral da campanha de Álvaro Dias ao Governo do Estado.
Questionado sobre as críticas de que o hospital foi inaugurado sem estar apto a funcionar, Aldo Clemente reconheceu que houve equívoco na forma como a entrega foi apresentada ao público, embora tenha defendido a importância da obra.
“Na época, não era para ser inauguração. Era para ter um outro nome. Era a entrega da estrutura física para depois realmente ter a parte interna, que é a mais complicada para abrir um hospital daquele. Acho que faltou somente essa nomenclatura”, declarou o vereador, admitindo o erro da gestão anterior.
O vereador relatou que participou, junto com os demais parlamentares, de uma visita técnica ao Hospital Municipal em março, conduzida pelo prefeito Paulinho Freire, ocasião em que foi apresentado o estágio da obra e o planejamento para a abertura da primeira etapa.
Segundo Aldo, a administração municipal optou por aguardar a conclusão dos centros cirúrgicos e da infraestrutura assistencial antes de colocar a unidade em funcionamento.
“Nós fizemos uma visita com o prefeito Paulinho Freire e ele disse que só iria abrir com os centros cirúrgicos, que ainda estavam em construção. É um projeto muito grande, que requer uma atenção especial. Você vai lidar com pessoas, então ele está tendo o maior cuidado e vai abrir de uma forma que atenda a população de Natal”, afirmou.
A expectativa da Prefeitura é que a primeira fase do hospital seja colocada em operação até agosto, disponibilizando quase 100 leitos, enfermarias e centros cirúrgicos, ampliando a capacidade de atendimento da rede municipal e absorvendo parte da demanda hoje concentrada em outras unidades da capital.
Aldo também rebateu as críticas dirigidas ao empreendimento e disse acreditar que a percepção sobre a obra mudará quando os serviços começarem efetivamente a funcionar.
“Após o hospital aberto e funcionando, aí vão lembrar realmente de uma grande obra e de um grande feito. Começou pelo ex-prefeito Álvaro Dias e agora vai ser aberto pelo prefeito Paulinho Freire. Após funcionando, a gente vai ter uma noção mais exata da importância”, afirmou.
Maior investimento da área de saúde já realizado pela Prefeitura do Natal, o Hospital Municipal tornou-se também um dos principais ativos políticos do grupo que governou a capital nos últimos anos. A demora na entrada em operação, entretanto, transformou o equipamento em alvo constante de questionamentos e ampliou a disputa narrativa entre aliados do ex-prefeito Álvaro Dias e a atual administração, que busca equilibrar a pressão política por uma inauguração rápida com a preocupação de entregar uma unidade plenamente estruturada para atendimento à população.